Impulso para a certificação de florestas
 
      18 de Junho de 2002 - O processo de certificação das florestas e da madeira mato-grossenses ganha um reforço este mês. Na próxima segunda-feira, 12 alunos iniciam o primeiro curso da Escola de Floresta do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), no município de Santa Carmem, distante 540 quilômetros ao Norte de Cuiabá. Uma unidade modelo de manejo, com 377 hectares, foi implantada em uma área cedida pela empresa Coimal Comércio e Indústria de Madeiras Ltda., onde, até junho de 2003, 220 funcionários e empresários do setor madeireiro serão qualificados.

      A iniciativa faz parte do projeto de Apoio ao Manejo Sustentável na Amazônia (PróManejo), integrante do Programa Piloto de Proteção de Florestas Tropicais Brasileiras (PPG-7), do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Dentro da mesma linha de atuação, existem mais 13 iniciativas em andamento nos estados localizados dentro da Amazônia brasileira. Cinco delas estão no Pará, três no Amazonas, uma em Rondônia, três no Acre e uma em Mato Grosso. Os recursos para desenvolvimento dos 14 projetos são compostos por doações do Instituto de Crédito Alemão para Cooperação Técnica (KfW) e por contrapartida entre as instituições parceiras.

      O primeiro projeto implantado em Mato Grosso é desenvolvido pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e batizado de Manejo Sustentado para Usos Múltiplos da Floresta Tropical: Modelo Demonstrativo Comercial de Manejo Florestal. A iniciativa conta com a parceria da empresa Tecanorte Empreendimentos Florestais Ltda. e recursos totais da ordem de US$ 973,452 mil. A implantação, iniciada em junho de 2000, está sendo feita em uma área de 3 mil hectares no município de Marcelândia, a 526 quilômetros de Cuiabá e prevê a qualificação de 288 pessoas até junho de 2003. `Também terá como objetivo capacitação e difusão de técnicas de manejo, mas com foco na comunidade acadêmica`, explica a assessora técnica do ProManejo, Rossynara Aguiar.

      Área de manejo

      A escola do Senai em Mato Grosso tem recursos de US$ 477 mil, dos quais US$ 274 mil de doação do KfW e o restante, de contrapartida entre o Senai e a madeireira Coimal, que cedeu os 8,5 mil hectares de sua área de manejo para desenvolvimento de projetos dessa natureza. Além da implantação da escola, o investimento vão subsidiar o acesso dos 220 alunos às aulas. Por enquanto, o custo de cada curso será de R$ 50 por pessoa, mas a equipe do Senai já prevê a busca de outros recursos para ajudar a custear mais alunos. Serão oferecidos nove cursos, com carga horária que varia de 27 horas a 36 horas/aula.

      `Tudo vai depender da demanda que teremos nessa primeira etapa`, diz o gerente do Senai de Sinop e coordenador do projeto, Teodoro Guilherme Schwarz. O público alvo são empresas que iniciaram o processo de manejo sustentável. `Atualmente, cerca de 90% das madeireiras no estado possuem projeto`, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Estado de Mato Grosso (Sindusmad), Sidnei Ari Belincanta. Segundo ele, a certificação ainda é dificultada por conta da inadequação das normas à realidade das áreas de floresta mato-grossenses. `Estamos em acordo com o MMA para ajustar essas normas e queremos certificar 250 empresas exportadoras da região em três anos`, diz o presidente do Sindusmad.

      fbatista@gazetamercantil.com.br

 

 

 

 

 

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