Inpa reativa unidades na Amazônia com o suporte de parceiros
 
      Manaus, 13 de Dezembro de 2002 - O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) está reativando seus núcleos no Acre, no Pará e em Rondônia. "Estamos reconstruindo a amazonização do Inpa", disse ontem o diretor da instituição, cientista Marcus Barros. A única unidade do Inpa fora de Manaus, atualmente, é a de Roraima. Barros informou que o orçamento previsto do Inpa para o próximo ano é de R$ 16 milhões.

      Para superar a carência de dinheiro, o Inpa está costurando parcerias com instituições de pesquisa, empresas e governos interessados na produção de novos conhecimentos na e sobre a Amazônia. Barros disse que a instituição não teria como cumprir suas metas de expansão sem esse tipo de apoio. "Para trabalharmos com certa folga, precisaríamos do triplo do valor do orçamento de 2003."


      Barros explicou que os núcleos, que funcionaram em décadas anteriores, foram desativados por falta de dinheiro. Agora, segundo ele, há um novo entendimento sobre a necessidade de investimentos em ciência na Amazônia. Barros disse que os prováveis parceiros se sentirão mais seguros se forem colocados diante de projetos em andamento. O Inpa conta ainda como ponto favorável com o fato de ter se transformado em referência mundial em estudos sobre flora, fauna e meio ambiente amazônicos no decorrer de seus 50 anos.

      No Acre, o Inpa estará associado ao Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre. A Superintendência da Zona Franca de Manaus destinará R$ 320 mil à construção da base física do núcleo. "Atuaremos em pesquisas sobre sistemas agroflorestais, entomologia, botânica, tecnologia de sementes e solos", disse a pesquisadora Sônia Alfaia, responsável pelo núcleo do Inpa no Acre.

      Nos anos em que atuaram no Acre - da década de 60 a meados de 80 -, pesquisadores do Inpa criaram tecnologias nas áreas da agricultura e da saúde. Foram identificadas e catalogadas 100 espécies de frutas regionais nativas do Acre com potencial de industrialização. Ao mesmo tempo, os pesquisadores introduziram no território o cultivo da pupunheira, cujo fruto é usado na fabricação de óleo comestível e ração animal. Há três anos, pesquisadores atuam no projeto de Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado do município de Nova Califórnia, financiado pelo PPG7. Tecnologias de melhoria do solo e de controle de pragas aumentaram a produtividade do consórcio agroflorestal de pupunha, cupuaçu e castanha-do-brasil.


      No momento, as 340 famílias do projeto estão instalando um usina de processamento de adubo da casca do cupuaçu e potássio, responsável pelo aumento de 70% da produtividade dos consórcios. Os pesquisadores também conseguiram reduzir de 70% para 12% os ataques de uma larva conhecida como "broca do cupuaçu". "Essas tecnologias serão sistematizadas e repassadas a agricultores da região", disse Sônia.


      No Pará, o Inpa terá um núcleo em Santarém e desenvolverá projetos em parceria com Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, Universidade do Estado do Pará, Museu Paraense Emílio Goeldi e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. O núcleo funcionará num dos prédios que pertenceu à extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). No período de 87 a 86, pesquisadores do instituto realizaram estudos de impacto ambiental na hidrelétrica de Curuana, no oeste paraense, que se tornaram fonte de conhecimento para o setor, uma vez que se tratou da segunda hidrelétrica na Amazônia brasileira.

      O meio ambiente continua sendo a área de maior interesse do Inpa nessa região do Pará, cada vez mais pressionada pela expansão das atividades econômicas. Haverá, nesse segmento de pesquisa, interface com os estudos realizados pelo LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), projetado para gerar novos conhecimentos para entender o funcionamento climatológico, ecológico, biogeoquímico e hidrológico da Amazônia, o impacto das mudanças no uso da terra nesses funcionamentos e as interações entre a região e o sistema biogeofísico global da terra.

      (Gazeta Mercantil/Página C6)(Wilson Nogueira)

 

 

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