
Catalisador melhora produção de fonte
de "energia limpa" com luz
Geração de hidrogênio se aproxima
de viabilidade
Pesquisadores americanos desenvolveram uma nova forma de catalisador
(tipo de substância que estimula reações químicas) capaz de ajudar a
transformar em realidade a produção de energia limpa a partir de
hidrogênio. A idéia é um velho sonho da ciência e poderia aposentar
os combustíveis fósseis, cuja queima é o principal fator do aumento
do efeito estufa no planeta.
O químico Shahed Khan e seus colegas da Universidade Duquesne, na
Pensilvânia, usaram o dióxido de titânio (TiO2) como base para a nova
substância. Esse composto é usado desde os anos 70 para induzir a
quebra de moléculas de água em hidrogênio, sob a ação da luz do
Sol.
O TiO2 tem a vantagem de ser barato e permanecer quimicamente estável
sob luz solar prolongada, mas ele só absorve a luz ultravioleta, que
corresponde apenas a uma pequena fração da luminosidade do Sol que
alcança a Terra, tornando ineficaz a produção de hidrogênio.
Para Khan, o problema estava no processo usado para criar o catalisador
a partir do titânio metálico: o sistema criava outros compostos que
absorvem mal a luz.
Para resolver isso, o pesquisador criou uma fornalha que queima uma
folha metálica de titânio usando uma chama alimentada por gás
natural. O metano (CH4) no gás se quebra em vapor d'água e dióxido de
carbono (CO2) conforme queima, e o vapor transforma o titânio em TiO2.
Um pouco de carbono também entra na mistura, melhorando muito o
desempenho do catalisador: ele foi capaz de converter 8,5% da energia
solar na fabricação de hidrogênio -mais de oito vezes o nível
conseguido até hoje.
Isso acontece porque a nova forma do catalisador também era capaz de
absorver a luz visível. O estudo relatando a nova técnica foi
publicado na revista científica norte-americana "Science" (www.sciencemag.org).
O desempenho conseguido por Khan e seus colegas ainda é menor do que os
10% recomendados pelo Departamento de Energia dos EUA para que um
catalisador seja comercialmente viável. Mesmo assim, especialistas
dizem que o grupo tem boas chances de alcançar essa meta com a técnica.