Associated Press/Nasa -
16.dez.2001![]() |
Imagem do pólo norte marciano feita pela Mars Global Surveyor |
Em estudo publicado na edição de hoje da revista "Nature" (www.nature.com),
o grupo liderado por Jacques Laskar, do Observatório de Paris, afirma
que as inclinações no eixo de Marte provocaram grandes aumentos de
temperatura no verão que derretiam periodicamente a capa de gelo no pólo
norte do planeta.
Para saber como o clima terrestre variou nos últimos 400 mil anos, os
cientistas têm analisado a composição química de várias camadas de
amostras de gelo da Antártida. Mas, até hoje, ninguém conseguiu gelo
de Marte. Laskar e seus colegas tiveram de fazer sua análise
literalmente no olho -a partir de imagens do pólo norte marciano feitas
pela sonda Mars Global Surveyor, da Nasa.
Analisando as fotos da sonda, eles perceberam que as várias camadas da
calota polar de Marte tinham padrões de brilho distintos. Algumas eram
mais escuras que outras, provavelmente devido ao acúmulo de poeira -o
planeta é um deserto frio- sobre o gelo.
Os pesquisadores, então, cruzaram os dados do satélite com as variações
periódicas da inclinação o eixo de Marte. Descobriram que, em algumas
épocas, a maior inclinação aumentou tanto a incidência da luz solar
sobre o pólo norte no verão que o gelo marciano acabou derretendo.
"No verão austral se levantava muita poeira, que se depositou na
calota polar norte. Daí algumas camadas de gelo serem escuras",
disse Laskar à Folha.
Para o americano Alan Howard, da Universidade da Virgínia, que comentou
o estudo na "Nature", os derretimentos periódicos eram
suficientes para cobrir o planeta com vários metros de água -condições
próprias para o desenvolvimento de vida.
"Mas o clima mudava rápido demais para que a vida evoluísse",
ressalva Howard.
Saiba Mais:
Russo propõe origem marciana para bactéria
A Deinococcus radiodurans, bactéria que resiste a doses de radiação
milhares de vezes superiores às que matariam uma pessoa, pode ter vindo
de Marte. É o que concluiu um estudo do cientista russo Anatoli Pavlov.
Para ele, a radiação que o micróbio aguenta jamais se acumulou na
história da vida na Terra, mas levaria só algumas centenas de milhares
de anos para bombardear Marte, o que levaria a bactéria a evoluir para
sobreviver à dose.
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