Biodiversidade contrabandeada

Por nossas fronteiras secas, rios e ares vão embora a cada ano 38 milhões de animais silvestres. No Brasil, vivem presos em casas e apartamentos 20 milhões de bichos tirados com brutalidade de seu hábitat.

No mundo, este crime movimenta de U$10 a 20 bilhões por ano, e hoje, é a terceira maior atividade ilícita do planeta. No Brasil, representa algo em torno de U$ 1 bilhão e 500 milhões.

O tráfico de animais silvestres movimenta de U$10 a 20 bilhões por ano no mundo e é a terceira maior atividade ilícita do planeta. No Brasil, representa algo em torno de U$ 1 bilhão e 500 milhões, e calcula-se que todo ano são contrabandeados por nossas fronteiras cerca de 38 milhões de animais silvestres.

Grande parte desse total é levado para fins de biopirataria. Os venenos das serpentes, por exemplo, são pesquisados para servirem de princípios ativos a remédios hipertensivos, fabricados e patenteados por outros países. E quanto mais novos medicamentos e cosméticos surgem, mais atraente torna-se buscar aqui o que falta lá.
"Às vezes são pequenos laboratórios privados, às vezes, grandes indústrias farmacêuticas financiadas por corporações do Japão, Inglaterra, EUA e outros países da Europa", afirma Dener Giovanini, coordenador da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais - Renctas.

De acordo com Dener, a biopirataria é facilitada até por instituições brasileiras: "Universidades mantêm parcerias ilegais com instituições estrangeiras, facilitando a circulação de pesquisadores que chegam ao Brasil e levam na mala nossa biodiversidade".

A biopirataria é facilitada pelo lucro fácil de quem contrabandeia animais silvestres. Segundo a Renctas, uma jararaca custa U$ 1 mil; uma aranha-marrom, U$ 800; sapos amazônicos, de U$ 300 a U$ 1.500; besouros, de U$ 450 a 8 mil.

Crime entre vizinhos

A Renctas foi responsável pelo 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre feito no país. Depois de um ano de trabalho, os pesquisadores concluíram: a situação é pior do que se imaginava. O crime contra a fauna está ganhando território.

Uma quantidade enorme de animais é contrabandeada para países não-signatários da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens em Perigo de Extinção - Cites, e até para países que fazem parte dela. O contrabando é muito comum entre países vizinhos do Brasil, afinal, é fácil passar pelas fronteiras e chegar na Argentina, Bolívia, Guiana, Paraguai, Suriname e Uruguai.

As fronteiras da Amazônia são importantes áreas de retirada dos animais, facilitada ainda pela ausência de fiscalização. Segundo a pesquisa da Renctas, alguns animais, quando chegam lá fora, têm a documentação "esquentada" e podem ser comercializados sem problema para laboratórios, circos, zoológicos ou excêntricos milionários que desejam bichinhos de estimação exóticos.

Conheça os países que comercializam ilegalmente a vida selvagem.

Brasil
Peru
Argentina
Venezuela
Paraguai
Bolívia
Madagascar
Kenya
Senegal
Camarões
Guiana
Colômbia
África do Sul
Zaire
Tanzânia
Indonésia
India
Vietnã
Malásia
China
Rússia

EUA (maior consumidor de vida silvestre do mundo)
Alemanha
Holanda
Bélgica
França
Inglaterra
Suiça
Grécia
Bulgária
Arábia Saudita
Japão


 

 
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