Reijers investe no Ceará para ampliar exportação de flores
 
      Fortaleza, 12 de Dezembro de 2002 - Investimentos, como os US$ 12,5 milhões previstos pela Reijers. A paulista Reijers Agrofloricultura vai investir mais US$ 12,5 milhões no Ceará, para ampliar em 50 hectares o cultivo de rosas em estufa destinadas à exportação. Os recursos, que serão aplicados na estrutura da produção - estufas, mudas, packing house e insumos, por exemplo - deixam a empresa em condições de produzir 81 milhões de botões de rosas por ano, gerar 835 empregos diretos e atingir um faturamento anual estimado em cerca de R$ 70 milhões.

      "Esse é um projeto para o prazo de sete anos", diz o diretor de produção Roberto Reijers. O grupo aportou em terras cearenses em 2001 e já investiu no estado algo em torno de US$ 3 milhões em 20 hectares no município de São Benedito, ainda em implantação. "Devemos estar em plena produção no final de 2003, alcançando a produção de 36 milhões de hastes, 70% destinados à exportação", adianta o diretor de produção. Hoje, a empresa colhe 15 mil hastes por semana - ou cerca de 1,6 milhão por ano.

      Para a nova investida, a Reijers acertou parceria com o governo do estado e a prefeitura de Ubajara, cidade a 332 quilômetros de Fortaleza, que vai cuidar da infra-estrututra de estradas e de energia. O acordo foi assinado ontem, em Fortaleza. A nova etapa confirma também a disposição do grupo paulista em fincar suas raízes no Ceará, onde já é parceiro do governo estadual no Projeto Florescer, implementado pela Secretaria da Agricultura Irrigada (Seagri), que envolve apoio técnico, de comercialização e infra-estrutura, para pequenos produtores.

      A empresa, que mantém áreas de cultivo em São Paulo e Minas Gerais, negocia com a Holanda, o maior mercado do setor no mundo, e embarcou em agosto passado, do Ceará, sua primeira remessa de 3 toneladas de rosas cultivadas na região da Ibiapaba, uma carga avaliada em US$ 6 mil (Fob). Segundo o diretor, a Reijers tem programados para dezembro dois embarques semanais de 2,5 a 3 toneladas.

      A expansão da Reijers reforça o Projeto Rosas do Ceará, da Seagri, que desde 2000 vem investindo no setor. O estado tem hoje 70 hectares de rosas em estufa em implantação. Além da empresa paulista, o grupo equatoriano Flores do Sol está preparando o terreno para 30 hectares de rosas e a Cearosa tem outros 20 hectares. Esta última, com raízes no Rio Grande do Sul e pioneira do setor no estado, instalou suas estufas no município de São Benedito, a 330 quilômetros de Fortaleza.

      Novas tecnologias

      O presidente da empresa, Paulo Selbach, também tem planos de expansão. Acertou, na Holanda, em outubro passado, uma associação com outro grupo equatoriano, o Flores de Cotopaxi, empreendimento que tem duas fazendas de cultivo, uma com cerca de 14 hectares e outra de 9 hectares, uma distribuidora em Miami, e atualmente exporta para 35 países.Pelo acordo, a Cearosa cede 49% de suas ações para receber em troca investimentos em tecnologia, estimados em torno de US$ 2 milhões. Selbach recebe esta semana, no Ceará, o diretor presidente da empresa, Victor Lobato, para definir os rumos do negócio.

      "Fomos a pioneira na produção de rosas e agora a primeira multinacional do setor", afirma Selbach. Segundo o empresário, a proposta traz embutida também a oportunidade de crescimento e expansão de mercados. A Cearosa, instalada no final de 1999, colheu as primeiras hastes em 2001. Hoje, tem 3 hectares cultivados e vai chegar a 8 hectares em maio. "Investimos em um hectare de rosas entre US$ 200 mil e R$ 250 mil; esse é um valor médio, pois em países como a Holanda o custo supera US$ 1 milhão", explica Selbach.

      A empresa ainda não se sustenta, pois para esse estágio deverá alcançar cinco hectares de produção. "O custo de implementação é caro e temos 75 empregados em folha", assinala o empresário, lembrando que a Cearosa e a Reijers são as duas maiores empregadoras no município de São Benedito. Conforme ele, as empresas perdem apenas para a prefeitura local em número de postos de trabalho.

      Os insumos, 90% importados, e a alta do dólar, não ajudaram neste ano. Compensa para quem exporta, mas a empresa de Selbach ainda não chegou lá. "Mas isso é uma questão de tempo; a partir da nova estrutura e da introdução de variedades próprias para exportação, também vamos em busca do mercado internacional", afirma ele.

      A expectativa da Seagri é de que num prazo de quatro anos o Ceará lidere o ranking nacional do setor, com 216 milhões de botões por ano - ou o equivalente à receita anual da ordem de US$ 39 milhões, previsão que leva em conta somente a área de rosas. "Vamos chegar a 120 hectares de cultivo protegido, superando os 100 hectares produzidos pelos estados de São Paulo e Minas Gerais, juntos", diz Rubens Aguiar, gerente de floricultura da secretaria.

      O Ceará deve exportar este ano cerca de US$ 500 mil em flores cortadas. Para 2003, as estimativas apontam para US$ 5 milhões. Rubens Aguiar diz que o dinamismo do setor no Ceará está apoiado em condições climáticas e logísticas favoráveis. "O clima nas regiões de serra praticamente não oscila durante o ano e estamos em posição geográfica privilegiada em relação a Europa, principal mercado, e Estados Unidos", assinala.

      Os produtores cearenses colhem cerca de 180 botões por metro quadrado e devem chegar a 220 no próximo ano, enquanto São Paulo fica na média de 120 botões por metro quadrado e países com tradição no setor, como Colômbia e Equador, cerca de 85 botões por metro quadrado.

      Além disso, a localização do estado em relação à Europa reduz em até um terço o frete aplicado às flores dos dois países sul-americanos, que são os maiores exportadores da América Latina. Juntos, eles detêm 9,5% do mercado mundial, que movimenta US$ 7,5 bilhões ao ano.

      O governo do Ceará está investindo cerca de R$ 213 mil em infra-estrutura e projeta ampliar a cifra para algo em torno de R$ 1,5 milhão para instalação de um centro de reserva tecnológica no município de São Benedito

 

 

 

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