Rio terá novo projeto de fruticultura irrigada
 
      Rio, 12 de Dezembro de 2002 - Um convênio entre o Banco do Brasil e a Bela Joana Sucos e Frutas, braço agroindustrial do Grupo MPE, deverá dar mais fôlego à conversão do Rio em pólo de fruticultura e, de quebra, poderá contribuir para transformá-lo em maior produtor e exportador mundial de maracujá.

      A parceria franqueia uma linha de crédito do BB, no valor de R$ 30 milhões, para atender cerca de 1,2 mil novos projetos de cultivo irrigado de frutas no noroeste e norte do Rio de Janeiro e em alguns municípios limítrofes no Espírito Santo e em Minas Gerais. A taxa de juro, prefixada, é de 8,7% ao ano, diz a superintendente comercial do BB, Valéria Maria de Paula Rezende.

      Agora, o Rio tem duas linhas de crédito distintas para a fruticultura. Como o Frutificar, o programa de incentivo à fruticultura do estado, o foco do financiamento do BB são projetos de pequenos e médios produtores de maracujá, abacaxi, manga e goiaba. Mas o grosso da demanda deverá concentrar-se, por ordem, em plantios de maracujá e abacaxi, devido à maior brevidade da colheita. Em razão disso, o estado poderá tornar-se o maior produtor de maracujá, segundo Renato Ribeiro Abreu, presidente da MPE Participações e Administração S.A., a partir da safra 2003/04.

      Os projetos via financiamento do BB poderão significar o plantio de mais de mil hectares irrigados, a produção de 40 mil toneladas de frutas e geração de 3,6 mil empregos diretos na fruticultura estadual, segundo dados da MPE.

      Até o próximo ano, a estimativa é de que a fruticultura fluminense aproxime-se de quatro mil hectares irrigados, computando-se aí os contratos celebrados por meio do Frutificar, o programa de financiamento executado pelo governo estadual.

Mais:

BB e Bela Joana fortalecem fruticultura fluminense
 
      12 de dezembro de 2002 - Convênio cria linha de crédito para atender a custeio e investimento em cultivo de frutas. Banco disponibiliza R$ 30 milhões para 1,2 mil projetos

      Vagner Ricardo do Rio

      Mais um passo importante no fortalecimento da fruticultura fluminense acaba de ser dado. Por meio de um convênio firmado ontem, entre o Banco do Brasil e a Bela Joana Sucos e Frutas, empresa do grupo MPE, os produtores de frutas passarão a dispor de uma nova linha de crédito para investimento e custeio da lavoura. O financiamento, no valor de R$ 30 milhões, atenderá a mais de 1,2 mil novos projetos de cultivo de frutas no noroeste e norte do estado do Rio de Janeiro e, adicionalmente, em alguns municípios limítrofes no Espírito Santo e em Minas Gerais, segundo informou a superintendente comercial do BB, Valéria Maria de Paula Rezende. A taxa de juro, prefixada, será de 8,7% ao ano.

      O foco do financiamento são projetos de fruticultura irrigada executados por pequenos e médios produtores de maracujá, abacaxi, manga e goiaba. Mas a expectativa é de que o grosso da demanda por crédito concentre-se, por ordem, em plantios de maracujá e de abacaxi, por conta da maior brevidade da colheita. A safra de maracujá, por exemplo, pode ser colhida no prazo de seis a oito meses após o plantio.

      O valor ofertado pelo BB é também considerado um dos maiores em agronegócios no estado do Rio e pode contribuir para torná-lo o maior produtor e exportador mundial de suco de maracujá, superando, com folgas, o Equador, segundo Renato Ribeiro Abreu, diretor-presidente da MPE Participações e Administração S.A. Tudo porque o rendimento do plantio irrigado pode variar de 30 a 40 toneladas anuais por hectare, ao passo que a cultura convencional, como a do Equador, tem um rendimento máximo de 13 toneladas por hectare. Os cerca de 1,2 mil projetos executados via financiamento do BB poderão significar o plantio de mais de mil hectares irrigados, a produção de 40 mil toneladas de frutas e geração de 3,6 mil empregos diretos na fruticultura estadual, segundo dados da MPE.

      Até o próximo ano, a estimativa é de que a fruticultura fluminense aproxime-se de quatro mil hectares irrigados, computando-se aí os contratos celebrados por meio do Frutificar, o programa de financiamento executado pelo governo estadual.

      O financiamento do BB permitirá à Bela Joana ter produção suficiente regional para atender à capacidade instalada de sua fábrica de Campos. Hoje, a unidade tem capacidade de processar até 10 toneladas de frutas por hora e, no momento, trabalha ininterruptamente, dado o período de safra do maracujá e do abacaxi. Mas ainda precisa adquirir frutas fora do estado.

      Este ano, a Bela Joana vai faturar R$ 10 milhões com vendas de sucos concentrados e compotas de frutas. Mas a receita deverá, no mínimo, dobrar em 2003, porque a indústria já acertou exportações no valor de US$ 3 milhões para o próximo trimestre. Os destinos das exportações são Holanda, Espanha, Argentina, Israel e Austrália, ´todos países que estão repetindo compras perante a Bela Joana´, lembrou Renato Abreu, convencidos de que haverá novas encomendas no decorrer do próximo ano.

      Similaridade

      A parceria firmada entre o banco e a Bela Joana inspira-se no modelo do programa de incentivo criado pelo governo estadual, o Frutificar, que tem como agente financeiro o BB. Para o banco, a nova linha de financiamento representa uma baixa exposição a risco de inadimplência, justamente por obrigar a agroindústria a adquirir toda a produção financiada com recursos do BB, explicou Valéria.

      No programa Frutificar, lançado em 2000 apenas para atender aos produtores rurais fluminenses, foram assinados 445 contratos de financiamento, repassando um total de R$ 25,255 milhões para viabilizar o plantio em cerca de 2.087 hectares, segundo o secretário de Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do Interior, José Marcos Castilho. No Frutificar, a Beja Joana é a empresa integradora do projeto, o que significa dizer que absorve toda a produção financiada pelo programa.

      Na gestão petista, o ritmo de concessão de créditos caiu substancialmente. Foram fechados 60 novos contratos englobando 90 hectares de área plantada. Segundo o secretário, a paralisação deveu-se ao esgotamento da linha de crédito original- a dotação do Frutificar foi de R$ 26 milhões no período de 2000/2002- ; inadimplência- cerca de 112 contratos descumpriram os prazos para quitar o financiamento, porque os plantios não atingiram o rendimento e produtividade previstos, levando o governo estadual a repactuar 86 e, na prática, a dispor de recursos ínfimos para dar continuidade ao programa. ´As sobras do programa não chegaram a R$ 1,8 milhão, obrigando que houvesse também redução do teto, que caiu dos R$ 150 mil originais´, queixou-se Castilho.

Mais:

Frutificar terá R$ 50 milhões em 2003
 
      12 de dezembro de 2002 - Mariana Procópio * do Rio

      O total de recursos a serem aplicados no programa Frutificar em 2003 terá um aumento de mais de 100%, assegura o futuro secretário estadual de Agricultura, Abastecimento , Pesca e Desenvolvimento Interno, Christino Áureo da Silva. Responsável pela implementação do programa, o secretário calcula poder dispor de até R$ 50 milhões no próximo ano.

      ´A partir de 2003, os R$ 26 milhões que financiaram o projeto, de 2000 a 2002, devem começar a retornar´, avalia. Segundo Silva, esta, provavelmente, será a última grande remessa de capital disponibilizada para o programa. ´Acredito que, depois de 2003, só precisaremos financiar crédito para custeio´, estima.

      Lançado em 2000, o projeto Frutificar é a aposta do governo estadual para reverter a participação de apenas 1,21% do Rio na agricultura nacional, o menor percentual entre os principais estados da federação. Divulgado na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) regional revela ainda que, em 2000, a atividade agropecuária fluminense respondeu por apenas 0,72% do total.

      Desta vez, o valor agregado pelo setor agrícola no estado supera apenas o montante gerado pela área de Serviços Domésticos, responsável por 0,5% do PIB regional. ´Há 20 anos, a participação da agricultura no PIB do Rio cai sistematicamente. Isto é extremamente prejudicial, porque faz com que a renda gerada no Rio seja aplicada em outros estados na compra de alimentos´, afirma o chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, Eduardo Nunes.

      O secretário reconhece que a participação fluminense não condiz com o título de segunda maior economia nacional e apela para a geografia estadual para explicar a pequena participação. ´Não adianta o Rio ter como objetivo a auto-suficiência na produção de soja ou de milho. Nós nunca seremos independentes nestes setores. Temos que trabalhar dentro da vocação do território. Este é o grande trunfo do Frutificar´, afirma Silva.

      Segundo ele, além do cultivo de frutas, a vocação agrícola do Rio inclui ainda a floricultura, a plantação de alimento orgânicos e de café nobre. ´Como ocupamos apenas 0,5% do território nacional, não podemos tentar disputar quantidade de hectares plantados com estados do porte de Mato Grosso ou até mesmo São Paulo. A alternativa é investir no diferencial´, afirma.

 

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