Preço do café cai 10% em trinta dias
 
      São Paulo, 13 de Dezembro de 2002 - Chuvas nas regiões produtoras do Brasil provocaram as quedas na bolsa de Nova York. As cotações futuras do café arábica acumulam queda de 9,6% nos últimos 30 dias na bolsa de Nova York. Só nesta semana a baixa atinge 10%. O principal motivo, segundo traders, é a perspectiva de melhora na safra do Brasil, na medida em que as chuvas dos últimos dias teriam beneficiado as lavouras. "O clima agora só beneficiará a próxima lavoura, a ser colhida em 2004", diz Oswaldo Henrique Paiva Ribeiro, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC).

      Ontem, os contratos para março do café fecharam a 60,55 centavos de dólar por libra-peso, em queda de 1,20 centavo no dia, ou 1,9%, e baixa de 10% na semana na Coffee, Sugar and Cocoa Exchange (CSCE). O café arábica, porém, ainda acumula alta de 22,9% no ano.

      Queda no Brasil

      No mercado interno, os preços dos cafés finos tipo exportação recuaram 7,7% na última semana, segundo dados do Escritório Carvalhaes, de Santos (SP). Ontem, os cafés eram negociados em média a R$ 180,50 por saca, em relação aos R$ 195,50 na última sexta-feira.

      Ribeiro informa que a próxima colheita deverá ser 50% menor do que a colhida neste ano. A previsão oficial do governo brasileiro é de que a atual safra, a 2002/03, totalizou 44,6 milhões de sacas. Como o café é considerada uma cultura com ciclo bianual, a próxima safra - a ser colhida a partir de maio de 2003 - normalmente seria inferior. "Além disso, houve problemas de falta de chuvas", diz.

      O mercado internacional trabalha com números bem acima desse patamar. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima uma colheita de 51,5 milhões de sacas. "Há estimativas até superiores para a safra e o mercado utilizou esses dados nas últimas semanas, fazendo com que as cotações caíssem", diz Rodrigo Correa Costa, operados da Fimat Futures, corretora de Nova York.

      "Números divulgados essa semana mostram que a próxima colheita, a 2003/04, será de 32 milhões de sacas, acima do que o estimado pelo setor produtivo", diz Costa. Na opinião de Ribeiro, a próxima safra será muito inferior, mas prefere aguardar a divulgação da estimativa, marcada para a próxima semana pelo Ministério da Agricultura em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

      Outro fator baixista para o mercado, na opinião de Costa, é que o Vietnã, maior produtor de café tipo robusta, já colheu 50% de sua produção e a pressão só não foi maior porque há intermediários entre os produtores e os exportadores.

      Reunião no CDPC

      Quarta-feira o setor discutiu em Brasília o programa de venda de opções de café para os meses de julho e dezembro de 2003 no Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC), que reúne representantes da iniciativa privada e do governo.

      Segundo Manoel Bertone, vice-presidente do CNC, o assunto está sendo discutido. As vendas de opções são na prática uma política de garantia de preços mínimos para os cafeicultores, na medida em que eles compram o direito de vender sua produção para o governo por valor pré-determinado.

      Os primeiros contratos de opções para o café, implantados em agosto, venceram neste mês de dezembro e há outras opções para março e foram considerados um sucesso. À época, diz Ribeiro, os preços do café oscilavam em R$ 90 e depois subiram muito. Como as opções estavam fixadas em R$ 130, o governo não precisou comprar nada porque o mercado pagava mais. "O produtor não precisa exercer a opção, se assim preferir", informa Manoel Bertone.

      As cooperativas financiaram a maior parte dos contratos de opção de venda de café. "Cerca de 80% dos financiamentos foram efetuados pelas cooperativas", diz.

      Ceticismo

      O mercado, porém, ainda considera que a política cafeeira esteja indefinida. "Não sabemos se o próximo ministro, que ainda não se sabe qual é, manterá a venda dos contratos de opção ou se continuará com os recursos para a retenção voluntária", diz Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes.

 

 

 

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