*Manoel Soriano Neto
13/12/2002
CARACTERIZACÃO DA ÁREA
A Amazônia é uma porção do globo terrestre que dispõe de
1/5 das reservas mundiais de água doce (dentre os 30 maiores rios
da terra, 15 localizam-se na região) e ocupa 1/20 da superfície
de nosso planeta, 1/10 da América do Sul e 3/5 do Brasil, país
que possui 60% de toda a sua extensão. A Amazônia Legal
Brasileira abrange uma área de 5.029.322 Km².
A Amazônia Legal compreende, como se pode ver na gravura abaixo,
os estados de Rondônia, Acre, Amapá, Amazonas, Roraima, Pará,
Tocantins e grande parte do Maranhão e Mato Grosso.
Esta imensa área, de grande importância geopolítica, engloba a
maior parte da bacia amazônica e faz fronteira com sete países
sul-americanos, abrigando 342 municípios brasileiros, alguns
deles muito maiores do que vários estados do Brasil e nações da
Europa. Porém, a sua população é escassa e mal distribuída,
contando, aproximadamente, com 14 milhões de habitantes (censo de
2000), o que representa pouco mais de 2(dois) habitantes por quilômetro
quadrado.
A Amazônia Legal agrega a maior floresta tropical úmida do
mundo. Em sua biodiversidade, além de um incomensurável
potencial potamográfico, lá se localizam o maior banco genético
e a mais vasta província mineralógica planetária, na qual
ocorrem, entre outras, abundantes jazidas de ouro, cassiterita e
de minérios estratégicos de terceira geração, como o urânio,
o titânio, o nióbio, etc.
Ao contrário do que se pensa, não somente de selvas e rios se
constitui o solo amazônico; a região integra florestas (1/3 das
reservas mundiais de florestas latifoliadas) cortadas por inúmeros
cursos de água (2/3 das reservas hidrelétricas do Brasil),
cerrados e campos, sendo o seu clima, quente e úmido.
Eis, em grande síntese, a Amazônia Legal Brasileira, riquíssima
em água doce, minérios e diversidade biológica, abrigando 30%
de todas as espécies vivas.
Não apenas por tudo isso, urge que esse espaço brasileiro,
arduamente conquistado no passado heróico, seja efetiva e
racionalmente povoado, guardado e defendido, principalmente nos
dias atuais, quando é indisfarçável a cobiça internacional
sobre ele.

UM
POUCO DE HISTÓRIA
A Amazônia, de há muito, sempre foi cobiçada por alienígenas.
A partir dos fins do século XVI, franceses, holandeses e ingleses
incursionaram pelo baixo Amazonas, com intuitos de exploração,
de comércio e de fixação na área. Eles construíram fortificações,
criaram entrepostos comerciais, com o auxílio de indígenas, e
trouxeram contingentes militares para caracterizar a posse das
terras ocupadas.
O povoamento da imensa área por luso-brasileiros seria a única e
indispensável resposta à ambição daqueles estrangeiros.
Em 12 Jan 1616, teve início a construção, por Francisco
Caldeira Castello Branco, de um forte, que se denominaria
"Forte do Presépio", o qual deu origem à atual cidade
de Belém, marcando, assim, há 384 anos, a presença militar da
Força Terrestre na imensidão amazônica.
Cerca de duas décadas após à construção do Forte do Presépio,
o notável explorador Pedro Teixeira comandou uma expedição que
atingiu Quito no Equador.

Ao
longo dos séculos XVII, XVIII e XIX, os luso-brasileiros
ergueram, em pontos estratégicos da Amazônia, obras de
arquitetura militar como fortalezas, fortes, fortins, redutos,
vigias, baterias e casas-fortes, num total de 35 dessas fortificações,
de que é modelo o monumental Forte Príncipe da Beira.
A construção deste Forte, em região inóspita e despovoada,
requereu ingentes esforços durante sete anos. O seu construtor
foi o Capitão-General D. Luís de Albuquerque Mello Pereira e Cáceres,
que registrou em ata, em 1776, o seguinte: "A soberania e o
respeito de Portugal impõem que neste lugar se erga um forte, e
isso é obra e serviço dos homens de El-Rei, nosso Senhor e, como
tal, por mais duro, por mais difícil e por mais trabalho que isso
dê... é serviço de Portugal. E tem de se cumprir".
Missionários católicos e sertanistas também se fixaram na região,
além dos militares, que eram, como ainda são, em inúmeros municípios,
a única marca visível da presença governamental na vasta extensão
das terras amazônicas.
Quando do Segundo Império, inicia-se a colonização militar, com
vistas à vivificação da indefesa e extensa fronteira terrestre.
Foram criadas as Colônias Militares, sendo estabelecida, a
primeira delas, em 1840, no atual estado do Amapá. Em 1964 e
1967, foram criadas as importantes colônias militares de
Tabatinga e Oiapoque, respectivamente, hoje transformadas em quartéis
do Exército.
Nos dias atuais, deparamo-nos com o grave problema da integração
da Amazônia ao todo brasileiro. O esforço para essa integração
intensificou-se nas décadas de 60 e 70, do século passado, com a
construção de estradas e exploração de hidrovias, entre
aquelas, a Belém-Brasília (BR 153); a Cuiabá-Porto Velho - Rio
Branco-Cruzeiro do Sul (BR 364); a Porto Velho-Manaus (BR 319); a
Cuiabá-Santarém (BR 163) e a Transamazônica (BR 230).


Na
atualidade, pretende-se reavivar o "Projeto Calha Norte"
que, fundamentalmente, visa a aumentar e fortalecer a presença do
Estado na tão desassistida área da calha norte dos rios Amazonas
e Solimões, como fator dissuasório e demográfico e para também
robustecer as relações bilaterais com países limítrofes,
recuperar marcos fronteiriços e incrementar a atuação da FUNAI.
Desafortunadamente, há quem tente distorcer a benemérita ação
desse projeto, que envolve, sinergicamente, todos os Ministérios,
na alegação de que ele tão somente seria uma "militarização"
da área, prejudicial à preservação de reservas indígenas lá
existentes. Além desse projeto, merece menção especial o
"Projeto SIVAM", que é o sistema de vigilância aérea
da Amazônia, com vistas, em particular, à proteção do tráfego
aéreo. Consigne-se, por relevante, que o Exército Brasileiro,
bem cumprindo sua parte quanto à integração, linhas atrás
aludida, transferiu, em tempos recentes, duas Brigadas de
Infantaria para a Amazônia, oriundas de Petrópolis-RJ e Santo Ângelo-RS.

ALGUNS
MITOS
Um dos mitos mais propalados é o de que "a Amazônia é o
pulmão do mundo", "responsável por 30% do oxigênio do
planeta" (quando é por demais consabido que a vegetação
produz apenas 10% do oxigênio por nós respirado). Tal falácia
está hoje desmistificada. A floresta amazônica não é nova e
somente as árvores novas, em fase de crescimento, absorvem gás
carbônico, influindo no clima mundial, determinado, isto sim,
pelos mares e oceanos (as algas marinhas verdes produzem 90% do
oxigênio da terra).
O outro mito é o de que o Brasil está destruindo as suas
florestas, por meio de queimadas. De fato, a preservação de
nossas florestas tropicais é importante e cabe ao país coibir as
queimadas indiscriminadas e a ação predatória de madeireiras
(controladas do exterior, em sua grande maioria), mas um fato está
sendo esquecido pelos ecologistas interessados na Amazônia: a
queima de combustíveis fósseis é que é a principal causa da
poluição ambiental e os países mais desenvolvidos é que são
os maiores poluidores. Assinale-se que a "Hiléia Amazônica"
é o ecossistema mais bem preservado do globo terrestre, pois
conserva, no mínimo, 90% de suas florestas primitivas intactas.
Outra questão importante é a da tese-mito da "Amazônia -
patrimônio da humanidade". Ela visa a conservá-la intocada,
como se o Brasil não tivesse capacidade e competência, e não
pudesse, como país soberano, utilizar os seus imensos recursos
naturais, o que só interessaria aos países desenvolvidos, com
vistas ao futuro usufruto desses recursos em benefício de suas
populações.
A "questão indígena", cujas "nações" devem
se opor, por lhes serem altamente prejudiciais, à implementação
de projetos de aproveitamento racional e controlado da região, é
outro mito que tentam nos impor. A criação de
"Estados", como já se fala quanto aos ianomamis, com
estruturas administrativas próprias, seria o epílogo para a
futura dominação de tribos e áreas indígenas.
Ao arrepio do artigo 4º de nossa Constituição, já se propagam
com referência à Amazônia, sob vários pretextos, nefastas idéias
de "soberania limitada, restrita, compartilhada",
"poder de ingerência" e "direito humanitário".
A COBIÇA INTERNACIONAL
Desde o descobrimento do Brasil, a Amazônia é alvo preferencial
da cobiça estrangeira. Muito já se escreveu sobre o assunto.
Assim, só nos resta reavivar alguns episódios que julgamos de
maior relevância, na caracterização do sempre existente desejo
forâneo em internacionalizar a região ou dela tirar o máximo de
vantagens.
A partir da metade do século XVI, ingleses, franceses e
holandeses passaram a cobiçar a Amazônia. Sir Walter Raleigh foi
um ambicioso aventureiro inglês que primeiro penetrou na região,
embalado pelo sonho do "Eldorado".
Em 1745, foi publicado um mapa, de autoria de um cientista francês,
que dava aos franceses de Caiena, uma extensa área do território
nacional amazônico.
Após a proclamação da independência do Brasil, sofremos fortes
pressões internacionais. Em 1835, por ocasião da Cabanagem, a
França ocupou o Amapá; em 1836, foi a vez dos ingleses, que se
propuseram a explorar a "Guiana Brasileira", questão
que ficou conhecida como a "do Pirara", só solucionada
por arbitragem, desfavoravelmente, para nós, em 1904.
Em 1845, foi patenteado o método de vulcanização da borracha,
iniciando-se o importante "ciclo da borracha", o que fez
recrudescer a cobiça norte-americana e européia, pois éramos o
único país produtor daquele precioso bem. Por isso, os EUA
pretendiam incrementar o livre comércio, a colonização e a
imigração para a Amazônia.
A campanha em prol da abertura à navegação do rio Amazonas foi
desencadeada, em 1850, pelo Chefe do Observatório Naval de
Washington, Matthew Fontaine Maury, que através de artigos
publicados em jornais e revistas, proclamava a Amazônia como o
"paraíso das matérias-primas". As esquipáticas idéias
de "destino manifesto" esposadas por Maury e traduzidas
em uma constante pregação pela imperiosa necessidade de ocupação
norte-americana da Amazônia, a qual, em seu entender,
"juntamente com o Golfo do México, constituíam um único
complexo geográfico", sendo o rio Amazonas nada mais do que
o prolongamento do Mississipi, inspiraram a política
expansionista do "big stick", do Presidente Theodore
Roosevelt. Ainda em 1850, foi autorizada pelo governo
norte-americano, uma expedição à Amazônia, comandada pelo
cunhado de Maury, que desejava criar uma "República Amazônica".
Em 1861, Napoleão III, da França, propôs aos EEUU, a venda da
Guiana Francesa (incluindo o Amapá) por 8 milhões de dólares,
transação recusada por aquele país, em face da Guerra da Secessão,
que preferiu a negociação do Alasca, comprado da União Soviética,
em 1867.
A questão litigiosa havida no ano de 1900, entre Brasil e França,
precedida de choques armados e dirimida a nosso favor, por laudo
arbitral do governo suíço, após brilhante atuação do Barão
do Rio Branco, bem evidenciou a intenção francesa de atingir o
vale do rio Amazonas
Em 1862, o General James Watson Weber encaminhou solicitação ao
Imperador D. Pedro II, em nome do governo dos EEUU, propondo a
organização de uma Companhia para vinda e fixação de negros
sulistas na Amazônia.
Em 1866, intensifica-se a pressão norte-americana para a total
abertura do rio Amazonas à navegação estrangeira.
Aproveitando-se das dificuldades do Brasil com a Guerra do
Paraguai (os EEUU apoiaram, veladamente, este país), os
norte-americanos voltaram a insistir com as propostas de
assentamento de populações negras no vale amazônico.
Em 1876, grande carga de sementes de seringueira foi-nos roubada
pelo inglês Henry Wickmann, e embarcada, clandestinamente, para a
Inglaterra.
Em 1902, o Presidente Theodore Roosevelt, desejoso de participar
da vertiginosa industrialização da borracha, incentiva o
desenvolvimento de um consórcio internacional, o "Bolivian
Syndicate of New York", para a ocupação do Acre, região em
litígio entre Brasil e Bolívia, contrariando interesses dos dois
países. A criação, em 1927, da "Fordlândia", às
margens do rio Tapajós e posteriormente em Belterra (próximo a
Santarém – PA), bem revela o interesse norte-americano pela
borracha do Brasil, tão importante para o esforço de guerra dos
aliados, por ocasião da II Guerra Mundial, tornando-se memorável
o trabalho dos "Soldados da Borracha".
Em 1940, Nelson Rockfeller criou um órgão de cunho filantrópico,
a "American International Association for Economy and Social
Development (AIA)" que enviou diversas e suspeitas "missões
religiosas" para a Amazônia.
Em 1948, a UNESCO propôs a criação do Instituto Internacional
da Hiléia Amazônica, com o viso de orientar, apoiar e difundir
pesquisas científicas na região, sendo previstas grandes
desapropriações de terras, com a conseqüente perda da jurisdição
brasileira sobre elas. O Congresso Nacional rejeitou, por louvável
e eficaz atuação do patriota Deputado e ex-Presidente Arthur
Bernardes, o Tratado já firmado pelo Brasil, pois o mesmo se
constituía em mais uma tentativa de ingerência estrangeira na
Amazônia, para a internacionalização ou "planetarização"
da área.
Em 1967, é apresentado o "Plano Mar Mediterrâneo Amazônico",
elaborado pelo Hudson Institute, também chamado "dos Grandes
Lagos", para "viabilizar a navegação do Brasil com os
seus vizinhos amazônicos". Imensas extensões da Amazônia
brasileira e colombiana seriam cobertas pelas águas de sete lagos
(quatro no Brasil e três na Colômbia), como imaginaram os
autores do mirabolante Plano, srs. Hermann Khan e Robert Panero. O
objetivo proposto era o de ligar os lagos por meio de uma hidrovia
interior com saída para o Pacífico, à semelhança do Canal do
Panamá. Caso isso ocorresse, findar-se-ia a exploração de várias
de nossas jazidas, provocando a queda do preço dos minérios,
almejada por poderosos trustes internacionais. Como não poderia
deixar de ser, a reação nacional fez abortar esse deletério
projeto.
Em 1975, foi proposta pelo então Secretário de Estado
norte-americano, Henry Kissinger, a criação de um "Banco
Mundial de Matérias-Primas" para o controle global das
mesmas. Tal proposição, por assaz lesiva, foi rechaçada por vários
países, inclusive o Brasil.
Em 1981, o "Conselho Mundial de Igrejas Cristãs",
sediado na Europa, advogava a transformação de tribos em
"nações indígenas" e questionava a soberania do
Brasil sobre a Amazônia, tida como "patrimônio da
humanidade". Tal Conselho ainda se faz atuante na área, por
intermédio de integrantes de missões religiosas, fiéis
seguidores das idéias internacionalistas por ele apregoadas.
Em 1989, uma comissão de parlamentares dos Estados Unidos veio ao
Brasil para sugerir a troca de parte de nossa dívida externa por
projetos ecológicos ao encargo de ONGs daquele país e da Europa.
À época, o tema "ecologia" se alastrou pelo mundo,
sendo defendido por gradas autoridades dos países mais
desenvolvidos, mesmo que em detrimento da soberania de nações
periféricas, detentoras de florestas tropicais, como o Brasil,
considerado sem competência para administrar e garantir a
soberania nacional na Amazônia.
Em 1991, o governo Collor, sob fortíssimas pressões
internacionais, criou a Reserva Indígena Ianomami. A Reserva
envolve enorme faixa fronteiriça com a Venezuela, havendo sérias
preocupações pela formação de outra semelhante no lado
venezuelano, sendo certa a existência de tribos também da etnia
ianomami, do outro lado da fronteira, as quais, se interligadas,
constituiriam um único e poderoso grupo étnico, com força para
postular a sua autonomia. Esta é desejada por alienígenas, mercê,
basicamente, das ricas províncias mineralógicas que o subsolo da
Reserva contém...
Em 1993, a "The Nature Conservancy", uma ONG
norte-americana, desenvolveu uma ampla campanha, de âmbito
internacional, com o objetivo de angariar fundos para a compra de
terras na Amazônia e Pantanal brasileiros.
Em 1996, o governo brasileiro homologou contrato com a empresa
americana Raytheon Corporation para a implementação do SIVAM
(Sistema de Vigilância Aérea da Amazônia), após acirrada
disputa com outra firma, de origem francesa. É preciso, neste
caso já concretizado, muita atenção para que tal benemérito
projeto seja, de fato, controlado pelo Brasil e não se torne para
estrangeiros, um meio de devassa de nosso potencial mineralógico,
por exemplo. Relembre-se que o SIVAM é um megaprojeto, com a
finalidade de permanente controle do tráfego aéreo amazônico,
de vigilância das extensas fronteiras, de combate ao narcotráfico
e ao contrabando, de mapeamento de recursos naturais (com vistas a
um desenvolvimento racional e sustentável) e de proteção
ambiental.
Ainda em 1996, o governo sancionou lei que reformou o Código de
Propriedade Industrial e o Registro de Patentes. Entendidos do
assunto alertaram e continuam alertando para a ambição
internacional, pois corremos o risco de nos tornar dependentes de
empresas transacionais que já vêm explorando a biodiversidade
amazônica, pela biopirataria, com grande prejuízo e
desnacionalização de nossas indústrias farmacêutica e agroquímica.
Aduza-se que da rica Amazônia provêm 25% de todas as essências
farmacêuticas a serem industrializadas no mundo inteiro...
No presente ano (2001) muito se tem comentado a respeito do acordo
firmado em abril de 2000, entre o Ministro da Ciência e
Tecnologia e o Embaixador dos EUA (ainda a ser submetido ao
Congresso Nacional), para a utilização pelos norte-americanos do
Centro de Lançamentos de Foguetes de Alcântara - MA. O Brasil
"concederia" aos EEUU, a soberania sobre 620 Km² de
território nacional, onde se localiza a base, que seria
"alugada" àquele país, por trinta milhões de dólares
anuais. O Brasil, entre outras restrições, não poderia utilizar
recursos para atividades de lançamento, desenvolvimento, produção,
testes, liberação ou uso de foguetes ou de sistemas de veículos
aéreos não tripulados, quer em seu próprio território, quer em
outros países... Caso confirmadas tais cláusulas, deve o
Congresso rejeitar o acordo, por ser um verdadeiro escárnio à
soberania nacional brasileira (ver matéria-denúncia, publicada a
respeito do assunto, em "O Estado do Paraná", de
4/02/01).
Por derradeiro, nessa incompleta resenha acerca da velha ambição
internacional pela Amazônia Brasileira, urge lembrar que nos dias
atuais, bases dos EUA cercam a Amazônia e o Pantanal.
De fato, ao longo do "arco amazônico", situadas em países
vizinhos e ilhas próximas, como de há tempos nos vem dando conta
a Imprensa, existem 20(vinte) guarnições norte-americanas,
verdadeiro "cordão sanitário", como consta em alentada
reportagem do jornal "Zero Hora", de Porto Alegre-RS, de
25/03/01.
Tais guarnições ("forward bases"), num total de quinze
mil homens, são divididas em bases aéreas e de radar e distribuídas
do Equador ao Paraguai, como se pode verificar na estampa da
mencionada edição de "Zero Hora", a seguir:

CONCLUSÃO
Eis, de forma imperfeita e inacabada, algumas inquietantes
reflexões que dizem respeito ao grande desafio desta e das próximas
gerações de patrícios, que é a Amazônia Legal Brasileira.
Convém refrisar-se que, desde sempre, pairou sobre esse rico
e imenso território brasileiro, a cobiça de estrangeiros, hoje
potencializada pela globalização e fim da biopolaridade e, máxime,
pela excepcional posição geográfica e conhecimento científico
de que se dispõe sobre o seu incomensurável potencial hídrico,
mineralógico e diversidade biológica. Importantes grupos
empresariais norte-americanos, europeus e japoneses, compraram,
desde a década de 60 e principalmente na década de 90 (século
XX), gigantescos pedaços de terra na Amazônia.
Nos dias atuais, a preocupação com a defesa e permanente
vigilância de nossa Amazônia, em particular da vulnerável Amazônia
Ocidental, é prioridade do Governo, sendo, incontestavelmente, a
presença das Forças Armadas, o fator preponderante da manutenção
da soberania nacional na região.
Hodiernamente, são invocadas preocupantes declarações de notáveis
personalidades como François Mitterrand, Margaret Thatcher, o
atual Presidente Bush e o seu Vice, Richard (Dick) Cheeney,
Gorbatchev, Al Gore, etc, etc, a favor da limitação das
soberanias de países em desenvolvimento, sendo citada, indireta
ou explicitamente, a Amazônia, que deve ser mantida intocável,
como reserva futura de recursos naturais, a água e a diversidade
biológica, os principais deles.
Sob os mais variados argumentos, tais como os do combate ao
narcotráfico, a proteção de minorias marginalizadas (como as
"nações indígenas" que poderiam criar movimentos
separatistas, enclaves e zonas de guerrilha), a preservação do
meio ambiente (questões ecológicas), os atuais "donos do
mundo" poderão intervir militarmente na região amazônica;
não é à toa que aí estão as assustadoras bases aéreas e de
radar, anteriormente apresentadas...
O cerco ameaçador à Amazônia, e também ao Pantanal, se
intensifica, para que essas áreas, de superlativa importância,
sejam preservadas em benefício dos países hegemônicos
("Grupo dos Sete", com os EUA à frente) e consideradas
"patrimônio da humanidade", um dos mitos que, de
escantilhão, antes abordamos.
Ao finalizar essas breves considerações ao que parece ser o
nosso problema de prioridade de número primo - a defesa e guarda
da Amazônia - façamos uma remissão histórica, lembrando de
nossos avoengos portugueses e dos valorosos brasileiros que os
sucederam, os quais souberam, galhardamente, alargando a linha de
Tordesilhas, conquistar e nos legar, de direito e de fato, a região
amazônica. "A seus descendentes, os lusitanos legaram a alma
pioneira, sedenta dos grandes espaços, o espírito cristão
aberto à integração das raças e a fibra de arrostar o ignoto e
domá-lo à sua feição". (General Lyra Tavares).
Com grande ufania, gostaríamos de citá-los, pois a História
consagrou os seus augustos nomes e gloriosas sagas e, por certo, lá
por onde andaram e pelejaram, saberão contar os seus veneráveis
feitos, cuja fama se perde distante. Foram eles:
Raposo Tavares, Pedro Teixeira, Mendonça Furtado, Lobo D´Almada,
Francisco Caldeira Castello Branco, Mello e Cáceres, Jácome de
Noronha, Bento Maciel Parente, Thaumaturgo de Azevedo, o Barão do
Rio Branco, Plácido de Castro, Rondon, Rodrigo Octávio, Jorge
Teixeira e Aloysio Weber. Entre outros, tais homens, pelo
acrisolado sentimento de brasilidade que nos transmitiram,
constituem-se em paradigmas para todos os brasileiros, que,
diuturnamente, como os militares de nossas Forças Armadas, devem
velar pela soberania nacional, "nos brasis ainda sem
Brasil", dos longes da Amazônia.
A eles, assim se referiu, em 1983, o então Presidente João
Baptista de Figueiredo, quando visitou o Forte Príncipe da Beira:
"Posso traduzir aqui a homenagem da Nação Brasileira à
fibra, à coragem e à determinação daqueles homens heróicos.
Que Deus nos dê a mesma fibra dos que para aqui vieram, a mesma
coragem e a mesma determinação.
Sua história nos renova uma lição. Os homens que constituíram
essas fortificações tinham têmpera e disposição para arrostar
sacrifícios, objetivando assegurar seus ideais. Não recuavam
diante de obstáculos.
Esses homens são nossos antepassados. Deles provém o sangue que
corre em nossas veias. Suas vivências, suas crenças, suas convicções
constituem o legado atávico de nossa formação nacional".
Desejaríamos concluir, acrescentando, por ilustrativo, que os
integrantes amazônidas do invicto e glorioso Exército
Brasileiro, na permanente lembrança do sagrado chão em que
vivem, criaram um significativo brado: "Selva!",
constantemente repetido em suas Organizações Militares lá
sediadas.
Como ocorrido em Guararapes, com fé em Deus e na Pátria amada,
saberemos nos opor à cobiça internacional, pois como disse o
General Rodrigo Octávio Jordão Ramos: "Árdua é a missão
de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém,
foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la".

Eis
o ardente desejo da tradicional Liga da Defesa Nacional, única
entidade brasileira volvida, exclusivamente, para a prática e
difusão do civismo, que comunga do sábio conceito de Alexis de
Tocqueville, embutido na seguinte frase lapidar que ele nos
transmitiu:
"Os povos sempre guardam as marcas de sua origem. As circunstâncias
que acompanharam seu nascimento e serviram a seu desenvolvimento
influem sobre o resto de sua existência".

O Cel Inf MANOEL SORIANO NETO é da turma de 1963 da AMAN e
possui os cursos de Manutenção Auto da EsMB, da EsAO e da ECEME.
É bacharel em Direito, possui os cursos de Extensão em Política
pela UNB e completo em Inglês, pelo Instituto FISK e francês,
pela Associação Cultural Franco-Brasileira; sócio efetivo dos
Institutos de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB),
Histórico e Geográfico do Distrito Federal (IHGDF), Histórico e
Geográfico do RN (IHGRN) e de História e Tradições do RS
(IHTRS); sócio efetivo da Academia de História Militar Terrestre
do Brasil (AHMTB); sócio correspondente dos Institutos Histórico
e Geográfico de Santa Catarina e Histórico, Geográfico e
Antropológico do Ceará (Instituto do Ceará); Conselheiro da
Fundação Cultural Exército Brasileiro; Conselheiro Permanente
da Liga da Defesa Nacional; membro efetivo do Conselho de História
do Exército Brasileiro; membro efetivo da "International
Military Music Society" (IMMS); membro efetivo, representante
do Exército, da ex-Comissão Nacional do V Centenário do
Descobrimento do Brasil (1995-2000); "Cidadão
Natalense", título outorgado pela Câmara Municipal de
Natal, em 1990. Exerceu as funções de Instrutor da ESA
(1967-70), do CPOR/SP (1972-73) e de História Militar na AMAN
(1983-86). Comandou o 16º Batalhão de Infantaria Motorizado –
Batalhão Itapiru – em Natal/RN (1989-90) e atualmente é o
Chefe do C Doc Ex. Possui as seguintes medalhas: Ordem do Mérito
Militar (Oficial), Militar de Ouro, com passador de Platina, do
Pacificador, Mérito Santos Dumont, Ordem Ministério Público
Militar (grau Distinção), Ordem do Mérito Cívico, da Liga da
Defesa Nacional e Mérito Soldado Luiz Gonzaga (Estado do RGN).
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