Centro
pesquisará biodiversidade
13/12/2002
Pesquisas começam junto à indústria de higiene pessoal e comésticos.
O ministro do Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior, Sérgio
Amaral, inaugurou ontem o prédio do Centro de Biotecnologia da
Amazônia (CBA), localizado no distrito industrial de Manaus.
Amaral também autorizou a Superintendência da Zona Franca de
Manaus (Suframa) a realizar a licitação para a compra de
equipamentos para os primeiros dos 26 laboratórios, no valor de
R$ 3,5 milhões, e assinou um termo de cooperação técnica com a
Associação Brasileira de Indústria de Higiene Pessoal, Perfumes
e Cosméticos (Abihpc) voltado à elaboração de um projeto de
participação do segmento no CBA.
O CBA está sendo desenvolvido
pelos Ministérios do Desenvolvimento, da Ciência e Tecnologia e
do Meio Ambiente, para prover tecnologias que agreguem valor às
matérias-primas da biodiversidade amazônica. O prédio custou R$
12 milhões e a montagem dos laboratórios consumirá outros R$ 20
milhões. Sergio Amaral disse que o CBA terá um modelo de gestão
com a participação do governo, das instituições de ensino e
pesquisa e das empresas. "O que foi feito em termos de
pesquisa só terá valor se for aproveitado pelas empresas",
afirmou Amaral.
As prioridades do CBA se concentram
nas áreas de cosméticos, fármacos e fitoterápicos e de
extratos. Os recursos para os projetos virão dos três ministérios,
dos fundos setoriais, e da contrapartida empresarial. Os meios
para a criação de uma base tecnológica atrairão os três
segmentos para formar um pólo bioindustrial em Manaus. "O
Brasil tem que dar uso às riquezas que possui e isso só pode ser
feito por meio de pesquisa", comentou o ministro.
Para atender à demanda de capital
intelectual, a Suframa, autarquia vinculada ao Ministério do
Desenvolvimento, fez parcerias com instituições de ensino e
pesquisa da região para formar especialistas em biotecnologia e
demais áreas exigidas para o pleno funcionamento do CBA.
Fase industrial
O presidente da Abihpc, João
Carlos Basílio, disse que o CBA fará a mudança da fase
artesanal do uso da biodiversidade amazônica para a fase
industrial. "O mercado exige benefícios comprovados ao
consumidor". Basílio informou que 400 produtos vendidos no
Brasil contêm óleos e extratos com origem nessa rica
biodiversidade. O uso de produtos naturais, conforme lembrou, é
uma tendência em todo o mundo. Pelo menos 7% dos consumidores
preferem usar produtos naturais. Na Alemanha, esse índice chega
15%.
A Abihpc representa um universo de
200 companhias. Basílio assegurou que essas empresas estão
dispostas a investir no CBA porque a agregação de novas matérias-primas
em seus produtos é um poderoso diferencial de mercado. O segmento
movimenta cerca de US$ 195 bilhões/ano no mercado mundial,
enquanto as exportações brasileiras somam apenas US$ 147 milhões.
O faturamento interno do segmento foi US$ 8,6 bilhões, no ano
passado.
O primeiro desafio do CBA, para o
empresário, será o de reunir todas as pesquisas da
biodiversidade amazônica realizadas até agora pelas
universidades e institutos de pesquisa em um grande programa de
desenvolvimento tecnológico.
Para Basílio, outro benefício do
CBA será a criação de empregos em atividades sustentadas na
Amazônia. Ele citou que um projeto piloto da Natura na região já
ocupa cerca de cinco mil pessoas, mas poderá atingir entre 600
mil ou 700 mil. Ou seja: o uso da matéria-prima regional criaria
focos de ocupação em várias partes da Amazônia, para estagnar
a migração do campo para os grandes centros. Em Manaus, por
exemplo, vivem mais de 1,5 milhão pessoas, enquanto um pouco mais
de um milhão está em 61 municípios.
Basílio disse que a demanda por
matéria-prima regional nas linhas de produtos de higiene pessoal,
perfumes e cosméticos é imensa, como pode constatar novamente em
recente viagem ao Acre.