
Abelhas
aumentam produtividade dos cafezais
France Presse, em Paris
As abelhas podem aumentar o rendimento em 50% dos cultivos de café, segundo uma
pesquisa panamenha publicada hoje na revista científica britânica
"Nature".
O café se autopoliniza, pelo que durante um tempo se pensou que os insetos
tinham um papel desdenhável em sua polinização. Agora, David Roubik, do
Instituto Smithsoniano de Investigação Tropical do Panamá, demonstrou que as
abelhas podem aumentar significativamente a produtividade dos cafezais.
O cientista estudou os cafezais do Panamá, onde colônias de abelhas africanas
se instalaram em 1985, convertendo-se 25 anos mais tarde na principal espécie
polinizadora dos cultivos situados a cerca de 1.500 metros de altitude.
Roubik trabalhou em 2001 analisando 50 plantas de café de dois anos de idade e
comprovou que as flores receberam agentes polinizadores locais, mas também de
abelhas "imigradas".
Os grãos resultantes da polinização das flores deixadas ao ar livre eram mais
pesados que os grãos dos ramos que tinham sido protegidos por redes para
impedir qualquer intervenção de polinização externa.
Isso permite deduzir que a contribuição ao peso final do grão varia segundo a
natureza dos agentes polinizadores, estima David Roubik, assinalando que, de
qualquer modo, as abelhas são responsáveis por mais de 36% da produção,
segundo os resultados da investigações.
Investigações complementares deverão ser realizadas para estabelecer se esse
papel das abelhas se confirma em uma escala maior, disse a "Nature".
Segundo as estatísticas da FAO, no mundo foram plantados em 2001 cerca de 11
milhões de hectares de cafezais. As superfícies cultivadas na Costa do Marfim,
Gana, Quênia, Camarões e Indonésia duplicaram, e em alguns casos até
quintuplicaram, nos últimos 40 anos, mas o rendimento dos cultivos diminuiu
entre 20% e 50%