Indústria veterinária vai faturar menos
 
      São Paulo, 13 de Dezembro de 2002 - A indústria veterinária vai faturar US$ 620 milhões em 2002, desempenho 2,6% menor que o registrado em 2001, quando a receita atingiu US$ 636,6 milhões. A retração reflete a variação cambial, uma vez que 50% das matérias-primas usadas pelos laboratórios de produtos de saúde animal são importadas.

      O desempenho projetado para 2002 é também o mais baixo resultado da indústria veterinária nos últimos nove anos. "Houve forte retração da economia neste período, o que dificultou o repasse dos preços", explica Nilsom da Silva Pereira, diretor-executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindam), entidade que reúne laboratórios veterinários que atuam no Brasil.

      Avanços tecnológicos

      Segundo Pereira, com os avanços tecnológicos da última década, os produtos se tornaram mais eficazes, o que implica uma redução do volume utilizado. Para o próximo ano, a expectativa é de estabilidade.

      "Nossas projeções são conservadoras. Queremos manter o mercado." Se por um lado a redução da taxa cambial pode vir a favorecer o aumento do faturamento do setor em real, por outro existe forte tendência de queda nas vendas de produtos fitoterápicos, "uma vez que o produtor melhora a cada dia o manejo e a sanidade dos rebanhos para evitar a doença dos animais."

      Já as vendas de produtos biológicos, que responde por 26% do faturamento do setor, está atrelada ao crescimento dos rebanhos de aves, suínos e bovinos.

      "Se o rebanho não aumenta, as vendas se mantêm estagnadas". O aumento das exportações de carnes e o crescimento das vendas de vacinas contra febre aftosa em 2003 podem causar impacto positivo no faturamento do setor.

      Para Emilio Carlos Salani, presidente do conselho de administração do Sindan, são vários os fatores que contribuíram para sustentar o faturamento da indústria em patamares próximos aos de 2001. Entre eles, destaca o excelente desempenho das exportações de carnes, a sustentação dos preços médios do boi gordo no mercado interno, a venda recorde de vacinas contra febre aftosa - que devem somar 325 milhões de doses este ano, contra 317 milhões em 2001 - e o sólido crescimento do segmento de pequenos animais.

      Por outro lado, além da variação cambial, a falta de rentabilidade dos produtores de frangos, ovos, suínos e leite contribuiu para inibir as vendas. As vendas cresceram 10% em reais este ano, mas foi possível repassar somente parcela do aumento do dólar aos preços dos medicamentos, já que os produtores de frangos, ovos, carne suína e leite passaram a maior parte do ano no vermelho.

      "A evolução de custos como milho e farelo de soja prejudicou sensivelmente a rentabilidade dos avicultores", diz Emilio Salani.

      O Brasil é hoje a sexta maior industria veterinária do mundo e representa apenas 3,26% do mercado global. "É muito pouco para o País que produz 7,2 milhões de toneladas de carne bovina, 7,3 milhões de toneladas de frangos, perto de 2 milhões de toneladas de carne suína e 21 bilhões de litros de leite", diz.

      Exportações

      O Ministério da Agricultura prevê alta de 10% nas exportações brasileiras de carnes para US$ 3,14 bilhões, em relação aos US$ 2,87 bilhões de 2001. Em volume, as vendas devem crescer 33%, para 2,15 mil toneladas, em relação a 2,85 mil toneladas do ano anterior.

      (Gazeta Mercantil/Página B16)(Luciana Franco)

 

 

 

 

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