| A Amazônia que desconhecemos. A última vez que talvez possamos desvenda-la |
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Federal conclui esta semana inquérito sobre garimpo na Reserva Ianomami
Até o final
desta semana o delegado Flávio Leite Ribeiro, conclui o inquérito
aberto na Polícia Federal (PF), para investigar denúncias da
existência de garimpeiros na reserva indígena Ianomami.
Quantas e de que entidades são as pessoas ouvidas, o delegado não
quis adiantar, mas garantiu que esta semana deve terminar o relatório
sobre o caso e vai entregar ao superintendente interino da PF,
Dolival Quiles.
- Se houver garimpeiros na reserva, é a Superintendência que vai
definir se há ou não necessidade de realizar uma operação de
maior porte para a retirada – acrescenta.
Entre as pessoas
que Flávio Leite já ouviu, está um dos coordenadores da Urihi,
Claúdio Esteves de Oliveira. Em depoimento que durou uma hora e
meia, Esteves garantiu que há inclusive pistas clandestinas
Parafuri e Surucucus, confirmando para a Federal a presença de
garimpeiros na reserva.
Se depender do vice-presidente da Fundação Nacional do Índio
(Funai) Dinarte Madeiro, a "Operação Ianomami" precisa
imediatamente ser retomada em Roraima, porque, segundo ele, há no
mínimo 500 homens garimpando ouro em terras ianomami.
Aliás, na sexta-feira passada ele embarcou para Brasília, já
com um plano de ação feito com a ajuda de funcionários da
Funai, especialmente os que trabalham nos postos da reserva e deve
solicitar a ajuda da PF, para iniciar o mais rápido possível a
operação de retirada dos garimpeiros.
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O incidente
prejudica o andamento das obras do linhão, previsto para
inaugurar em junho de 2001. O cônsul venezuelano em Roraima, Luiz
Aníbal, informou que não havia recebido nenhuma informação
oficial sobre o assunto até o final da manhã de ontem.
"A única informação que tive foi pelo jornal venezuelano
El-Universal através da Internet", disse. Segundo ele, o
jornal informou que a Guarda Nacional da Venezuela acredita que
foram utilizadas ferramentas elétricas para derrubarem a torre.
Diz ainda que o líder indígena da zona de San Rafael de Kamoirán, Silviano Castro, negou a possibilidade de que os índios Pemón tenham participado da ação da madrugada de segunda-feira.
Ele disse ainda que o governo venezuelano já tomou providências, ordenando a Guarda Nacional e as Unidades de Brigada de Selva do Exército a aumentarem a vigilância na área onde está a linha de transmissão.
DISPUTA
O ataque às torres de transmissão da energia de Guri, pode ser uma disputa interna de grupos indígenas que divergem sobre o valor do pedido de indenização que está sendo pleiteado junto ao governo venezuelano.
Segundo o representante do Cir (Conselho Indígena de Roraima), José Adalberto, para poder autorizar o governo a construir as linhas de transmissão nas terras onde habitam as comunidades indígenas, um grupo está negociando uma indenização de 1,5 milhão de dólares.
Só que haveria
um outro grupo que não concorda com esse valor e estaria
pleiteando um valor mais alto. Essas lideranças indígenas
descontentes estariam derrubando as torres como forma de boicotar
a negociação com as autoridades venezuelanas.
Esse assunto será discutido num encontro de lideranças indígenas
que será realizado amanhã em Santa Elena de Uairén. O Cir deverá
trocar experiência com os Pemón em relação a pedido de
indenização.
Do lado
brasileiro, os índios da reserva indígena São Marcos conseguir
R$ 3,7 milhões utilizados para indenizar as propriedades dos
fazendeiros e produtores que foram retirados pela Funai (Fundação
Nacional do Índio).
Encontro de lideranças será para troca de experiência
Dez lideranças de várias organizações indígenas de Roraima
participam amanhã de um encontro com os primeiros indígenas
eleitos na Venezuela, da etnia Pemón: o prefeito do município
Gran Sabana (que tem como sede a cidade de Santa Elena de Uairén)
e mais três deputados federais.
São vários os
temas a ser tratado, além da troca de experiência na política,
setor educacional e também na questão do pedido de indenização
para autorizar a construção das linhas de transmissão da
energia de Guri.
As entidades convidadas para participar do encontro do lado
brasileiro são: Cir (Conselho Indígena de Roraima), Apir
(Associação dos Povos Indígenas de Roraima), Opir (Organização
dos Povos Indígenas de Roraima), TWM (Taurepang Wapixana Macuxi)
e Numir (Núcleo de Mulheres Indígenas de Roraima).
O evento está
sendo organizado com apoio da Federação Indígena do Estado de
Bolivar (FIB), da Venezuela. Um dos pontos em destaque será a
troca de experiência em projetos turísticos em áreas indígenas.
Nas áreas indígenas venezuelanas, há experiências de sucesso
que os índios brasileiros querem discutir se é viável ou não
para adotá-las em Roraima.
Já do lado venezuelano, há interesse em discutir os projetos e
experiências no setor educacional existentes em Roraima,
considerado um dos estados brasileiros que têm avançado nesse
setor.
Segundo o
representante do Cir, José Adalberto, a Opir deverá propor uma
assessoria aos índios Pemón para auxiliá-los a implantar
projetos educacionais que deram certo nas escolas indígenas do
lado brasileiro.
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O presidente da
Associação Regional dos rios Knor e Cotingo ao Norte de Roraima
(Arikon), Gilberto Macuxi, viajou ontem para Santa Helena de Uairém,
na Venezuela, com uma missão: reunir comunidades indígenas
daquela região para convencer Pémon da importância do Linhão
de Guri.
Além disso, ele também pretende conversar com os índios
venezuelanos sobre as vantanges de uma união de metas e projetos,
em torno do desenvolvimento dessas comunidades, especialmente se
houver apoio das autoridades de ambos os países para tal.
Por esta razão, Macuxi, antes de viajar, já fez um contato prévio
com a diretoria da entidade denominada Alidici, para viabilizar e
provocar uma assembléia na maloca Manakiri, em Santa Helena.
Na ocasião, ele
e as demais lideranças indígenas brasileiras que comparecerem ao
encontro, estarão apresentando a proposta de auto-sustentação,
através da realização de projetos na área de agricultura,
especialmente com a mecanização, fruticultura, entre outros, que
também podem ser viabilizados na Venezuela, ou adapatado para a
realidade daquelas comunidades, com a ajuda do Governo.
- Precisamos mostrar aos índios venezuelanos o quanto precisamos
dessa energia de Guri, como é importante para índios e não índios
em Roraima, mas também para eles. Vamos trocar experiências e
propostas de desenvolvimento mútuo – comenta.
DEMARCAÇÃO
Ele anunciou que volta na próxima semana, mas também já tem
viagem marcada para Brasília, onde vai com uma comitiva
roraimense, tratar sobre a demarcação da reserva Raposa Serra do
Sol.
Ele adiantou que pretende conversar com autoridades como o
presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), ministro da
Justiça José Gregori, entre outras, enfatizando que a maioria
dos índios em Roraima não quer a demarcação contínua, mas sim
em ilhas.
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Apesar de já ter sido desmentida, informação apócrifa continua na Web
Nos primeiros seis dias de outubro, a redação do portal Estadao.com.br recebeu 140 mensagens eletrônicas com perguntas sobre supostos mapas do Brasil usados em escolas americanas - mapas que citariam a região amazônica e o Pantanal como "área de controle internacional". A conclusão seria de que os americanos estariam doutrinando seus jovens para uma guerra pela posse de parte do território brasileiro. O boato, cuja veracidade vem sendo negada desde maio tanto pelo Itamaraty quanto pelo embaixador americano no Brasil, ressurge depois de exaustivos desmentidos e de ter, aparentemente, perdido força - em setembro, foram 95 mensagens a respeito, ante 109 em agosto e 116 em julho.
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Segundo ele, o principal ponto discutido pelos indígenas foi sobre a construção da linha de transmissão da energia de Guri no lado da Venezuela, que já causou inúmeras manifestações por parte dos indígenas através da derrubada de torres já levantadas. Só este ano já foram derrubada 13 torres.
Os representantes de entidades ligadas aos índios em Roraima, levaram informações a respeito do processo de negociação que aconteceu entre os indígenas do Estado e o Governo Federal para conseguirem indenizações.
O objetivo é utilizar essa experiência brasileira para solucionar o problema que acontece do lado da Venezuela. Segundo José Adalberto, antes de tentarem qualquer pedido de indenização, os índios da Venezuela precisam lutar pelo direito de terra, ou seja, pela demarcação das áreas indígenas.
"Não existe uma lei que defenda o direito de terra. Eles não têm um amparo legal para pedir indenização. Por isso, ficou determinado no encontro que os parlamentares indígenas eleitos iriam iniciar negociações nesse sentido no parlamento venezuelano", disse.
Os indígenas
trataram ainda sobre questões ligadas a troca de experiência em
outras áreas como o mercado do turismo, área na qual, há muito
tempo os indígenas venezuelanos vêm obtendo sucesso.
"Do lado do Brasil também temos pontos turísticos a serem
explorados como a cachoeira do macaco e por isso temos que
discutir a questão para tentarmos viabilizar algum projeto",
afirmou.
Ele
informou ainda que o prefeito de Santa Elena do Uairén que também
é indígena está com um projeto de implantar uma zona franca na
cidade fronteira. Discutiram ainda sobre as possibilidades de relações
comerciais entre os dois países.
"Em Pacaraima, existe a Feira Indígena que pode ser
explorada por venezuelanos, além do mercado de farinha e carne
que pode ser levado para a Venezuela", destacou.
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Jonas Marcolino
diz que não pode havar emocionalismo na hora da assinatura do
decreto de demarcação. Para ele o presidente tem que agir com a
razão e jamais admitir pressão de entidades internacionais.
"Ele tem que fazer justiça. É isso que a maioria dos
habitantes índios da região quer".
O líder indígena disse que brancos e índios podem conviver
pacificamente na área. Segundo ele toda essa divergência é
fruto da insensibilidade dos administradores da Funai. "Essa
entidade que deveria cuidar dos nossos interesses, só tem
atrapalhado. Nós sempre convivemos em paz, até que a Funai começou
a fomentar a discórdia na área".
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VENEZUELA: Gilberto Macuxi discute desenvolvimento com Pemón
O líder indígena
Gilberto Macuxi, um dos defensores da demarcação em ilhas da
reserva indígena Raposa/Serra do Sol, está na Venezuela mantendo
contatos com os índios Pemón, que insistem em boicotar a linha
de transmissão que o governo venezuelano está construindo para
trazer energia do Complexo Hidrelétrico de Guri até Roraima.
O objetivo de Macuxi é convencer os líderes do Parque Nacional
Canaima a entrar em acordo com o governo venezuelano, que quer
pagar indenização pelo uso da área dos indígenas por a linha
está passando.
"Eu tive contatos com o tuxaua Carlos Pereira, da maloca
Manakrii. Ele me disse que apenas três comunidades são contra a
construção do linhão", informou. Estas localidades são
Mapuri, São João e São Francisco.
Por outro lado,
afirma, existem quatro organizações indígenas que são a favor.
"A situação deles é muito parecida com a nossa",
constatou, referindo-se ao posicionamento de entidades indígenas
sobre a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol.
Outra constatação feita por Macuxi foi a interferência da
Igreja Católica, dos evangélicos e das ONGs na tomada de decisões
das aldeias. "Por trás dos conflitos, inclusive da derrubada
das torres do Linhão de Guri, tem pessoas da Igreja Católica,
das igrejas protestantes e do PPG-7", afirmou.
Por causa dessa forte interferência externa, os índios
venezuelanos concordaram com o líder indígena de Roraima em
fazer uma ampla reunião entre os dias 1º e 3 de novembro, na
aldeia nos dias 1, 2 e 3 de novembro na aldeia Manakrii, com a
participação de representantes de todas as organizações dos índios
que vivem na Gran-Sabana.
"A reunião
vai abordar o desenvolvimento sócio-econômico da região. E também
vamos insistir para que eles façam acordo com o governo
venezuelano. Também vamos discutir pontos comuns sobre nossas
necessidades, visando principalmente a quebra da hegemonia Igreja
Católica entre as comunidades indígenas", destacou.
Ainda na visita à Venezuela, ficará definida a data de um
encontro tribal entre os dois países.
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Depois de 50 anos como missionário, 21 dos quais na condução da Igreja Católica em Roraima, Dom Aldo está aposentado, morando em Turim (Itália), de onde eventualmente colabora com a Diocese local. Na condição de bispo emérito, apesar dos laços sentimentais que tem com o povo daqui, preferiu se afastar do Estado. Nos últi-mos quatro anos, refletiu sobre a vida e a ação que desenvolveu du-rante meio século.
O bispo avalia positivamente o tempo que passou em Roraima. "Sempre senti a meu lado a presença de Deus", comentou. Porém, não esconde a mágoa originada nos ataques e ameaças que enfren-tou, mesmo se mantendo firme diante do propósito de contribuir pa-ra mudar o quadro de injustiça contra a comunidade indígena.
"Nunca tive medo porque sabia que Deus estava comigo. Tinha certeza que estava aqui cumprindo uma missão de serviço ao povo de Deus, ao povo daqui. Este povo era um pouco complicado porque tinham muitos índios e muitos brancos e têm culturas diferentes e cada grupo tem sua história e anseios divergentes".
ÍNDIOS - Dom Aldo afirma que não se sente à vontade para falar sobre os índios do Brasil, porque dedicou-se a conhecer com detalhe a história e vida dos daqui. "Ao participar de reuniões sobre a situação dos índios no Brasil, sempre dizia: Roraima não é assim, nós somos diferentes. Mesmo na sociedade branca, diferimos dos povos de outros estados. Temos uma visão diferente da realidade e aspira-ções que não sei se são adequadas. Até as pessoas que vêm de fora com outro pensamento, acabam assumindo as idéias das que aqui já estavam".
O bispo disse que ainda não teve tempo de analisar a atual situação do índio roraimense. Depois de visitar a maloca do Maturuca na úl-tima terça-feira, confessou ter ficado satisfeito com o crescimento social daquela comunidade. "Eles sabem o que querem e se prepa-ram para enfrentar o dia de amanhã, têm uma organização respeita-da. Naquela região das serras já existe um rebanho bovino de 11 mil rezes. Fiquei satisfeito não só pelo que realizaram mas pela atitude pessoal e coletiva que eles têm".
Ao lamentar o
ataque às madres na região do Amajarí, Dom Aldo disse que estes
fatos têm repercussão negativa fora do Brasil. Ele en-tende que
mesmo admitindo a possibilidade dos agressores terem alguma razão,
é incompreensível que chegassem ao extremo. "É preciso se
discutir os problemas. Depois haverá alguém com capaci-dade,
poder político e administrativo para resolver o problema."
Área contínua é decisiva para garantir integração
Para o bispo, o futuro dos índios depende da demarcação de suas
terras em área contínua. Acredita que se for permitido a esta
parcela da sociedade amadurecer o relacionamento com os não índios,
os resultados serão eficientes. Três ou quatro gerações
depois, eles teriam consciência sobre os valores da sociedade
envolvente e iriam querer desfrutar dos bens que quisessem.
Dom Aldo diz que vivendo sozinhas, as comunidades indígenas se habilitariam ao conhecimento, até do dinheiro. Argumenta que a in-tegração forçada, como é proposta pela sociedade, pode criar imen-sas dificuldades para a formação e consolidação do povo. Alega que a demarcação em ilhas é como dar a terra e permitir que as comuni-dades continuem sendo molestadas.
"Hoje em dia não trabalhamos mais como no tempo do colonialismo quando não se tinha conhecimento nenhum. Atualmente existem in-formações sociológicas e psicológicas profundas, com experiência em todo o mundo. É preciso respeitar as individualidades de cada um e aos poucos essas comunidades vão se integrando. Vejo que a demarcação das terras e homologação das que já estão demarcadas é a alternativa de viabilizarmos a integração dos índios de forma ra-cional. O relacionamento destas comunidades com a sociedade en-volvente terá que ser definida por lei".
POLÍTICA
- Numa demonstração de não mais querer se envolver com
a política regional, Dom Aldo disse que não tem como analisar a
situação do Estado. No período em que ficou fora recebeu notícias
mas em quantidade insuficiente para comentar aspectos políticos.
"Realmente não tenho nenhum conhecimento objetivo e seguro
para dizer alguma coisa".
Opressão aos índios determinou a atuação
Nascido no dia 1º de novembro de 1919, o bispo emérito de
Roraima não ficará aqui para comemorar seus 81 anos de vida.
Entre os dias 20 a 22/10, volta a Turim, onde diz ter compromissos
inadiáveis. Lembra da primeira vez que veio aqui em 1975,
atendendo pedido do papa, para liderar a Igreja roraimense.
Conta que chegou em 07 de outubro, sendo recebido pelo então go-vernador Ramos Pereira, padres e fiéis. No dia 09, foi empossado pelo arcebispo de Manaus e ficou algum tempo "sem fazer nada", até conhecer o que era Roraima. "Depois, o primeiro problema sério que apareceu, foi indígena, surgido numa assembléia em Surumú, onde estavam 140 tuxauas".
Foi lá que ele ouviu o relato do povo que era oprimido, sem chance de crescer porque os brancos o impedia de deliberar sobre seus pro-blemas. "Como não conhecia os índios, chamamos um padre para dar um curso a todos da Diocese, para sabermos o que era o proble-ma indígena e o que se poderia fazer para ajudá-los. A partir daí, do-cumentamos nossa visão da questão indígena e definimos as diretri-zes que iríamos adotar. Foi esta pauta que nos dirigiu em todo o tra-balho".
AO
POVO - Falando à sociedade
roraimense, Dom Aldo comen-tou: "Desejo ao povo de Roraima
que tenha felicidade, muita paz e prospere. Sou muito ligado a
esta terra. Não sou alguém que passou, foi embora e adeus. Vivi
aqui e regozijei com muitas coisas e lutei para tantas outras, de
forma que me sinto encarnado nesta realidade. Desejo que todos os
problemas sejam resolvidos do melhor modo. Que haja progresso, mas
construtivo. Para construir um país tem que se construir o coração
das pessoas. Se alguém quer fazer alguma coisa, deve ser dentro
de cada um. Diria à todos que fiquem atentos para as mudanças:
que sejam humanas, tenham justiça, fraternidade e o respeito a
todos".
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COBAIAS HUMANAS: Mozarildo denuncia uso de índios em testes de vacinas
Senador aponta ação irregular de organizações internacionais em áreas indígenas
O senador
Mozarildo Cavalcanti (PFL) voltou a denunciar em Plenário a ação
irregular de organizações internacionais em áreas indígenas na
Amazônia.
Segundo ele, pesquisadores e representantes de entidades
estrangeiras estão usando os índios como "cobaias" em
testes de vacinas com efeito desconhecido, e explorando imagens
das aldeias, amplamente veiculadas na Europa, de forma
indiscriminada.
Embora essa situação tenha sido denunciada em reportagens
recentes de revistas e jornais do país, Mozarildo disse que os
episódios se repetem desde a década de 80. Ele lembrou que nesse
período, enquanto exercia o mandato de deputado federal pelo então
território de Roraima, já alertava para o trabalho de uma
instituição externa que testava uma vacina contra a malária em
aldeia Ianomami.
"Na época,
a Funai (Fundação Nacional do Índio) negou o fato, mas o
assunto nunca foi esclarecido", comentou.
Assim como os testes clandestinos de vacina, a exploração de
fotos e imagens dos índios, que estaria sendo praticada pela
organização não-governamental Comissão para Criação do
Parque Ianomami e por um cineasta belga, também não teria sido
coibida pelo poder público.
Na opinião de Mozarildo Cavalcanti, a Funai "tem sido
conivente com essas organizações estrangeiras, que vêm fazendo
uma exploração absurda em áreas indígenas".
Diante desse quadro, o senador pefelista voltou a defender a
instalação da CPI das ONGs como única instância capaz de
apurar a fundo as práticas de biopirataria na Amazônia e o
contrabando de imagens de índios. "Só através da CPI
poderemos tentar normatizar as ações estrangeiras em áreas indígenas",
afirmou.
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Na tentativa de
conscientizar as comunidades indígenas da Gran Sabana, na
Venezuela, sobre a importância da Linha de Guri, uma vez que três
das 36 aldeias estavam tentando impedir a colocação das torres
na região, o presidente da Associação Regional Indígena dos
Rios Kinô, Contingo e Monte Roraima (Arikom), Gilberto Macuxi,
esteve no último dia 6 reunido com os tuxauas daquela região.
Como resultado da visita, conforme contou ontem Gilberto Macuxi,
foi definida a realização de uma assembléia na Aldeia Manikrii
entre os dias 1 e 3 de novembro, com a participação de organizações
indígenas brasileiras e venezuelanas.
Na assembléia, Macuxi disse que está sendo esperada a participação
de mais de 2 mil índios daquela região, com o objetivo principal
de elaborar um documento para o Governo Venezuelano, no sentido de
que seja garantido o cumprimento do tratado entre o Governo
daquele país e os índios quanto ao apoio do desenvolvimento dos
povos indígenas das comunidades de Gran Sabana, com a passagem da
Linha de Guri para Roraima.
"Conversei
com o tuxaua da Aldeia Manikrii, Carlos Perez, e membros da
Organização de Gran Sabana, e há uma tendência a que tudo se
resolva. Só depende agora do Governo Venezuelano cumprir com o
compromisso junto aos índios daquela região", avaliou.
Para tanto, Gilberto disse ainda que na Assembléia deverá haver
a presença de alguma autoridade venezuelana e do prefeito de
Santa Elena de Uairém, um indígena. Além dessas autoridades,
representantes brasileiros também vão participar da assembléia
através das entidades Arikam, Aliança de Integração para
Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima e
representantes do município de Normandia, com o vice prefeito e
alguns vereadores.
Quadro atual
De acordo com o presidente da Arikam, Gilberto Macuxi, que visitou
as comunidades indígenas de Gran Sabana, as quatro torres
derrubadas pelos índios continuam sem ser colocadas novamente,
por falta de entendimento entre o Governo Venezuelano e as
comunidades indígenas da região.
Mas além disso, Macuxi informou que por trás da atitude dessas
comunidades há também a influência da Igreja Católica e de
Organizações Não Governamentais. "Enquanto estivemos com
as lideranças indígenas de Gran Sabana, mostramos para eles a
importância do desenvolvimento tanto da população branca quanto
da comunidade indígena, com a instalação da Linha de
Guri", acrescentou.
Entre esses fatores defendidos por Macuxi frente às comunidades
indígenas de Gran Sabana, estão o desenvolvimento da
agricultura, pecuária e apicultura.
Reunião
brasileira
Antes da Assembléia na Venezuela, será realizada entre os dias
23 e 24 deste mês uma reunião na comunidade de Sorocaima I, com
o objetivo também de discutir a importância da Linha de Guri
para as comunidades indígenas. A realização do evento é da
Aliança para Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de
Roraima e da Arikom.
Durante os dois dias de reunião, estará presente, representando
o Governo do Estado, o deputado Gelb Pereira. "Vamos levar
todo o resultado dessa reunião no Brasil para os índios na
Venezuela, durante a Assembléia", disse Macuxi.
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O vice-presidente
da Fundação Nacional do Índio (Funai), Dinarte Madeiro, está
de volta a Boa Vista e ontem passou todo o dia trancado com
servidores do órgão, possivelmente discutindo as estratégias e
por que áreas deve ser começada a Operação Ianomami.
No mês passado ele esteve em Roraima e durante três dias
sobrevoou a reserva indígena Ianomami, comprovando que existem
homens garimpando na área.
Pela análise de Madeiro, há em torno de 500 garimpeiros na
terras indígena, quantidade que não exigirá uma mega-operação.
A Funai, no entanto, está decidida a retirá-los da reserva, que
tem 9,6 milhões de hectares.
Quando esteve
sobrevoando a área, Dinarte Madeiro passou pelos rios Couto
Magalhães, garantindo que viu balsas e até garimpeiros, passou
pelo rio Parima, região de Parafuri, a norte de Surucucu, rios
Ericó, Uraricoera, Mucajaí, Serra da Estrutura, região de
Homoxe. Ele comprovou a existência de várias pistas
clandestinas.
Em Catrimani, Apiaú, Ajanari, entre outras áreas, também foi
constatada a presença de garimpeiros e pistas clandestinas. Está
sendo esperado para hoje que ele anuncie o início da Operação
Ianomami.
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Apesar de Kopenawa insinuar que a doença pode ter sido contraída pelas índias através de relações sexuais com os militares em Surucucu, é possível que a contaminação possa ter sido levada por garimpeiros ou outros não índios que têm autorização para entrar na área.
Kopenawa contou
que as índias saem das malocas por volta das 17 horas e retornam
tarde da noite. "Algumas voltam de manhã. Quatro são
casadas e os maridos não reclamam porque elas trazem comida pra
casa", disse.
Entre os alimentos recebidos pelas índias estão farinha, arroz,
carne, bolacha, conserva e charque, segundo contou Kopenawa.
"Estamos preocupados agora é com a Aids", complementou.
Esta denúncia está sendo feita pela terceira. Ele voltou a tocar no assunto há duas semanas, durante o seminário realizado no município de Caracaraí, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente.
O líder indígena também disse que iria formalizar denúncia ao Conselho Distrital Yanomami. Este conselho é composto por membros da FUNASA (Fundação Nacional de Saúde), FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e Organizações não Governamentais (ONGS) que atuam na área indígena.
Ele disse que ter
conhecimento de três casos de índias que engravidaram de
brancos. "O chefe de posto da Funai no Surucucu tem filho com
índia. No Homoxi índia tem filho com garimpeiro. O soldado que
teve filho com índia já saiu de lá", contou.
Urihi
confirma 20 casos
Presidente da Urihi, Cláudio Esteves: primeiros casos notificados
em dezembro
O presidente da Urihi, Claúdio Esteves de Oliveira, disse que os
casos começaram a ser notificados em dezembro do ano passado.
"Foram registrados 20 casos de gonorréia que estão sendo
tratados com o medicamento em dose única. "Há três meses
entreguei um relatório para Funasa", afirmou.
Esteves disse que
não pode afirmar com certeza com quem as índias contraíram a
doença. "Sabemos que existe contato com garimpeiros, com os
próprios funcionários da Urihi e também do Exército",
disse ao enfatizar que a função da organização é dar assistência
aos indígenas.
Claúdio Esteves contou que há cerca de 30 dias a entidade
formalizou denúncia à Funai sobre um grupo de garimpeiros.
Segundo ele, os garimpeiros haviam perseguido as índias na mata.
"Eles estavam correndo atrás das mulheres", reforçou.
"São cerca de dois mil garimpeiros em área. O maior problema é que estão clandestinamente, ou seja, não existe nenhum controle por parte do poder público", criticou ao comentar que a Funai se comprometeu em fazer a retirada dos garimpeiros nos próximos 20 dias.
DOENÇA
Segundo explicou Esteves, que também é médico, uma das preocupações da entidade é que nas mulheres a gonorréia costuma ficar incubada por muito tempo. A doença pode se proliferar a cada relação sexual.
"No homem, aparece nos quatros primeiros dias. Na mulher se prolonga por muito tempo, ficando até a vida inteira sem se manifestar, já que a bactéria fica no colo do útero", complementou.
Com relação a denúncias de supostos envolvimentos de militares, Esteves disse que vem se percebendo um esforço grande para coibir esses problemas. "Eles não permitem que um soldado saia do pelotão desacompanhado. Além disso, estão disposto a ouvir qualquer instituição sobre o assunto", salientou.
Para Esteves, as relações sexuais entre índios e brancos não se trata de um problema moral, mas de saúde e social. "É de saúde porque geralmente elas são praticadas sem uso do preservativo; e social porque acaba gerando conflitos entre as comunidades", observou.
Exército diz ser impossível militares transmitirem doença
O Exército em Roraima disse que é impossível as índias terem
contraído a doença dos militares porque, além de todos eles
entrarem em aérea depois de submeterem-se a um check-up médico,
recebem regularmente visita dos médicos.
Afirmou ainda que
atualmente a norma no Pelotão é que todo soldado saia em dupla,
depois de autorizado pelo comandante e com missão específica a
cumprir. Disse também que para evitar esses problemas, o soldado
vem a cidade a cada três ou quatro meses.
A instituição questionou o fato de se culpar o Exército, quando
existem várias pessoas a serviço na reserva indígena. Comentou
inclusive a presença de um grupo de homens que estão instalando
os radares do projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).
O Exército
lembrou que os casos de abuso sexual que aconteceram no passado,
os responsáveis foram punidos com a expulsão. Garantiu que situações
semelhantes que venham ocorrer que os culpados serão reprimidos
com severidade.
FUNAI
A Folha procurou
a Funai para saber as providências que o órgão iria tomar em
relação a denúncia. O administrador Martinho Alves mandou dizer
pela secretária que "não iria dar declaração para
imprensa porque essa era uma orientação de Brasília".
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O assessor de comunicação, Cid Furtado não soube informar o número de equipes e nem de funcionários envolvidos na retirada dos garimpeiros. Anunciou que servidores lotados na Funai do Amazonas, devem participar da ação.
Segundo ele, além
da retirada, as equipes vão fazer a fiscalização e manutenção
da área para evitar novas invasões e confrontos entre índios e
garimpeiros. "A fiscalização e manutenção é para não
deixar que pensem que não temos controle", disse o assessor.
Ele não soube informar qual o número de garimpeiros que estariam
na reserva. Acredita-se que tenha de 500 a mil homens. De acordo
com ele, da operação não deverá participar nenhum funcionário
lotado em Brasília.
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BRASÍLIA - O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Igreja Católica, requisitou ontem do ministro da Defesa, Geraldo Quintão, o relatório confidencial da Aeronáutica sobre tensões na fronteira do Brasil com a Colômbia. O vice-presidente da entidade, Saulo Feitosa, disse que vai processar o governo se confirmar a existência de documentos oficiais que tratem da integração dos índios à sociedade nacional conforme aponta o relatório.
"A política integracionista está superada desde a Constituição de 1988 porque tratava os índios como categoria provisória a ser extinta", disse o vice-presidente do Cimi. "A Constituição estabelece o respeito aos costumes e às tradições indígenas e obriga a União a preservá-los."
O relatório, divulgado com exclusividade pelo JORNAL DO BRASIL, enquadra a atuação do Cimi e de organizações não-governamentais (ONGs) como fator de tensão na fronteira entre os dois países. O documento propõe uma "mudança da perspectiva estatal de integrar os índios ao ambiente social nacional para uma perspectiva de cooperação e convivência."
Na semana passada, a questão indígena da Amazônia foi abordada por comandantes militares da região durante a IV Conferência Ministerial de Defesa das Américas realizada em Manaus. O evento foi dominado por discussões sobre o Plano Colômbia, programa de erradicação do narcotráfico apoiado pelos Estados Unidos.
Segundo Feitosa, a idéia integracionista só pode ser admitida se o documento da Aeronáutica tiver se baseado no Estatuto do Índio, elaborado em 1973 e voltado à integração do índio. "Vamos querer saber em qual documento a Aeronáutica se baseou para escrever isso", afirmou ele.
O relatório também aponta o "agravamento das tensões" na fronteira em razão de o Cimi e as ONGs defenderem a criação de reservas indígenas "supranacionais" e "intocáveis" que facilitariam o refúgio de grupos guerrilheiros como os das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "As terras indígenas são áreas da União. Se o Estado brasileiro permite a entrada de guerrilheiros, a culpa não é dos índios", disse Feitosa.
O documento da Aeronáutica afirma ainda que o Cimi defende a "autodeterminação dos povos indígenas" e faz "combate sistemático à política indigenista do governo". Segundo o vice-presidente do Cimi, "essas informações são equivocadas". Para Feitosa, a autodeterminação dos povos não significa a criação de Estados independentes. "Queremos que os índios sejam autônomos, mas que tenham cidadania brasileira", esclareceu. "Mas também queremos que o governo cumpra a Constituição em relação aos índios."
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RESERVA INDÍGENA: Neudo diz que interdição da 174 é um insulto à soberania
Governador faz palestra para oficiais do Exército e condenou atitudes da Funai
"A
interdição temporária da BR-174, no trecho da reserva indígena
waimiri-atroari, durante doze horas por dia, é um acinte, um
insulto à soberania nacional", denunciou o governador Neudo
Campos durante palestra que proferiu anteontem à tarde, no auditório
da 1ª. Brigada de Infantaria de Selva a uma comitiva
de oficiais – instrutores e alunos – que participam do Curso
de Altos Estudos Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do
Exército (ECEME).
Neudo foi muito questionado pelos oficiais do Exército sobre
quais medidas o Governo do Estado estaria tomando para impedir o
esquadrinhamento do território roraimense pela FUNAI para a
demarcação das áreas indígenas. "Tenho fundadas esperanças
de que a questão da demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol nós
possamos levar para o Congresso Nacional, que é o fórum mais
adequado, onde os debates se alargam e onde nós teremos a
oportunidade de provar que o Estado não pode comprometer mais de
43 por cento do seu território, como é o nosso caso, com
comunidades indígenas que significam apenas sete por cento da
nossa população", explicou o governador.
Ele observou ainda que o problema das comunidades indígenas de Roraima "não é absolutamente extensão de terra; os índios têm isso em abundância. O problema dos índios é o social, nós temos que apoiá-los mais na saúde, na educação e, principalmente, na produção de alimentos. Isso é o que eles precisam, porque é nisso que reside a sua maior fraqueza".
INVIÁVEL
Depois de afirmar que com as áreas pretendidas pela Funai e as
que já estão demarcadas, Roraima se tornará um Estado inviável
para o aproveitamento de suas terras para a agricultura e a pecuária
de corte, Neudo criticou duramente a Funai. "Uma instituição
como a Funai, comprometida com as Organizações não
Governamentais – as ONGs -, não pode se sobrepor à Constituição
Federal", avisou o governador. "Não sabemos onde
termina a FUNAI e começam as ONGs, tanto é o comprometimento
desse órgão com essas entidades estrangeiras e nacionais",
ironizou.
Para o governador Neudo Campos, a interdição da BR-174, no
trecho da reserva waimiri-atroari "é um acinte, um insulto
à nossa soberania nacional. Uma estrada federal não pode, por
determinação de uma instituição como a FUNAI, funcionar metade
do dia, metade do ano, o que compromete o princípio
constitucional do ir e vir".
Neudo
defendeu a união dos parlamentares da Amazônia na defesa dos
interesses da região, ao ser questionado por um dos
oficiais-aluno sobre a participação parlamentar regional nas
discussões de temas amazônicos. Neudo observou que a Amazônia
é integrada por nove estados, com 27 senadores, um terço do
Senado Federal. "Contudo – observou - essa força não foi
capaz de dar à Amazônia um Ministro. O Ministro do Meio Ambiente
não conta, porque foi uma decisão política do Governo
Federal". Neudo lembrou que o Nordeste tem consciência de
sua importância política no Parlamento Brasileiro, "talvez
hoje tenha reconhecido que errou bastante no passado, e atua mais
harmonicamente em defesa dos seus interesses".
O que dificulta a união das bancadas da Amazônia, na visão do
governador, é que os deputados federais defendem apenas os
interesses individuais de cada Estado. "Somos totalmente
desunidos. Devíamos seguir o exemplo do Nordeste", ponderou.
Para ele, a questão indígena diz respeito à Amazônia e não
somente a Roraima. "No nosso caso, disse, 43 por cento do
nosso território já está comprometido com as áreas indígenas,
e se a Funai conseguir demarcar as áreas pretendidas, então
teremos 57 do nosso território comprometido". Neudo disse
ainda que o lado Leste do Estado e o Norte estão fechados pelas
áreas indígenas, o mesmo ocorrendo com o lado Oeste, com os
Ianomami.
"Temos
que mudar isso. Aliás, a quem compete mudar essa política
indigenista?", perguntou. Neudo insistiu na tese de que a
questão das demarcações de áreas indígenas tem que ser
tratada pelo Congresso Nacional. "Se o índio ficar isolado
em sua terra, como vamos poder ajudá-lo?", questionou,
afirmando que o índio tem direito à terra, "mas destinar
1.700.000 hectares para cinco mil índios ‘é um fato inaceitável’",
disse, referindo-se à área pretendida da Raposa/Serra do Sol.
Neudo lembrou que tem sido execrado pela Igreja Católica, pela
FUNAI, pelas ONGs, ambientalistas e indigenistas por ser contra a
demarcação da Raposa/Serra do Sol em área contínua.
"Estou sendo execrado, mas vou continuar a brigar para que a
área seja demarcada em ilhas. E se isso me causar uma derrota
eleitoral não interessa, porque sei que estou defendendo o melhor
para Roraima", afirmou.
Questionado por que o Estado não busca uma solução mais direta – no Judiciário, por exemplo – para resolver a questão indígena em Roraima, Neudo explicou: "Estamos questionando na Justiça a demarcação da Raposa/Serra do Sol e a interdição da BR-174". O governador fez uma análise sobre o comportamento dos índios de Roraima. Segundo ele, "os ianomami são índios primitivos, e se tentarmos colocá-los em contato com a sociedade será a sua destruição total, será a sua morte. Já os demais indígenas, são pessoas com o Terceiro Grau, que votam e são votados nas eleições, são professores; são diferentes dos ianomami. Por isso, a sua integração à sociedade e um fato irreversível, porque são índios que têm televisão, que têm carro. O grande problema deles é a produção de alimentos, e isso nós estamos levando a eles, a tecnologia para melhorarem a sua produção agrícola; estamos colocando insumos nas mão deles. Essa integração, repito, é irreversível".
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De acordo com o chefe da Divisão de Pesquisa do IBGE, Vicente Joaquim de Paulo, nas áreas indígenas dos municípios de Normandia, Uiramutã e Pacaraima os recenseadores esbarram na resistência dos tuxauas. "Os recenseadores vão várias vezes em uma aldeia para poder ser permitida a entrada. As vezes eles chegam onde está havendo alguma comemoração e o tuxaua não permite a entrada, marca para outro dia e por outro motivo também não é permitida a entrada", comentou.
Nas áreas indígenas no sul do Estado e na área yanomami, segundo o servidor do IBGE, não houve resistência e os trabalhos já foram concluídos. Os da área yanomami estão sendo analisados. Dos 15 municípios do Estado, apenas em dois os trabalhos de pesquisa foram concluídos, São João da Baliza e Caroebe. "Além dos municípios serem pequenos, os recenseadores conheciam bem a região e facilitou o trabalho", declarou.
Segundo Vicente de Paulo, nos próximos dias devem ser concluídas as pesquisas nos municípios de Bonfim, Iracema e São Luiz do Anauá. Em Normandia está dependendo de uma maloca. Em Boa Vista 60% da população já foi recenseada. Desde setembro os recenseadores trabalham até nos finais de semanas e à noite, na expectativa de concluírem suas tarefas. "Os recenseadores estão procurando horários alternativos para encontrar as pessoas em casa", declarou.
Após
a conclusão desta primeira fase, em novembro será feita uma
"operação pente fino" com o objetivo de recensear os
moradores que não foram encontrados no período da pesquisa e não
procuraram o órgão. Apesar de não ter feito nenhum estudo
detalhado sobre os dados coletados, a expectativa do chefe da
Divisão de Pesquisa do IBGE é que a taxa de crescimento do
Estado, fique em torno de 4% quando o esperado era acima de 6%.
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O curso acontece até sexta-feira ministrado para 28 agentes de saúde, cada um responsável por um pólo base de saúde, uma espécie de posto médico nas comunidades indígenas. Os participantes fazem atendimentos básicos de saúde aos povos: Macuxi, Ingaricó, Wapi-xana, Taurepang e Wai-Wai.
Segundo a coordenadora do curso, Patrícia Capelossi, a intenção é alertar sobre os perigos de doenças como gonorréia, sífilis e AIDS entre outras e dar publicidade aos números alarmantes confirmados no Brasil. Ela disse que o país ocupa atualmente o terceiro lugar mundial em número de casos de AIDS.
Até 1992, o Ministério da Saúde (MS) registrou 35 mil casos notifi-cados. No final de 1996, já eram mais de 88 mil casos. "Isto é ainda pior quando sabemos que no Brasil, apenas metade dos casos de AIDS são registrados e notificados ao MS, tornando a realidade muito mais grave. O Ministério da Saúde calcula que em 2001 serão 8 milhões de brasileiros infectados pela AIDS", informou Patrícia.
Durante os cinco dias de curso serão abordados assuntos como: descoberta da sexualidade; mudanças físicas na puberdade; medos exis-tentes na adolescência; crescimento dos seios nas meninas; sexo: quando? como? por que?; virgindade: a primeira vez e prazer sim, mas com segurança.
"Explicamos
tudo sobre as doenças, modo de prevenção, mas pri-meiro
trabalhamos o assunto da sexualidade para depois entrar no tema
das doenças porque os indígenas ainda têm muitos tabus a serem
quebrados. Esperamos que eles entendam os temas e passem para
outros indígenas com intuito de prevenir essas doenças",
disse Patrícia.
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