
Para Bird, desafio ambiental é
"assustador"
Palavras do Banco Mundial (Bird): são
assustadores os desafios para a economia mundial nos próximos 50 anos,
se os governos reunidos em Johannesburgo a partir da próxima
segunda-feira decidirem seguir o rumo do desenvolvimento sustentável e
combater de fato a pobreza. A recompensa, se tudo der certo, será um
PIB mundial de US$ 140 trilhões -3,3 vezes o total atual.
Isso daria US$ 15.556 anuais para cada um dos 9 bilhões de habitantes
que o planeta terá em 2050. Uma renda per capita hoje impensável para
a maioria dos países presentes, na África do Sul, à Cúpula Mundial
sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +10).
Os obstáculos são muitos, diz o Bird no "Relatório do
Desenvolvimento Mundial 2003". Começam com o fato de a renda dos
20 países mais ricos já ser 37 vezes maior que a dos 20 mais pobres e
vão até 1,3 bilhão de pessoas condenadas a viver em terras impróprias
(veja quadro à dir.).
O trabalho ressalta que o abismo entre nações ricas e pobres se
duplicou nos últimos 40 anos, a poluição do ar cresceu, a água doce
é cada vez mais escassa e a biodiversidade está desaparecendo, com a
destruição de florestas.
"A trilha do desenvolvimento deixou um legado de problemas
ambientais e sociais que não pode se repetir", disse o presidente
do Bird, James Wolfensohn.
"O mundo de US$ 140 trilhões, daqui a cinco décadas, simplesmente
não pode ser mantido com os atuais padrões de produção e
consumo", disse num comunicado Nicholas Stern, economista-chefe do
Bird. Referia-se, decerto, ao fato de ser ecologicamente inviável -com
a tecnologia atual- estender a todos os habitantes da Terra os altos
padrões de consumo vigentes nos países ricos.
Faltariam terras, água e energia para tanto. Já faltam, na realidade,
em muitas regiões pobres da Terra, mesmo com tais padrões de consumo
restritos a uma minoria.
Só para atingir a meta da ONU de cortar pela metade a pobreza no mundo
até 2015, seria preciso que a economia dos países pobres crescesse a
uma taxa média anual de 3,6%, expansão que não apenas parece difícil
na atual conjuntura mundial, como aumentaria a pressão sobre o
ambiente.
O Bird admite que, ao lado de outras instituições, tem apoiado algumas
das políticas "equivocadas" que trouxeram dano ao ambiente e
propõe que daqui para a frente essas políticas sejam ajustadas para
contribuir para o desenvolvimento sustentável. O relatório faz um
apelo específico para que as nações mais ricas suspendam o gasto de
US$ 1 bilhão por dia com subsídios agrícolas.
Com agências internacionais