
TECNOLOGIA
DA PANIFICAÇÃO
1.Trigo (
Origem, Transporte, Composição, Análise, Controle
de Qualidade, Moagem, Proteínas,
Carboidratos)
1.TRIGO
O trigo é uma gramínea, um cereal fasciculado, de fruto oval
pertencente à família Graminea e do gênero Triticum, possuindo
diversas espécies. O tipo de maior interesse comercial é oTriticum
aestivum L.(trigo comum) utilizado na panificação, produção de
bolos, biscoitos e produtos de confeitaria. O tipo Triticum durum é
muito utilizado para o preparo de massas alimentícias.
1.1.Origem
As primeiras sementes
de trigo foram trazidas ao Brazil por Martin Afonso, em 1534 , que se
plantou na Capitania de São Vicente a partir da qual se estenderam pelo
planalto na direção Sul, onde as condições climáticas eram mais
favoráveis.
1.2.Transporte
O trigo consumido no
Brasil é de procedência nacional e importado. Os estados brasileiros
de maior produção são Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul
e São Paulo. As principais importações provem dos Estados Unidos,
Argentina, Canadá e Alemanha. Estes são transportados para o Brasil
por navios. Chegando aos portos, o trigo é descarregado e seu
transporte até o destino será por carretas ou trens.
1.3.Composição Química
do Grão
O grão de trigo contém
em média;* Endosperma: 80% do grão - contém: amido, proteínas,
fibras e coomplexo vitamínico; * Casca: 17,5% do grão - contém:
fibras, complexo vitamínico, minerais e proteínas; * Germe ou Embrião:
2,5% do grão - contém: gorduras, complexo vitamínico e mineirais.
1.4.Análise (
volta ao topo da página )
Determinação do peso
Hectilitro.
Determinação da umidade.
Determinação do Glúten ( Glutomatic ).
Análise de Proteínas.
Determinação da Alfa - Amilase ( Falling Number ).
Determinação da Cor ( Clorímetro - Pekar ).
Alveograma.
Determinação de Resíduos Minerais ( Cinzas ).
Análise da acidez aquosa e alcoólica.
Análises microscópicas e macroscópicas.
Em seguida é
descarregado nas moegas, de onde depois de passar por um processo de
limpeza, será transportado aos silos.
1.5.Controle de
Qualidade ( volta ao topo da
página )
Antes de descarregar o
trigo no moinho, são retiradas várias amostras de todas as carretas e
em seguida essas amostras passam para o Controle da Qualidade onde são
feitas várias
análises. Estando os resultados de acordo com o padrão estabelecido
pelo moinho, autoriza-se a descarga do trigo. Estas análises são
feitas com o produto armazenado e também durante a produção.
1.6.Moagem (ver
trabalho completo sobre moagem ) (
volta ao topo da página )
O processo de moagem se
divide em quatro etapas principais:
1.6.1.Recepção
e armazenamento do grão
O trigo tem que ser
armazenado em perfeitas condições de higiene, temperatura e umidade
para poder garantir um melhor produto final.
1.6.2.Limpeza e
Acondicionamento do Trigo
Nesta etapa é necessário
eliminar todas as impurezas como sementes estranhas, terra, areia,
pedras e outros. A presença de impurezas causa danos aos equipamentos e
também desqualifica o produto final. Após a etapa de limpeza o trigo
é acondicionado no mínimo por 18 horas, esse tempo varia de acordo com
a dureza e umidade do grão. Esta etapa de acondicionamento tem como
objetivo facilitar a separação do farelo com o endosperma durante a
moagem.
1.6.3.Moagem do
Trigo e Produção de seus derivados
O objetivo do processo
de moagem é separar na forma mais pura o endosperma para que este possa
ser moído e convertido em farinhas não contaminadas com o germe ou o
farelo, os quais são comercializados separadamente. Para isto, o grão
primeiramente passa por um processo de trituração onde serão extraídas
as semolinas (endosperma).
Em seguida estas são classificadas no plansifter em partículas grossas
e finas. Estas particulas irão passar por cilindros redutores,
novamente pelo plansifter, sassores e outros equipamentos que definirão
os produtos derivados do trigo. O principal produto derivado de trigo é
a farinha, seguida do farelo e o germe. Existem vários tipos de farinha
de trigo, estas são especificadas de acordo com o produto que se deseja
produzir.
Envase, Armazenamento e distribuição dos produtos acabados:
Nesta etapa o produto é embalado em embalagens de 1kg, 5kg e 50kg. O
produto deve ser armazenado sempre em ambientes limpos, secos e
arejados. A distribuição dos produtos é feita por uma frota própria
do moinho ou por transportadoras.
1.7.Caracterização do Trigo
Segundo El-Dash et al.[ca.1982],
a composição química dos grãos dos cereais varia amplamente
dependendo do ambiente, solo e variedade. Para entender o comportamento
do trigo e suas propriedades tecnológicas, torna-se necessário o
conhecimento básico dos principais constituintes do grão. Dentre os
constituintes do grão de trigo, as proteínas e carboidratos são os
principais componentes, em virtude de suas características especiais.
1.7.1.Proteínas
do Trigo ( volta ao topo
da página )
As proteínas do trigo
são divididas em dois grupos, um deles formado pelas albuminas e
globulinas, representando 15% das proteínas totais e, o outro, formado
pela gliadina e glutenina que compreendem os restantes 85% das proteínas
(El-Dash et al., [ca.1982]).
A gliadina e glutenina
combinadas possuem a propriedade de formar com água mais energia mecânica
uma rede tridimensional viscoelástica, insolúvel em água, denominada
glúten, este, extremamente importante devido a sua capacidade de
influenciar a qualidade dos produtos finais, tais como, pães, macarrão
e biscoitos (Bobbio & Bobbio, 1992a).
Quando são misturadas
farinha de trigo e água pode-se observar a formação de uma massa
constituída da rede protéica do glúten ligada a grânulos de amido. O
glúten, em panificação, retém o gás carbônico produzido durante o
processo fermentativo e faz com que o pão aumente de volume. Uma
farinha de trigo forte possui, em geral, maior capacidade de retenção
de gás carbônico. Uma farinha fraca, por sua vez, apresenta deficiência
nesta característica. A expressão "força de uma farinha"
normalmente é utilizada para designar a maior ou menor capacidade de
uma farinha de sofrer um tratamento mecânico ao ser misturada com água,
associada à maior ou menor capacidade de absorção de água pelas
proteínas formadoras do glúten e combinadas com a capacidade de retenção
do gás carbônico, resultando num bom produto final de panificação,
ou seja, pão de bom volume, de textura interna sedosa e de
granulometria aberta (Guarienti, 1993).
1.7.2.Carboidratos
do Trigo ( volta ao
topo da página )
Os carboidratos
abrangem um dos maiores grupos de compostos orgânicos encontrados na
natureza, e juntamente com as proteínas formam os constituintes
principais do organismo vivo, além de serem a mais abundante e econômica
fonte de energia para o homem. A natureza, através do processo da
fotossíntese, a partir de dióxido de carbono e água, sintetiza
carboidratos, principalmente amido, celulose e sacarose, dos quais por
hidrólise, são obtidas a glicose e a frutose (Bobbio & Bobbio,
1992b).
Segundo Bobbio &
Bobbio (1992b), o amido é um homopolissacarídeo neutro formado por
duas frações: amilose e amilopectina. A primeira é composta de
unidades de glicose com ligações glicosídicas alfa -1,4 formando
assim unidades de maltose e, a segunda, por unidades de glicose unidas
em alfa -1,4 com cadeias de glicose ligadas em alfa -1,6 de modo que além
de unidades de maltose, temos em menor proporção isomaltose nos pontos
de ramificação.
A presença de açúcares
é de grande importância nos processos de panificação por eles
servirem de substrato para o fermento biológico que produz gás carbônico
responsável pelo crescimento da massa. Os açúcares, juntamente com as
proteínas, são responsáveis pela cor, sabor e aroma dos produtos de
panificação devido à reação de escurecimento não enzimático (reação
de Maillard) que ocorre durante o cozimento da massa no forno (El-Dash
et al., [ca.1982]).
As proporções de
amilose e amilopectina são variáveis entre os amidos procedentes de
diferentes espécies vegetais, e mesmo entre amidos provenientes da
mesma espécie, as proporções de amilose e amilopectina variam de
acordo com o grau de maturação das plantas. As proporções de amilose
e amilopectina influem na viscosidade e no poder de gelificação do
amido (Bobbio & Bobbio, 1992a).
O grânulo de amido
natural tem uma capacidade limitada de absorver água fria (30% do seu
peso em água). Esta capacidade é controlada pela estrutura cristalina
do grânulo que, por sua vez, depende do grau de associação e arranjo
molecular dos componentes do amido (Ciacco & Cruz, [ca.1982]).
Quando grãos de amido são suspensos em água e a temperatura é
aumentada gradualmente, nada acontece até atingir uma determinada
temperatura, mais exatamente um intervalo de temperatura, que é chamado
de temperatura de gelatinização. Nesta temperatura, específica para
amidos de diferentes origens, as ligações de hidrogênio mais fracas
entre as cadeias de amilose e de amilopectina são rompidas e os grãos
de amido nessas regiões começam a entumecer e formar soluções
consideravelmente viscosas. O entumescimento dos grãos e, portanto, o
aumento de viscosidade das soluções está relacionado com a quantidade
de água presente; a 120° C todos os grãos estarão dissolvidos (Bobbio
& Bobbio, 1992a). Após a faixa de gelatinização, as pontes de
hidrogênio continuam a ser rompidas, o grânulo a inchar, e a amilose
começa a ser lixiviada. Como conseqüência direta do entumescimento,
ocorre um aumento na solubilidade do amido, claridade e viscosidade da
pasta. O entumescimento dos grânulos continua até que estes sejam
rompidos, e a estrutura granular deixa de existir. Com o rompimento dos
grânulos, a viscosidade decresce abruptamente (Ciacco & Cruz, [ca.1982]).
A tecnologia da
gelatinização do amido é muito importante na indústria alimentícia,
sendo que podemos citar: o aumento da solubilidade com a gelatinização
é a base para a confecção de alimentos amiláceos pré-preparados,
como por exemplo, pudins, purê de batata pré-preparado, polenta,
cuscuz, etc. Em determinados produtos embutidos (frescal) de carne, o
amido é usado como estabilizante de emulsão. Como esta propriedade do
amido ocorre com a gelatinização, é necessário usar um amido que
tenha temperatura de gelatinização menor que a temperatura de cocção
do embutido (normalmente 72° C no interior da peça) (Ciacco &
Cruz, [ca.1982]).
Pode-se citar outro
exemplo onde se deseja modificar o alimento (Mello Jr, 1991), para
melhorar sua digestibilidade. Para ruminantes, no processo de laminação
ou floculação a vapor do milho, o amido dos grãos sofre modificação
tanto na estrutura química (gelatinização), como na estrutura física
(laminação ou floculação).
Moran (1987) apud Penz
& Maiorka (1996), comenta que nas peletizações de rações ocorre
um aumento da digestibilidade dos nutrientes pelo processo mecânico e
pela ação da temperatura. A digestibilidade dos carboidratos aumenta
porque a amilose e a amilopectina estão organizadas em grânulos e o
tratamento térmico desagrega estes grânulos, facilitando a ação
enzimática. A peletização também solubiliza parcialmente as proteínas,
pela alteração das suas estruturas naturais e libera nutrientes com a
ruptura da parede das células. Entretanto, o autor chama a atenção
que o excesso de temperatura durante a peletização, ao contrário,
pode comprometer a disponibilidade de lisina (reação de Maillard).
Fica claro que a
gelatinização do amido deve ser um processo de opção, frente a
alguma necessidade específica de processamento, e não em virtude de
falhas no pré-processamento dos grãos (por exemplo durante a secagem
inadequada).