
Unindo tecnologia
australiana com a simpatia e o frescor dos vinhos típicos italianos...
Rio, 6 de Dezembro de 2002
A culinária italiana é a mais
popular do mundo. De Hong Kong a Nova York, não há metrópole que não tenha
um "ristorante", quando não dez, quando não cem.
E cada um deles fatalmente
oferecerá uma carta recheada com os indefectíveis vinhos tradicionais
italianos. Estes, na grande maioria, foram criados para consumo à mesa, em
comunhão com a cozinha nacional.
Esta antiga fórmula, de bebidas joviais que se
expressam melhor em harmonia com alimentos, ganhou uma versão adaptada aos
novos tempos por meio da vinícola Farnese, de Abruzzo, região central da bota.
Seu presidente, Camillo Iullis, esteve no Brasil no início deste mês para
apresentar essa evolução.
Unindo tecnologia australiana
com a simpatia e o frescor dos vinhos típicos italianos, os produtos da Farnese
têm ainda um trunfo importante, o preço. O poderoso crítico americano Robert
Parker chegou a se referir ao Montepulciano D’Abruzzo desta empresa como a
melhor oferta do mundo naquele momento (edição de abril de 1995 de seu jornal,
o "The Wine Adcovate").
A história da Farnese é recente, de apenas uma
década. Um dos primeiros clientes foi o "Sunday Times Wine Club",
clube inglês presidido por ninguém menos que Hugh Johnson, um dos maiores
especialistas mundiais no assunto. A partir daí as vendas decolaram. A Farnese
produz hoje cerca de 9 milhões de garrafas e exporta 90% deste volume.
Seus principais mercados são
EUA, Canadá, Austrália, Japão, Inglaterra, Irlanda, Holanda, França,
Singapura, Tailândia, Índia, China, Suécia e Noruega. Muito recentemente o
Brasil passou a fazer parte desta lista, com a representação exclusiva da
importadora World Wine (tel.: 11 3315-7477).
O sucesso foi tanto que a empresa resolveu
investir na restauração de um castelo medieval e lá instalar sua sede. O
Castello Caldora, na cidade de Ortona, foi inaugurado em abril deste ano com a
presença de autoridades e do padrinho da casa, Hugh Johnson. A construção é
uma relíquia que teve sua torre mais antiga construída em 1251.
No século XV muralhas foram
edificadas pelo herói de guerra Jacopo Caldora, que recebeu a propriedade da
rainha Giovanna II, como reconhecimento por seus feitos militares. Bombardeiros
durante a II Guerra Mundial causaram sérios danos ao castelo. Sua recuperação,
iniciada em 2000, durou cerca de dois anos e hoje a obra voltou a ser um ícone
da arquitetura local.
Os 80 hectares de vinhedos da Farnese estão
situados a uma altitude entre 80 e 400 metros, próximos ao maciço de Maiella,
no centro do país, a cerca de 30 quilômetros do mar. A idade média das vinhas
é de 20 anos, com algumas chegando a 40 anos de idade. A colheita é totalmente
manual e o produto de cada vinhedo é vinificado em separado para um melhor
aproveitamento das características de cada terreno.
Enólogo responsável, Filippo
Baccalaro é um dos sócios do empreendimento. Na época da colheita, ele conta
com ajuda de um variado time de enólogos que chegam da Austrália, Chile, Nova
Zelândia e França. Uma das práticas utilizadas é um estrito controle do
rendimento das vinhas (quantidade de bebida produzida por área de terra). Nos rótulos
que chegam ao Brasil o rendimento vai de 50 a 90 hectolitros por hectare (quando
as leis locais permitem rendimentos de até 140). Outro método adotado foi o de
colher tardiamente, chegando aos últimos dias de outubro, buscando frutos mais
maduros.
Abaixo uma avaliação dos cinco vinhos que
chegam ao Brasil. Todos têm boa relação qualidade/ preço. Precisam de algum
tempo para se abrir na taça (mesmo os brancos), e se beneficiam se acompanhados
de uma refeição. Uma sugestão é decantar os tintos. Os teores alcoólicos são
superiores aos dos vinhos tradicionais da região, o que se traduz em estrutura
e maciez.
Opis Montepulciano d''Abruzzo Riserva 1996, R$
65. É top da casa. Para ganhar complexidade foi amadurecido por 24 meses em três
tipos de carvalho: francês, americano e esloveno. No final deste período o
conteúdo dos diversos barris é misturado até que se alcance o gosto desejado.
É 100% composto por uvas Montepulciano. Tem cor rubi escura. Bem acabado e
elegante, com aromas de especiarias, carvalho, ameixa seca e um toque de menta.
Acaricia o palato com sua maciez, com 13,5% de álcool (bem mais que os 12,5%
exigidos pela DOC Montepulciano d’Abruzzo Riserva), e com taninos bem
resolvidos. Pronto para beber ou guardar por mais dois anos. Muito bom.
Don Camillo Farnese Sangiovese 2001, R$ 38. Corte
de 85% Sangiovese e 25% Cabernet Sauvignon passando quatro meses em barris de
carvalho. Rubi escuro com reflexos ainda violáceos, frutado no olfato com notas
de pimenta-do-reino e menta. No palato é justamente tânico, com uma boa
vivacidade, sem ser agressivo, com 13% de álcool. Está pronto, mas pode ser
guardado por mais dois ou três anos. Muito bom.
Casale Vecchio Trebbiano d’Abruzzo 2001, R$ 38.
Mistura de Trebbiano toscano 90%, Passerina 5% e Bombino 5%. A Trabianno, na
França conhecida como Ugni Blanc, é considerada uma das cepas mais modestas
que existe, produzindo normalmente líquidos insípidos e sem interesse. Este
exemplar, no entanto, é uma ótima surpresa. 15% do mosto é fermentado por 2
meses em carvalho francês, que deixa marcas evidentes na bebida. Amarelo palha
com delicados aromas de baunilha, frutas como pêra, e um leve toque floral. No
paladar, é macio (13,5% contra os 11-11,5% normalmente ostentados pelos
Trebbiano d’Abruzzo). Muito bom.
Casale Vecchio Montepulciano d’Abruzzo 2000, R$
38. O mais encorpado da prova. 100% uvas Montepulciano, amadurecido seis meses
em barricas e com 13,5% de álcool. Cor rubi com reflexos violáceos e muitas
frutas vermelhas no nariz, especiarias e uma presença vegetal não comum nos
outros tintos da casa, lembrando alguns chilenos. Encorpado, ainda um pouco tânico
e com boa acidez. Bom a muito bom.
Farneto Chardonnay 2000, R$ 27. 100% Chardonnay,
com 13,5% de álcool. Amarelo palha claro com os primeiros reflexos dourados. Média
intensidade no nariz, com baunilha, frutas maduras e cítricos. Macio na boca,
com uma acidez equilibrada. Do grupo este é o que mais lembra um australiano,
embora a influência da madeira seja discreta. Para beber agora. Bom.