Para CNA, Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, desafio será conquistar mercados
 
      Brasília, 12 de Dezembro de 2002 - Negociar firmemente a abertura de novos mercados internacionais para os produtos agropecuários brasileiros é desafio primordial a ser enfrentado pelo novo governo do PT, avalia a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). "A agricultura brasileira mudou de patamar e começa a mostrar suas garras", disse o presidente da entidade, Antônio Ernesto de Salvo.

      Na opinião do chefe do departamento de assuntos internacionais e comércio exterior da CNA, Antônio Donizeti Beraldo, as negociações com os Estados Unidos quanto ao ingresso do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) devem ser tratadas com firmeza, de forma a garantir um espaço no bloco para os produtos agropecuários brasileiros.

      Segundo Donizeti, Brasil e Chile seriam os países mais beneficiados, na região, caso fosse implantada uma zona com real livre comércio. O economista estima que as exportações agropecuárias chilenas cresceriam 29% e as brasileiras, 27%, caso houvesse o fim de taxações no comércio intrabloco.

      Paralelamente, Donizeti lembra que a novo regime da Trade Promotion Authority (TPA), dos Estados Unidos, estabeleceu uma lista com 521 produtos considerados sensíveis para o comércio norte-americano, envolvendo prioritariamente itens agrícolas.

      Queda de preços

      A queda constante dos preços dos produtos agrícolas no mercado internacional é outro fator que preocupa a CNA. A concessão de subsídios por países ricos a seus agricultores é um dos principais motivos que levam à depreciação dos valores das commodities agrícolas. Um estudo da CNA indica que o preço médio por tonelada das exportações agropecuárias brasileiras era de US$ 540, em 1997, com queda constante desde então, chegando a US$ 335 em 2002.

      Segundo Donizeti, a crise asiática foi o fator que originalmente provocou queda dos preços agrícolas, mas alertou que paralelamente houve aumento na concessão de subsídios, prejudicando a inserção de países emergentes no comércio internacional de alimentos.

      No cenário interno, o desafio para 2003 será administrar a comercialização de uma supersafra (estimada em mais de 106 milhões de toneladas no ano agrícola 2002/03), de forma a evitar depreciação de preços, o que geraria um desestímulo ao cultivo no plantio subsequente.

      O chefe do departamento econômico da CNA, Getúlio Pernambuco, diz ser preciso criar condições que permitam haver crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio na mesma velocidade da economia em geral. Dados da entidade indicam que desde 1994, o PIB da agropecuária brasileira cresceu 13,7%, contra 19,04% do total do PIB nacional.

      Agroquímicos importados

      Ernesto de Salvo disse que, na busca da redução de custos para a agricultura, na tentativa de ampliar a produtividade e competitividade do setor, é preciso esforço para garantir a importação direta de agroquímicos do Mercosul pelos produtores, o que atualmente é proibido.

      A CNA defende que seja permitida a comercialização de defensivos "genéricos", mais baratos. O presidente da CNA defende também que seja estabelecido um critério definitivo sobre a possibilidade de plantio – ou não – de variedades geneticamente modificadas no País. "Não queremos tomar partido, mas que seja definido se pode plantar ou não", disse. No segmento de política fundiária, o presidente da CNA disse que é preciso dar maior impulso ao Banco da Terra.

      (Gazeta Mercantil/Página B16)(Ayr Aliski)

 

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