
Maranhão cria zonas para a
criação de camarão em cativeiro
São Luís, 11 de Dezembro de 2002 - O Maranhão
quer incentivar o desenvolvimento da criação de camarão, sem degradar o meio
ambiente. A partir de janeiro do próximo ano a gerência estadual de meio
ambiente e recursos hídricos vai fazer o zoneamento das áreas onde será
permitida a implantação de projetos de criatórios de camarão. Os manguezais
e apicuns (vegetação que cresce ao lado dos manguezais) serão preservados
como diz a legislação ambiental.
O zoneamento será feito com o objetivo de
colocar em prática a resolução do Conama nº 312/outubro/2002, que dispõe
sobre o licenciamento dos empreendimentos de carcinicultura na zona costeira do
Brasil.
O gerente de meio ambiente e recursos hídricos,
Othelino Neto, afirma que existe área suficiente para o desenvolvimento da
carcinicultura no Maranhão. Como exemplo cita os campos inundáveis e regiões
de apicuns.
"A intenção do estado não é criar obstáculos,
mas zonear dizendo, aqui pode e aqui não pode", deixa claro o gerente,
ressaltando que até pouco tempo não havia nenhuma legislação federal que
disciplinasse a atividade no aspecto do licenciamento.
O Nordeste é responsável por 95% da produção
de camarão em cativeiro no País. Nos estados brasileiros, onde a
carcinicultura já está bem mais adiantada como Rio Grande do Norte, Sergipe,
Ceará e Pernambuco, conforme destaca Othelino Neto, houve impacto ambiental
grande nas áreas de mangue em virtude da falta de cuidado. "Não existe
postura contrária do governo do estado em relação à carcinicultura. Mas, o
Maranhão será modelo que permitirá a exploração de forma sustentável desta
atividade econômica", ressalta.
Um levantamento do Banco do Nordeste aponta uma
área de 150 mil hectares estrategicamente bem localizada no Maranhão, que pode
ser aproveitada para projetos de criação de camarão em cativeiro. O estado
possui o segundo maior litoral do Nordeste e pode tornar-se grande produtor de
camarão.
O Banco do Nordeste está sugerindo ao governo do
Maranhão a utilização de apenas 25 mil hectares no litoral para implantar nos
próximos quatro anos de projetos para o desenvolvimento do agronegócio da
carcinicultura. A atividade em pleno funcionamento poderá gerar 25 mil empregos
até 2006 e atrair outros investimentos como indústrias de ração e laboratórios
de pesquisas