O mea-culpa ambiental da Natura ...
 
     13/12/2002

 Um dos carros-chefes da Natura é a linha Ekos (produtos biodegradáveis que, segundo a empresa, decompõem-se em até 28 dias), elaborada a partir de ativos da flora brasileira, como o guaraná, a castanha do Pará, a andiroba, o cacau, entre outros. Para o lançamento destes produtos, Rodolfo Gutilla, diretor de assuntos corporativos, conta que foi montado o Programa de Certificação de Ativos, para as comunidades, as áreas e reservas de onde saem as matéria primas. O primeiro passo foi uma auditoria do local de origem dos ativos. "Precisamos saber se todos estão em conformidade com os padrões que adotamos", referindo-se a normas internacionais do Forest Stewartship Council (FSC) e o Conservation Agriculture Network (CAN), instituições que monitoram a certificação de produtos florestais e de áreas de cultivo, respectivamente. Em breve, segundo ele, a Natura terá toda a linha certificada. "Mas um certificado demora, em média, três anos para ser obtido".

      Consumidor e a ética

      A preocupação da Natura tem fundamento. Uma pesquisa do Insituto Ethos de Responsabilidade Social mostra que 81% dos consumidores buscam produtos de empresas que não prejudicam o meio-ambiente. "Este é um valor percebido pelo consumidor",conta Gutilla, usuário do sabonete de linhaça, produzido pela empresa.

      Crescimento acima do setorOs números mostram que o conceito tem dado certo para a Natura. Enquanto o mercado de cosméticos cresceu em torno de 11% em 2001, (de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) os negócios da Natura expandiram 15%. O faturamento da empresa passou de R$ 1,4 bilhão para R$ 1,6 bilhão no mesmo período com a venda de 83 milhões de produtos (shampoo, sabonetes, cremes, perfumes e maquiagem) por 300 mil consultoras no Brasil, Argentina, Chile e Peru.

      A abertura de capital da Natura foi um dos comprometimentos da empresa ao realizar um empréstimo junto ao BNDES. Mas segundo Gutilla, a empresa pode não cumprir o contrato, arcando com as penalidades previstas. .

      Relação com fornecedores

      Assim como a Natura, outras empresas brasileiras estão buscando uma relação mais responsável com seus fornecedores. É o caso do grupo Pão de Açúcar que tem hoje um ombudsman ( na verdade, uma mulher) para ouvir as reclamações e sugestões dos fornecedores.

      O grupo Pão de Açúcar (com 444 lojas e faturamento de R$ 9,9 bilhões em 2001), havia criado o primeiro sistema de ombudsman para os consumidores e uma linha aberta entre os funcionários e o presidente do grupo, Abílio Diniz. "A principal reclamação que recebemos é a demora para o atendimento. Os fornecedores reclamam que perdem tempo, esperam muito desde o primeiro contato, aguardando um retorno para fechar negócio, reclamam até das filas no depósito para fazer a entrega", conta a Ombudsman dos parceiros e fornecedores, Sueli Remberg.

      A idéia de criar um canal onde o fornecedor pudesse falar com alguém independente melhorou os negócios do supermercado: "Uma das iniciativas foi criar um agendamento para os fornecedores, agilizando o processo", conta Sueli.

      O grupo (composto pelo Extra, Barateiro, Eletro e Pão de Açucar) também desenvolveu critérios de seleção dos fornecedores para não vincular o nome do supermercado a empresas que não tenham atuação reponsável. "Existe a intenção de formalizarmos estes critérios, mas hoje escolhemos nossos fornecedores entre empresas que operam com determinados conceitos, como não usar mão de obra infantil ou ter uma boa gestão ambiental".

      O Pão de Açucar também criou um selo de garantia de qualidade que é impresso na embalagem. "Existe uma auditoria de qualidade do grupo que vai conhecer o processo de produção dos fornecedores", diz. Mesmo depois de fechado o negócio, eles podem ser cancelados caso o fornecedor não cumpra as regras. "O consumidor nos vê como uma empresa responsável" observa a ombudsman Sueli Remberg.

      (Gazeta Mercantil/Página C5)(Carla Éboli)

 

 

 

 

 

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