A Amazônia que desconhecemos. A última vez que talvez possamos desvenda-la
03/10 Federal conclui esta semana inquérito sobre garimpo na Reserva Ianomami (BN)
05/10 Índios derrubam mais uma torre de Guri (FBV)
07/10 Líder Macuxi vai conversar com os Pemón sobre linhão de Guri  (BN)
07/10 Volta a circular e-mail com mentiras sobre a Amazônia (OESP)
09/10 Lideranças indígenas trocam experiência em Santa Elena (FBV)
09/10 Venezuela:Gilberto Macuxi discute desenvolvimento com Pemón (BN) 
10/10 QUESTÃO INDÍGENA: Líder diz que há espaço para todos (BN)
12/10 Dom Aldo defende integração dos índios de forma gradativa (FBV)
15/10 COBAIAS HUMANAS: Mozarildo denuncia uso de índios em testes de vacinas (BN)
17/10 Índios da Gran Sabana realizam assembléia sobre Linha de Guri (BN)
20/10 Funai vai iniciar retirada de garimpeiros (BN)
21/10 Retirada de garimpeiros começa na segunda (BN)
23/10 Casos de gonorréia entre Yanomami (FBV)
24/10 Retirada de garimpeiros da reserva yanomami começa sem ajuda da PF (FBV)
24/10 Cimi exige relatório (JB)
25/10 Reserva Indígena: Neudo diz que interdição da 174 é um insulto à soberania (BN)
27/10 Tuxauas dificultam contagem populacional ao norte do Estado (FBV)
31/10 Agentes indígenas aprendem a evitar doenças sexualmente transmissíveis (FBV)

 

 

 

 

 

 

 

Federal conclui esta semana inquérito sobre garimpo na Reserva Ianomami

Até o final desta semana o delegado Flávio Leite Ribeiro, conclui o inquérito aberto na Polícia Federal (PF), para investigar denúncias da existência de garimpeiros na reserva indígena Ianomami.
Quantas e de que entidades são as pessoas ouvidas, o delegado não quis adiantar, mas garantiu que esta semana deve terminar o relatório sobre o caso e vai entregar ao superintendente interino da PF, Dolival Quiles.
- Se houver garimpeiros na reserva, é a Superintendência que vai definir se há ou não necessidade de realizar uma operação de maior porte para a retirada – acrescenta.

Entre as pessoas que Flávio Leite já ouviu, está um dos coordenadores da Urihi, Claúdio Esteves de Oliveira. Em depoimento que durou uma hora e meia, Esteves garantiu que há inclusive pistas clandestinas Parafuri e Surucucus, confirmando para a Federal a presença de garimpeiros na reserva.
Se depender do vice-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) Dinarte Madeiro, a "Operação Ianomami" precisa imediatamente ser retomada em Roraima, porque, segundo ele, há no mínimo 500 homens garimpando ouro em terras ianomami.
Aliás, na sexta-feira passada ele embarcou para Brasília, já com um plano de ação feito com a ajuda de funcionários da Funai, especialmente os que trabalham nos postos da reserva e deve solicitar a ajuda da PF, para iniciar o mais rápido possível a operação de retirada dos garimpeiros.

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Índios derrubam mais uma torre de Guri

Desde o início da construção das linhas de transmissão da energia de Guri do lado venezuelano há dois anos, já foram destruídas 13 torres

Mais uma torre da linha de transmissão da energia de Guri na Venezuela foi derrubada na madrugada de segunda-feira, na imediações da localidade indígena de San Rafael de Kamoirán, localizada a 200 quilômetros de Santa Elena de Uairén.
É a segunda vez, em menos de um mês, que as torres de transmissão de Guri são derrubadas em áreas indígenas. Mês passado, sete torres foram derrubadas também na mesma região. Desde o início da construção do linhão em 1998, já totalizam-se 13 torres derrubadas.

O incidente prejudica o andamento das obras do linhão, previsto para inaugurar em junho de 2001. O cônsul venezuelano em Roraima, Luiz Aníbal, informou que não havia recebido nenhuma informação oficial sobre o assunto até o final da manhã de ontem.
"A única informação que tive foi pelo jornal venezuelano El-Universal através da Internet", disse. Segundo ele, o jornal informou que a Guarda Nacional da Venezuela acredita que foram utilizadas ferramentas elétricas para derrubarem a torre.

Diz ainda que o líder indígena da zona de San Rafael de Kamoirán, Silviano Castro, negou a possibilidade de que os índios Pemón tenham participado da ação da madrugada de segunda-feira.

Ele disse ainda que o governo venezuelano já tomou providências, ordenando a Guarda Nacional e as Unidades de Brigada de Selva do Exército a aumentarem a vigilância na área onde está a linha de transmissão.

DISPUTA

O ataque às torres de transmissão da energia de Guri, pode ser uma disputa interna de grupos indígenas que divergem sobre o valor do pedido de indenização que está sendo pleiteado junto ao governo venezuelano.

Segundo o representante do Cir (Conselho Indígena de Roraima), José Adalberto, para poder autorizar o governo a construir as linhas de transmissão nas terras onde habitam as comunidades indígenas, um grupo está negociando uma indenização de 1,5 milhão de dólares.

Só que haveria um outro grupo que não concorda com esse valor e estaria pleiteando um valor mais alto. Essas lideranças indígenas descontentes estariam derrubando as torres como forma de boicotar a negociação com as autoridades venezuelanas.
Esse assunto será discutido num encontro de lideranças indígenas que será realizado amanhã em Santa Elena de Uairén. O Cir deverá trocar experiência com os Pemón em relação a pedido de indenização.

Do lado brasileiro, os índios da reserva indígena São Marcos conseguir R$ 3,7 milhões utilizados para indenizar as propriedades dos fazendeiros e produtores que foram retirados pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

Encontro de lideranças será para troca de experiência

Dez lideranças de várias organizações indígenas de Roraima participam amanhã de um encontro com os primeiros indígenas eleitos na Venezuela, da etnia Pemón: o prefeito do município Gran Sabana (que tem como sede a cidade de Santa Elena de Uairén) e mais três deputados federais.

São vários os temas a ser tratado, além da troca de experiência na política, setor educacional e também na questão do pedido de indenização para autorizar a construção das linhas de transmissão da energia de Guri.
As entidades convidadas para participar do encontro do lado brasileiro são: Cir (Conselho Indígena de Roraima), Apir (Associação dos Povos Indígenas de Roraima), Opir (Organização dos Povos Indígenas de Roraima), TWM (Taurepang Wapixana Macuxi) e Numir (Núcleo de Mulheres Indígenas de Roraima).

O evento está sendo organizado com apoio da Federação Indígena do Estado de Bolivar (FIB), da Venezuela. Um dos pontos em destaque será a troca de experiência em projetos turísticos em áreas indígenas. Nas áreas indígenas venezuelanas, há experiências de sucesso que os índios brasileiros querem discutir se é viável ou não para adotá-las em Roraima.
Já do lado venezuelano, há interesse em discutir os projetos e experiências no setor educacional existentes em Roraima, considerado um dos estados brasileiros que têm avançado nesse setor.

Segundo o representante do Cir, José Adalberto, a Opir deverá propor uma assessoria aos índios Pemón para auxiliá-los a implantar projetos educacionais que deram certo nas escolas indígenas do lado brasileiro.

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Líder Macuxi vai conversar com os Pemón sobre linhão de Guri

O presidente da Associação Regional dos rios Knor e Cotingo ao Norte de Roraima (Arikon), Gilberto Macuxi, viajou ontem para Santa Helena de Uairém, na Venezuela, com uma missão: reunir comunidades indígenas daquela região para convencer Pémon da importância do Linhão de Guri.
Além disso, ele também pretende conversar com os índios venezuelanos sobre as vantanges de uma união de metas e projetos, em torno do desenvolvimento dessas comunidades, especialmente se houver apoio das autoridades de ambos os países para tal.
Por esta razão, Macuxi, antes de viajar, já fez um contato prévio com a diretoria da entidade denominada Alidici, para viabilizar e provocar uma assembléia na maloca Manakiri, em Santa Helena.

Na ocasião, ele e as demais lideranças indígenas brasileiras que comparecerem ao encontro, estarão apresentando a proposta de auto-sustentação, através da realização de projetos na área de agricultura, especialmente com a mecanização, fruticultura, entre outros, que também podem ser viabilizados na Venezuela, ou adapatado para a realidade daquelas comunidades, com a ajuda do Governo.
- Precisamos mostrar aos índios venezuelanos o quanto precisamos dessa energia de Guri, como é importante para índios e não índios em Roraima, mas também para eles. Vamos trocar experiências e propostas de desenvolvimento mútuo – comenta.

DEMARCAÇÃO
Ele anunciou que volta na próxima semana, mas também já tem viagem marcada para Brasília, onde vai com uma comitiva roraimense, tratar sobre a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol.
Ele adiantou que pretende conversar com autoridades como o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), ministro da Justiça José Gregori, entre outras, enfatizando que a maioria dos índios em Roraima não quer a demarcação contínua, mas sim em ilhas.

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Volta a circular e-mail com mentiras sobre a Amazônia

Apesar de já ter sido desmentida, informação apócrifa continua na Web

Nos primeiros seis dias de outubro, a redação do portal Estadao.com.br recebeu 140 mensagens eletrônicas com perguntas sobre supostos mapas do Brasil usados em escolas americanas - mapas que citariam a região amazônica e o Pantanal como "área de controle internacional". A conclusão seria de que os americanos estariam doutrinando seus jovens para uma guerra pela posse de parte do território brasileiro. O boato, cuja veracidade vem sendo negada desde maio tanto pelo Itamaraty quanto pelo embaixador americano no Brasil, ressurge depois de exaustivos desmentidos e de ter, aparentemente, perdido força - em setembro, foram 95 mensagens a respeito, ante 109 em agosto e 116 em julho.

A informação sobre esses mapas passou a circular no início de 2000, sob a forma de uma "corrente" apócrifa de e-mail. A origem da corrente parece estar numa nota divulgada no site ultranacionalistahttp://brasil.iwarp.com, que contém um mapa com as mesmas características do suposto falso mapa americano. Em sua primeira onda, o boato chegou a ser divulgado na seção de cartas do jornal Ciência Hoje Eletrônico (CHE), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ganhando ares de credibilidade.
O caso chega ao conhecimento da pesquisadora Michelle Zwede, do Brazil Center da Universidade do Texas, em Austin. Ela envia e-mail aos responsáveis pelo http://brasil.iwarp.com/, pedindo provas concretas:
afinal, em que escolas estariam os tais mapas? Não recebe resposta. Poucos dias depois o boato volta a circular pela rede - desta vez, tendo se apropriado de sua assinatura.
É esta versão, "assinada", que chega a César Giobbi, colunista social do Estado. Giobbi publica nota em sua coluna. Uma reprodução da página da Internet com versão virtual da nota de Giobbi, no Estadao.com.br, passa a ser anexada a alguns dos e-mails que contêm a falsa denúncia. Agora, o nome do Estado, assim como o da SBPC e de Michelle passam a ser invocado como "fonte de credibilidade".
Entre maio e junho, tanto o embaixador brasileiro nos EUA, Rubens Barbosa, quanto o embaixador dos EUA no Brasil, Anthony S. Harrington, desmentem os boatos. O próprio Estado publica, em junho, exaustiva reportagem da correspondente Leda Beck sobre o assunto. Os desmentidos, somados à absoluta falta de provas (mesmo o site http://brasil.iwarp.com/ reconhece o fato e tira sua denúncia do ar), parecem abater a onda de e-mails.
O recrudescimento é uma novidade na Internet brasileira, mas não deixa de ser um fenômeno comum da Web. E-mails em forma de "corrente" continuam a circular durante anos após terem sido desmascarados.

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Lideranças indígenas trocam experiência em Santa Elena

O índio Macuxi José Adalberto, representante do CIR (Conselho Indígena de Roraima), no encontro dos primeiros indígenas eleitos na Venezuela, avaliou como positiva a troca de experiência entre os povos do Brasil e daquele país.

Segundo ele, o principal ponto discutido pelos indígenas foi sobre a construção da linha de transmissão da energia de Guri no lado da Venezuela, que já causou inúmeras manifestações por parte dos indígenas através da derrubada de torres já levantadas. Só este ano já foram derrubada 13 torres.

Os representantes de entidades ligadas aos índios em Roraima, levaram informações a respeito do processo de negociação que aconteceu entre os indígenas do Estado e o Governo Federal para conseguirem indenizações.

O objetivo é utilizar essa experiência brasileira para solucionar o problema que acontece do lado da Venezuela. Segundo José Adalberto, antes de tentarem qualquer pedido de indenização, os índios da Venezuela precisam lutar pelo direito de terra, ou seja, pela demarcação das áreas indígenas.

"Não existe uma lei que defenda o direito de terra. Eles não têm um amparo legal para pedir indenização. Por isso, ficou determinado no encontro que os parlamentares indígenas eleitos iriam iniciar negociações nesse sentido no parlamento venezuelano", disse.

Os indígenas trataram ainda sobre questões ligadas a troca de experiência em outras áreas como o mercado do turismo, área na qual, há muito tempo os indígenas venezuelanos vêm obtendo sucesso.
"Do lado do Brasil também temos pontos turísticos a serem explorados como a cachoeira do macaco e por isso temos que discutir a questão para tentarmos viabilizar algum projeto", afirmou.

Ele informou ainda que o prefeito de Santa Elena do Uairén que também é indígena está com um projeto de implantar uma zona franca na cidade fronteira. Discutiram ainda sobre as possibilidades de relações comerciais entre os dois países.
"Em Pacaraima, existe a Feira Indígena que pode ser explorada por venezuelanos, além do mercado de farinha e carne que pode ser levado para a Venezuela", destacou.

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QUESTÃO INDÍGENA: Líder diz que há espaço para todos

O líder indígena Jonas Marcolino – que é vereador em Pacaraima – apelou ontem para que o presidente Fernando Henrique reflita bem antes de decretar a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol. "Nós esperamos que o presidente aja com bom sendo, que procure analisar bem a questão para que sua atitude não possa no futuro causar transtornos e prejuízos para o desenvolvimento da causa indígena no Estado", disse.
Segundo Marcolino, o inventário da área já está concluído e todo o estudo técnico, recentemente desenvolvido pela equipe do general Alberto Cardoso, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, já foi entregue ao presidente e ao ministro da Justiça, José Grégori.
A expectativa de Marcolino é que o presidente exclua de sua decisão o desejo individual da Funai, que defende a demarcação contínua. "A área é grande, habitada há mais de um século por índios e não índios, por isso há que se preservar os interesses de todos. Na demarcação há que se garantir a expansão das vilas e assegurar a sobrevivência de fazendeiros que lá estão há tanto tempo", avalia o líder indígena.

Jonas Marcolino diz que não pode havar emocionalismo na hora da assinatura do decreto de demarcação. Para ele o presidente tem que agir com a razão e jamais admitir pressão de entidades internacionais. "Ele tem que fazer justiça. É isso que a maioria dos habitantes índios da região quer".
O líder indígena disse que brancos e índios podem conviver pacificamente na área. Segundo ele toda essa divergência é fruto da insensibilidade dos administradores da Funai. "Essa entidade que deveria cuidar dos nossos interesses, só tem atrapalhado. Nós sempre convivemos em paz, até que a Funai começou a fomentar a discórdia na área".

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VENEZUELA: Gilberto Macuxi discute desenvolvimento com Pemón 

O líder indígena Gilberto Macuxi, um dos defensores da demarcação em ilhas da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, está na Venezuela mantendo contatos com os índios Pemón, que insistem em boicotar a linha de transmissão que o governo venezuelano está construindo para trazer energia do Complexo Hidrelétrico de Guri até Roraima.
O objetivo de Macuxi é convencer os líderes do Parque Nacional Canaima a entrar em acordo com o governo venezuelano, que quer pagar indenização pelo uso da área dos indígenas por a linha está passando.
"Eu tive contatos com o tuxaua Carlos Pereira, da maloca Manakrii. Ele me disse que apenas três comunidades são contra a construção do linhão", informou. Estas localidades são Mapuri, São João e São Francisco.

Por outro lado, afirma, existem quatro organizações indígenas que são a favor. "A situação deles é muito parecida com a nossa", constatou, referindo-se ao posicionamento de entidades indígenas sobre a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol.
Outra constatação feita por Macuxi foi a interferência da Igreja Católica, dos evangélicos e das ONGs na tomada de decisões das aldeias. "Por trás dos conflitos, inclusive da derrubada das torres do Linhão de Guri, tem pessoas da Igreja Católica, das igrejas protestantes e do PPG-7", afirmou.
Por causa dessa forte interferência externa, os índios venezuelanos concordaram com o líder indígena de Roraima em fazer uma ampla reunião entre os dias 1º e 3 de novembro, na aldeia nos dias 1, 2 e 3 de novembro na aldeia Manakrii, com a participação de representantes de todas as organizações dos índios que vivem na Gran-Sabana.

"A reunião vai abordar o desenvolvimento sócio-econômico da região. E também vamos insistir para que eles façam acordo com o governo venezuelano. Também vamos discutir pontos comuns sobre nossas necessidades, visando principalmente a quebra da hegemonia Igreja Católica entre as comunidades indígenas", destacou.
Ainda na visita à Venezuela, ficará definida a data de um encontro tribal entre os dois países.

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Dom Aldo defende integração dos índios de forma gradativa

A sociedade não pode forçar a integração que deve ser gradual até que os índios compreendam os valores dos brancos

Dom Aldo Mongiano: povo com história e anseios divergentes

O bispo emérito de Roraima, Dom Aldo Mongiano visita o Estado para comemorar 25 anos desde que foi ordenado bispo, dia 09/10. Em entrevista exclusiva à Folha, avaliou positivamente o período que conduziu a Igreja Católica e confessou satisfação com o cresci-mento social dos índios. Para ele, a integração é inevitável mas deve acontecer de forma gradativa, sem que sejam forçados pela sociedade.

Depois de 50 anos como missionário, 21 dos quais na condução da Igreja Católica em Roraima, Dom Aldo está aposentado, morando em Turim (Itália), de onde eventualmente colabora com a Diocese local. Na condição de bispo emérito, apesar dos laços sentimentais que tem com o povo daqui, preferiu se afastar do Estado. Nos últi-mos quatro anos, refletiu sobre a vida e a ação que desenvolveu du-rante meio século.

O bispo avalia positivamente o tempo que passou em Roraima. "Sempre senti a meu lado a presença de Deus", comentou. Porém, não esconde a mágoa originada nos ataques e ameaças que enfren-tou, mesmo se mantendo firme diante do propósito de contribuir pa-ra mudar o quadro de injustiça contra a comunidade indígena.

"Nunca tive medo porque sabia que Deus estava comigo. Tinha certeza que estava aqui cumprindo uma missão de serviço ao povo de Deus, ao povo daqui. Este povo era um pouco complicado porque tinham muitos índios e muitos brancos e têm culturas diferentes e cada grupo tem sua história e anseios divergentes".

ÍNDIOS - Dom Aldo afirma que não se sente à vontade para falar sobre os índios do Brasil, porque dedicou-se a conhecer com detalhe a história e vida dos daqui. "Ao participar de reuniões sobre a situação dos índios no Brasil, sempre dizia: Roraima não é assim, nós somos diferentes. Mesmo na sociedade branca, diferimos dos povos de outros estados. Temos uma visão diferente da realidade e aspira-ções que não sei se são adequadas. Até as pessoas que vêm de fora com outro pensamento, acabam assumindo as idéias das que aqui já estavam".

O bispo disse que ainda não teve tempo de analisar a atual situação do índio roraimense. Depois de visitar a maloca do Maturuca na úl-tima terça-feira, confessou ter ficado satisfeito com o crescimento social daquela comunidade. "Eles sabem o que querem e se prepa-ram para enfrentar o dia de amanhã, têm uma organização respeita-da. Naquela região das serras já existe um rebanho bovino de 11 mil rezes. Fiquei satisfeito não só pelo que realizaram mas pela atitude pessoal e coletiva que eles têm".

Ao lamentar o ataque às madres na região do Amajarí, Dom Aldo disse que estes fatos têm repercussão negativa fora do Brasil. Ele en-tende que mesmo admitindo a possibilidade dos agressores terem alguma razão, é incompreensível que chegassem ao extremo. "É preciso se discutir os problemas. Depois haverá alguém com capaci-dade, poder político e administrativo para resolver o problema."


Área contínua é decisiva para garantir integração

Para o bispo, o futuro dos índios depende da demarcação de suas terras em área contínua. Acredita que se for permitido a esta parcela da sociedade amadurecer o relacionamento com os não índios, os resultados serão eficientes. Três ou quatro gerações depois, eles teriam consciência sobre os valores da sociedade envolvente e iriam querer desfrutar dos bens que quisessem.

Dom Aldo diz que vivendo sozinhas, as comunidades indígenas se habilitariam ao conhecimento, até do dinheiro. Argumenta que a in-tegração forçada, como é proposta pela sociedade, pode criar imen-sas dificuldades para a formação e consolidação do povo. Alega que a demarcação em ilhas é como dar a terra e permitir que as comuni-dades continuem sendo molestadas.

"Hoje em dia não trabalhamos mais como no tempo do colonialismo quando não se tinha conhecimento nenhum. Atualmente existem in-formações sociológicas e psicológicas profundas, com experiência em todo o mundo. É preciso respeitar as individualidades de cada um e aos poucos essas comunidades vão se integrando. Vejo que a demarcação das terras e homologação das que já estão demarcadas é a alternativa de viabilizarmos a integração dos índios de forma ra-cional. O relacionamento destas comunidades com a sociedade en-volvente terá que ser definida por lei".

POLÍTICA - Numa demonstração de não mais querer se envolver com a política regional, Dom Aldo disse que não tem como analisar a situação do Estado. No período em que ficou fora recebeu notícias mas em quantidade insuficiente para comentar aspectos políticos. "Realmente não tenho nenhum conhecimento objetivo e seguro para dizer alguma coisa".


Opressão aos índios determinou a atuação

Nascido no dia 1º de novembro de 1919, o bispo emérito de Roraima não ficará aqui para comemorar seus 81 anos de vida. Entre os dias 20 a 22/10, volta a Turim, onde diz ter compromissos inadiáveis. Lembra da primeira vez que veio aqui em 1975, atendendo pedido do papa, para liderar a Igreja roraimense.

Conta que chegou em 07 de outubro, sendo recebido pelo então go-vernador Ramos Pereira, padres e fiéis. No dia 09, foi empossado pelo arcebispo de Manaus e ficou algum tempo "sem fazer nada", até conhecer o que era Roraima. "Depois, o primeiro problema sério que apareceu, foi indígena, surgido numa assembléia em Surumú, onde estavam 140 tuxauas".

Foi lá que ele ouviu o relato do povo que era oprimido, sem chance de crescer porque os brancos o impedia de deliberar sobre seus pro-blemas. "Como não conhecia os índios, chamamos um padre para dar um curso a todos da Diocese, para sabermos o que era o proble-ma indígena e o que se poderia fazer para ajudá-los. A partir daí, do-cumentamos nossa visão da questão indígena e definimos as diretri-zes que iríamos adotar. Foi esta pauta que nos dirigiu em todo o tra-balho".

AO POVO - Falando à sociedade roraimense, Dom Aldo comen-tou: "Desejo ao povo de Roraima que tenha felicidade, muita paz e prospere. Sou muito ligado a esta terra. Não sou alguém que passou, foi embora e adeus. Vivi aqui e regozijei com muitas coisas e lutei para tantas outras, de forma que me sinto encarnado nesta realidade. Desejo que todos os problemas sejam resolvidos do melhor modo. Que haja progresso, mas construtivo. Para construir um país tem que se construir o coração das pessoas. Se alguém quer fazer alguma coisa, deve ser dentro de cada um. Diria à todos que fiquem atentos para as mudanças: que sejam humanas, tenham justiça, fraternidade e o respeito a todos".

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COBAIAS HUMANAS: Mozarildo denuncia uso de índios em testes de vacinas

Senador aponta ação irregular de organizações internacionais em áreas indígenas

O senador Mozarildo Cavalcanti (PFL) voltou a denunciar em Plenário a ação irregular de organizações internacionais em áreas indígenas na Amazônia.
Segundo ele, pesquisadores e representantes de entidades estrangeiras estão usando os índios como "cobaias" em testes de vacinas com efeito desconhecido, e explorando imagens das aldeias, amplamente veiculadas na Europa, de forma indiscriminada.
Embora essa situação tenha sido denunciada em reportagens recentes de revistas e jornais do país, Mozarildo disse que os episódios se repetem desde a década de 80. Ele lembrou que nesse período, enquanto exercia o mandato de deputado federal pelo então território de Roraima, já alertava para o trabalho de uma instituição externa que testava uma vacina contra a malária em aldeia Ianomami.

"Na época, a Funai (Fundação Nacional do Índio) negou o fato, mas o assunto nunca foi esclarecido", comentou.
Assim como os testes clandestinos de vacina, a exploração de fotos e imagens dos índios, que estaria sendo praticada pela organização não-governamental Comissão para Criação do Parque Ianomami e por um cineasta belga, também não teria sido coibida pelo poder público.
Na opinião de Mozarildo Cavalcanti, a Funai "tem sido conivente com essas organizações estrangeiras, que vêm fazendo uma exploração absurda em áreas indígenas".
Diante desse quadro, o senador pefelista voltou a defender a instalação da CPI das ONGs como única instância capaz de apurar a fundo as práticas de biopirataria na Amazônia e o contrabando de imagens de índios. "Só através da CPI poderemos tentar normatizar as ações estrangeiras em áreas indígenas", afirmou.

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Índios da Gran Sabana realizam assembléia sobre Linha de Guri

Na tentativa de conscientizar as comunidades indígenas da Gran Sabana, na Venezuela, sobre a importância da Linha de Guri, uma vez que três das 36 aldeias estavam tentando impedir a colocação das torres na região, o presidente da Associação Regional Indígena dos Rios Kinô, Contingo e Monte Roraima (Arikom), Gilberto Macuxi, esteve no último dia 6 reunido com os tuxauas daquela região.
Como resultado da visita, conforme contou ontem Gilberto Macuxi, foi definida a realização de uma assembléia na Aldeia Manikrii entre os dias 1 e 3 de novembro, com a participação de organizações indígenas brasileiras e venezuelanas.
Na assembléia, Macuxi disse que está sendo esperada a participação de mais de 2 mil índios daquela região, com o objetivo principal de elaborar um documento para o Governo Venezuelano, no sentido de que seja garantido o cumprimento do tratado entre o Governo daquele país e os índios quanto ao apoio do desenvolvimento dos povos indígenas das comunidades de Gran Sabana, com a passagem da Linha de Guri para Roraima.

"Conversei com o tuxaua da Aldeia Manikrii, Carlos Perez, e membros da Organização de Gran Sabana, e há uma tendência a que tudo se resolva. Só depende agora do Governo Venezuelano cumprir com o compromisso junto aos índios daquela região", avaliou.
Para tanto, Gilberto disse ainda que na Assembléia deverá haver a presença de alguma autoridade venezuelana e do prefeito de Santa Elena de Uairém, um indígena. Além dessas autoridades, representantes brasileiros também vão participar da assembléia através das entidades Arikam, Aliança de Integração para Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima e representantes do município de Normandia, com o vice prefeito e alguns vereadores.

Quadro atual
De acordo com o presidente da Arikam, Gilberto Macuxi, que visitou as comunidades indígenas de Gran Sabana, as quatro torres derrubadas pelos índios continuam sem ser colocadas novamente, por falta de entendimento entre o Governo Venezuelano e as comunidades indígenas da região.
Mas além disso, Macuxi informou que por trás da atitude dessas comunidades há também a influência da Igreja Católica e de Organizações Não Governamentais. "Enquanto estivemos com as lideranças indígenas de Gran Sabana, mostramos para eles a importância do desenvolvimento tanto da população branca quanto da comunidade indígena, com a instalação da Linha de Guri", acrescentou.
Entre esses fatores defendidos por Macuxi frente às comunidades indígenas de Gran Sabana, estão o desenvolvimento da agricultura, pecuária e apicultura.

Reunião brasileira
Antes da Assembléia na Venezuela, será realizada entre os dias 23 e 24 deste mês uma reunião na comunidade de Sorocaima I, com o objetivo também de discutir a importância da Linha de Guri para as comunidades indígenas. A realização do evento é da Aliança para Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima e da Arikom.
Durante os dois dias de reunião, estará presente, representando o Governo do Estado, o deputado Gelb Pereira. "Vamos levar todo o resultado dessa reunião no Brasil para os índios na Venezuela, durante a Assembléia", disse Macuxi.

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Funai vai iniciar retirada de garimpeiros

O vice-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Dinarte Madeiro, está de volta a Boa Vista e ontem passou todo o dia trancado com servidores do órgão, possivelmente discutindo as estratégias e por que áreas deve ser começada a Operação Ianomami.
No mês passado ele esteve em Roraima e durante três dias sobrevoou a reserva indígena Ianomami, comprovando que existem homens garimpando na área.
Pela análise de Madeiro, há em torno de 500 garimpeiros na terras indígena, quantidade que não exigirá uma mega-operação. A Funai, no entanto, está decidida a retirá-los da reserva, que tem 9,6 milhões de hectares.

Quando esteve sobrevoando a área, Dinarte Madeiro passou pelos rios Couto Magalhães, garantindo que viu balsas e até garimpeiros, passou pelo rio Parima, região de Parafuri, a norte de Surucucu, rios Ericó, Uraricoera, Mucajaí, Serra da Estrutura, região de Homoxe. Ele comprovou a existência de várias pistas clandestinas.
Em Catrimani, Apiaú, Ajanari, entre outras áreas, também foi constatada a presença de garimpeiros e pistas clandestinas. Está sendo esperado para hoje que ele anuncie o início da Operação Ianomami.

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Retirada de garimpeiros começa na segunda 

O vice-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Dinarte Madeiro, anunciou que as ações para a retirada de garimpeiros da Reserva Ianomami – Operação Ianomami - começam na segunda-feira.
Desde quarta-feira ele está em Boa Vista, juntamente com os funcionários da Fundação e outras autoridades, traçando as estratégias que serão usadas durante os trabalhos.
Ele não quis falar em valores, mas garantiu que há verbas suficientes não apenas para essa fase de retirada, mas, seguindo um cronograma de desembolso, para um trabalho praticamente permanente de vigilância na área, assim como a manutenção, razão pela qual prefere não usar o termo Operação Iananomi, justificando que as ações vão ser continuadas.

Nesse primeiro momento, a Operação vai envolver 40 funcionários da Funai, inclusive profissionais que vêm de outras capitais, que já na segunda-feira começam a fazer incursões pelas comunidades, para abastecimento dos postos, especialmente em Serra da Estrutura.
Nos próximos dias devem entrar em ação também os agentes da Polícia Federal (PF), militares da Aeronáutica, Exército, funcionários do Deparamento de Aviação Civial (DAC), Ministério Público Federal (MP), entre outros órgãos que poderão ser solicitados para participar das ações.
Numa das primeiras vindas a Roraima, no mês passado, Dinarte Madeiro sobrevoou muitas comunidades indígenas e calculou que há aproximadamente 500 garimpeiros na reserva Ianomami.

Estrutura
Além do avião Baron, um bimotor da Funai, serão usados na Operação Ianomami mais dois aviões tipo Islander e inicialmente será contratado um helicóptero para algumas horas de vôo, facilitando principalmente a retirada dos garimpeiros que ainda insistem em permanecer na região de Parafuri.
Na pista chamada Magestado, Dinarte Madeiro obteve informações que há pelo menos 28 homens garimpando e já comunicaram à Funai que tão logo comecem as ações, eles vão se apresentar.
Mas o vice-presidente da Funai adianta que a presença constante da equipe que vai fazer a retirada somente será efetivada a partir da chegada dos agentes federais, o que vai acontecer nos próximos dias.
– Vamos inicialmente fazer algumas incursões em alguns pontos, enquanto aguardamos a vinda dos Policiais Federais, uma vez que já solicitamos a ajuda, tanto de efetivo de Brasília quanto de Boa Vista. Quero descaracterizar essa expressão de Operação porque, além de não haver um número grande de garimpeiros, que justifique uma operação, é um trabalho que vai ser continuado – afirma.

Pistas
Quanto às pistas clandestinas existentes, o vice-presidente da Funai admitiu que não são muitas e a maioria será mantida, até porque vai servir de estrutura para entidades como a Urihi, responsável pela assistência à saúde dos ianomami, tornando-se desnecessária sua destruição.
A aviação clandestina para a reserva é um assunto que vai ser minuciosamente discutido com Aeronáutica, Exército, DAC, porque Madeiro quer, junto a essas autoridades, encontrar uma alternativa para evitar a entrada de garimpeiros na área e também para ter um melhor controle sobre quem vai à reserva.

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Casos de gonorréia entre Yanomami

Contato com não índios na reserva indígena tem levado doenças sexualmente transmissíveis; o perigo agora é contrair a Aids

Líder indígena Yanomami Davi Kopenawa:denúncia de surto de gonorréia

O líder indígena Yanomami Davi Kopenawa denunciou ontem que existe um surto de gonorréia na região do Surucucu. A estimativa dele é em torno de 70 casos entre homens e mulheres.

Apesar de Kopenawa insinuar que a doença pode ter sido contraída pelas índias através de relações sexuais com os militares em Surucucu, é possível que a contaminação possa ter sido levada por garimpeiros ou outros não índios que têm autorização para entrar na área.

Kopenawa contou que as índias saem das malocas por volta das 17 horas e retornam tarde da noite. "Algumas voltam de manhã. Quatro são casadas e os maridos não reclamam porque elas trazem comida pra casa", disse.
Entre os alimentos recebidos pelas índias estão farinha, arroz, carne, bolacha, conserva e charque, segundo contou Kopenawa. "Estamos preocupados agora é com a Aids", complementou.

Esta denúncia está sendo feita pela terceira. Ele voltou a tocar no assunto há duas semanas, durante o seminário realizado no município de Caracaraí, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente.

O líder indígena também disse que iria formalizar denúncia ao Conselho Distrital Yanomami. Este conselho é composto por membros da FUNASA (Fundação Nacional de Saúde), FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e Organizações não Governamentais (ONGS) que atuam na área indígena.

Ele disse que ter conhecimento de três casos de índias que engravidaram de brancos. "O chefe de posto da Funai no Surucucu tem filho com índia. No Homoxi índia tem filho com garimpeiro. O soldado que teve filho com índia já saiu de lá", contou.

Urihi confirma 20 casos

Presidente da Urihi, Cláudio Esteves: primeiros casos notificados em dezembro

O presidente da Urihi, Claúdio Esteves de Oliveira, disse que os casos começaram a ser notificados em dezembro do ano passado. "Foram registrados 20 casos de gonorréia que estão sendo tratados com o medicamento em dose única. "Há três meses entreguei um relatório para Funasa", afirmou.

Esteves disse que não pode afirmar com certeza com quem as índias contraíram a doença. "Sabemos que existe contato com garimpeiros, com os próprios funcionários da Urihi e também do Exército", disse ao enfatizar que a função da organização é dar assistência aos indígenas.
Claúdio Esteves contou que há cerca de 30 dias a entidade formalizou denúncia à Funai sobre um grupo de garimpeiros. Segundo ele, os garimpeiros haviam perseguido as índias na mata. "Eles estavam correndo atrás das mulheres", reforçou.

"São cerca de dois mil garimpeiros em área. O maior problema é que estão clandestinamente, ou seja, não existe nenhum controle por parte do poder público", criticou ao comentar que a Funai se comprometeu em fazer a retirada dos garimpeiros nos próximos 20 dias.

DOENÇA

Segundo explicou Esteves, que também é médico, uma das preocupações da entidade é que nas mulheres a gonorréia costuma ficar incubada por muito tempo. A doença pode se proliferar a cada relação sexual.

"No homem, aparece nos quatros primeiros dias. Na mulher se prolonga por muito tempo, ficando até a vida inteira sem se manifestar, já que a bactéria fica no colo do útero", complementou.

Com relação a denúncias de supostos envolvimentos de militares, Esteves disse que vem se percebendo um esforço grande para coibir esses problemas. "Eles não permitem que um soldado saia do pelotão desacompanhado. Além disso, estão disposto a ouvir qualquer instituição sobre o assunto", salientou.

Para Esteves, as relações sexuais entre índios e brancos não se trata de um problema moral, mas de saúde e social. "É de saúde porque geralmente elas são praticadas sem uso do preservativo; e social porque acaba gerando conflitos entre as comunidades", observou.


Exército diz ser impossível militares transmitirem doença

O Exército em Roraima disse que é impossível as índias terem contraído a doença dos militares porque, além de todos eles entrarem em aérea depois de submeterem-se a um check-up médico, recebem regularmente visita dos médicos.

Afirmou ainda que atualmente a norma no Pelotão é que todo soldado saia em dupla, depois de autorizado pelo comandante e com missão específica a cumprir. Disse também que para evitar esses problemas, o soldado vem a cidade a cada três ou quatro meses.
A instituição questionou o fato de se culpar o Exército, quando existem várias pessoas a serviço na reserva indígena. Comentou inclusive a presença de um grupo de homens que estão instalando os radares do projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).

O Exército lembrou que os casos de abuso sexual que aconteceram no passado, os responsáveis foram punidos com a expulsão. Garantiu que situações semelhantes que venham ocorrer que os culpados serão reprimidos com severidade.
FUNAI

A Folha procurou a Funai para saber as providências que o órgão iria tomar em relação a denúncia. O administrador Martinho Alves mandou dizer pela secretária que "não iria dar declaração para imprensa porque essa era uma orientação de Brasília".

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Retirada de garimpeiros da reserva yanomami começa sem ajuda da PF

Funcionários da Funai de Roraima e Amazonas iniciam a ação, que posteriormente será acompanhada pela Polícia Federal

Os agentes da Funai e da Federal vão caçar garimpeiros clandestinos

A Funai (Fundação Nacional do Índio) inicia esta semana, com várias equipes formadas por servidores do órgão, a retirada dos garimpeiros clandestinos que atuam na reserva indígena Yanomami.
Segundo a assessoria de imprensa da Funai em Brasília, a Polícia Federal (PF) vai entrar em seguida para resolver as questões mais complicadas, que estejam fora do alcance dos servidores da Funai.

O assessor de comunicação, Cid Furtado não soube informar o número de equipes e nem de funcionários envolvidos na retirada dos garimpeiros. Anunciou que servidores lotados na Funai do Amazonas, devem participar da ação.

Segundo ele, além da retirada, as equipes vão fazer a fiscalização e manutenção da área para evitar novas invasões e confrontos entre índios e garimpeiros. "A fiscalização e manutenção é para não deixar que pensem que não temos controle", disse o assessor.
Ele não soube informar qual o número de garimpeiros que estariam na reserva. Acredita-se que tenha de 500 a mil homens. De acordo com ele, da operação não deverá participar nenhum funcionário lotado em Brasília.

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Cimi exige relatório 

BRASÍLIA - O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica, requisitou ontem do ministro da Defesa, Geraldo Quintão, o relatório confidencial da Aeronáutica sobre tensões na fronteira do Brasil com a Colômbia. O vice-presidente da entidade, Saulo Feitosa, disse que vai processar o governo se confirmar a existência de documentos oficiais que tratem da integração dos índios à sociedade nacional conforme aponta o relatório.

"A política integracionista está superada desde a Constituição de 1988 porque tratava os índios como categoria provisória a ser extinta", disse o vice-presidente do Cimi. "A Constituição estabelece o respeito aos costumes e às tradições indígenas e obriga a União a preservá-los."

O relatório, divulgado com exclusividade pelo JORNAL DO BRASIL, enquadra a atuação do Cimi e de organizações não-governamentais (ONGs) como fator de tensão na fronteira entre os dois países. O documento propõe uma "mudança da perspectiva estatal de integrar os índios ao ambiente social nacional para uma perspectiva de cooperação e convivência."

Na semana passada, a questão indígena da Amazônia foi abordada por comandantes militares da região durante a IV Conferência Ministerial de Defesa das Américas realizada em Manaus. O evento foi dominado por discussões sobre o Plano Colômbia, programa de erradicação do narcotráfico apoiado pelos Estados Unidos.

Segundo Feitosa, a idéia integracionista só pode ser admitida se o documento da Aeronáutica tiver se baseado no Estatuto do Índio, elaborado em 1973 e voltado à integração do índio. "Vamos querer saber em qual documento a Aeronáutica se baseou para escrever isso", afirmou ele.

O relatório também aponta o "agravamento das tensões" na fronteira em razão de o Cimi e as ONGs defenderem a criação de reservas indígenas "supranacionais" e "intocáveis" que facilitariam o refúgio de grupos guerrilheiros como os das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "As terras indígenas são áreas da União. Se o Estado brasileiro permite a entrada de guerrilheiros, a culpa não é dos índios", disse Feitosa.

O documento da Aeronáutica afirma ainda que o Cimi defende a "autodeterminação dos povos indígenas" e faz "combate sistemático à política indigenista do governo". Segundo o vice-presidente do Cimi, "essas informações são equivocadas". Para Feitosa, a autodeterminação dos povos não significa a criação de Estados independentes. "Queremos que os índios sejam autônomos, mas que tenham cidadania brasileira", esclareceu. "Mas também queremos que o governo cumpra a Constituição em relação aos índios."

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RESERVA INDÍGENA: Neudo diz que interdição da 174 é um insulto à soberania

Governador faz palestra para oficiais do Exército e condenou atitudes da Funai

"A interdição temporária da BR-174, no trecho da reserva indígena waimiri-atroari, durante doze horas por dia, é um acinte, um insulto à soberania nacional", denunciou o governador Neudo Campos durante palestra que proferiu anteontem à tarde, no auditório da 1ª. Brigada de Infantaria de Selva a uma comitiva de oficiais – instrutores e alunos – que participam do Curso de Altos Estudos Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).
Neudo foi muito questionado pelos oficiais do Exército sobre quais medidas o Governo do Estado estaria tomando para impedir o esquadrinhamento do território roraimense pela FUNAI para a demarcação das áreas indígenas. "Tenho fundadas esperanças de que a questão da demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol nós possamos levar para o Congresso Nacional, que é o fórum mais adequado, onde os debates se alargam e onde nós teremos a oportunidade de provar que o Estado não pode comprometer mais de 43 por cento do seu território, como é o nosso caso, com comunidades indígenas que significam apenas sete por cento da nossa população", explicou o governador.

Ele observou ainda que o problema das comunidades indígenas de Roraima "não é absolutamente extensão de terra; os índios têm isso em abundância. O problema dos índios é o social, nós temos que apoiá-los mais na saúde, na educação e, principalmente, na produção de alimentos. Isso é o que eles precisam, porque é nisso que reside a sua maior fraqueza".

INVIÁVEL
Depois de afirmar que com as áreas pretendidas pela Funai e as que já estão demarcadas, Roraima se tornará um Estado inviável para o aproveitamento de suas terras para a agricultura e a pecuária de corte, Neudo criticou duramente a Funai. "Uma instituição como a Funai, comprometida com as Organizações não Governamentais – as ONGs -, não pode se sobrepor à Constituição Federal", avisou o governador. "Não sabemos onde termina a FUNAI e começam as ONGs, tanto é o comprometimento desse órgão com essas entidades estrangeiras e nacionais", ironizou.
Para o governador Neudo Campos, a interdição da BR-174, no trecho da reserva waimiri-atroari "é um acinte, um insulto à nossa soberania nacional. Uma estrada federal não pode, por determinação de uma instituição como a FUNAI, funcionar metade do dia, metade do ano, o que compromete o princípio constitucional do ir e vir".

Neudo defendeu a união dos parlamentares da Amazônia na defesa dos interesses da região, ao ser questionado por um dos oficiais-aluno sobre a participação parlamentar regional nas discussões de temas amazônicos. Neudo observou que a Amazônia é integrada por nove estados, com 27 senadores, um terço do Senado Federal. "Contudo – observou - essa força não foi capaz de dar à Amazônia um Ministro. O Ministro do Meio Ambiente não conta, porque foi uma decisão política do Governo Federal". Neudo lembrou que o Nordeste tem consciência de sua importância política no Parlamento Brasileiro, "talvez hoje tenha reconhecido que errou bastante no passado, e atua mais harmonicamente em defesa dos seus interesses".
O que dificulta a união das bancadas da Amazônia, na visão do governador, é que os deputados federais defendem apenas os interesses individuais de cada Estado. "Somos totalmente desunidos. Devíamos seguir o exemplo do Nordeste", ponderou. Para ele, a questão indígena diz respeito à Amazônia e não somente a Roraima. "No nosso caso, disse, 43 por cento do nosso território já está comprometido com as áreas indígenas, e se a Funai conseguir demarcar as áreas pretendidas, então teremos 57 do nosso território comprometido". Neudo disse ainda que o lado Leste do Estado e o Norte estão fechados pelas áreas indígenas, o mesmo ocorrendo com o lado Oeste, com os Ianomami.

"Temos que mudar isso. Aliás, a quem compete mudar essa política indigenista?", perguntou. Neudo insistiu na tese de que a questão das demarcações de áreas indígenas tem que ser tratada pelo Congresso Nacional. "Se o índio ficar isolado em sua terra, como vamos poder ajudá-lo?", questionou, afirmando que o índio tem direito à terra, "mas destinar 1.700.000 hectares para cinco mil índios ‘é um fato inaceitável’", disse, referindo-se à área pretendida da Raposa/Serra do Sol.
Neudo lembrou que tem sido execrado pela Igreja Católica, pela FUNAI, pelas ONGs, ambientalistas e indigenistas por ser contra a demarcação da Raposa/Serra do Sol em área contínua. "Estou sendo execrado, mas vou continuar a brigar para que a área seja demarcada em ilhas. E se isso me causar uma derrota eleitoral não interessa, porque sei que estou defendendo o melhor para Roraima", afirmou.

Questionado por que o Estado não busca uma solução mais direta – no Judiciário, por exemplo – para resolver a questão indígena em Roraima, Neudo explicou: "Estamos questionando na Justiça a demarcação da Raposa/Serra do Sol e a interdição da BR-174". O governador fez uma análise sobre o comportamento dos índios de Roraima. Segundo ele, "os ianomami são índios primitivos, e se tentarmos colocá-los em contato com a sociedade será a sua destruição total, será a sua morte. Já os demais indígenas, são pessoas com o Terceiro Grau, que votam e são votados nas eleições, são professores; são diferentes dos ianomami. Por isso, a sua integração à sociedade e um fato irreversível, porque são índios que têm televisão, que têm carro. O grande problema deles é a produção de alimentos, e isso nós estamos levando a eles, a tecnologia para melhorarem a sua produção agrícola; estamos colocando insumos nas mão deles. Essa integração, repito, é irreversível".

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Tuxauas dificultam contagem populacional ao norte do Estado

O chefe da Divisão de Pesquisa do IBGE, Vicente Joaquim: tuxauas impedem a entrada de recenceadores

Os recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já concluíram 70% da pesquisa do censo 2000. Aqueles que atuam nas áreas indígenas ao norte do Estado enfrentam problemas para fazer a pesquisa em algumas malocas. Nas áreas indígenas do sul não houve a mesma dificuldade e municípios daquela região foram os primeiros a serem concluídos.

De acordo com o chefe da Divisão de Pesquisa do IBGE, Vicente Joaquim de Paulo, nas áreas indígenas dos municípios de Normandia, Uiramutã e Pacaraima os recenseadores esbarram na resistência dos tuxauas. "Os recenseadores vão várias vezes em uma aldeia para poder ser permitida a entrada. As vezes eles chegam onde está havendo alguma comemoração e o tuxaua não permite a entrada, marca para outro dia e por outro motivo também não é permitida a entrada", comentou.

Nas áreas indígenas no sul do Estado e na área yanomami, segundo o servidor do IBGE, não houve resistência e os trabalhos já foram concluídos. Os da área yanomami estão sendo analisados. Dos 15 municípios do Estado, apenas em dois os trabalhos de pesquisa foram concluídos, São João da Baliza e Caroebe. "Além dos municípios serem pequenos, os recenseadores conheciam bem a região e facilitou o trabalho", declarou.

Segundo Vicente de Paulo, nos próximos dias devem ser concluídas as pesquisas nos municípios de Bonfim, Iracema e São Luiz do Anauá. Em Normandia está dependendo de uma maloca. Em Boa Vista 60% da população já foi recenseada. Desde setembro os recenseadores trabalham até nos finais de semanas e à noite, na expectativa de concluírem suas tarefas. "Os recenseadores estão procurando horários alternativos para encontrar as pessoas em casa", declarou.

Após a conclusão desta primeira fase, em novembro será feita uma "operação pente fino" com o objetivo de recensear os moradores que não foram encontrados no período da pesquisa e não procuraram o órgão. Apesar de não ter feito nenhum estudo detalhado sobre os dados coletados, a expectativa do chefe da Divisão de Pesquisa do IBGE é que a taxa de crescimento do Estado, fique em torno de 4% quando o esperado era acima de 6%.

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Agentes indígenas aprendem a evitar doenças sexualmente transmissíveis

Os agentes de saúde devem ser multiplicadores das informações so-bre DST e Aids

Os agentes indígenas de saúde do Distrito Sanitário do Leste partici-pam de um curso sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS (DST/AIDS), na Casa Paulo VI. O curso iniciado ontem pretende tornar os agentes em multiplicadores de informação sobre do-enças que hoje representam grave ameaça aos povos indígenas.

O curso acontece até sexta-feira ministrado para 28 agentes de saúde, cada um responsável por um pólo base de saúde, uma espécie de posto médico nas comunidades indígenas. Os participantes fazem atendimentos básicos de saúde aos povos: Macuxi, Ingaricó, Wapi-xana, Taurepang e Wai-Wai.

Segundo a coordenadora do curso, Patrícia Capelossi, a intenção é alertar sobre os perigos de doenças como gonorréia, sífilis e AIDS entre outras e dar publicidade aos números alarmantes confirmados no Brasil. Ela disse que o país ocupa atualmente o terceiro lugar mundial em número de casos de AIDS.

Até 1992, o Ministério da Saúde (MS) registrou 35 mil casos notifi-cados. No final de 1996, já eram mais de 88 mil casos. "Isto é ainda pior quando sabemos que no Brasil, apenas metade dos casos de AIDS são registrados e notificados ao MS, tornando a realidade muito mais grave. O Ministério da Saúde calcula que em 2001 serão 8 milhões de brasileiros infectados pela AIDS", informou Patrícia.

Durante os cinco dias de curso serão abordados assuntos como: descoberta da sexualidade; mudanças físicas na puberdade; medos exis-tentes na adolescência; crescimento dos seios nas meninas; sexo: quando? como? por que?; virgindade: a primeira vez e prazer sim, mas com segurança.

"Explicamos tudo sobre as doenças, modo de prevenção, mas pri-meiro trabalhamos o assunto da sexualidade para depois entrar no tema das doenças porque os indígenas ainda têm muitos tabus a serem quebrados. Esperamos que eles entendam os temas e passem para outros indígenas com intuito de prevenir essas doenças", disse Patrícia.

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