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PIB agropecuário cresceu 5,95% entre janeiro e outubro;
estimativa para o ano é de que alcance R$ 365,5 bilhões
19 de Dezembro
de 2002
O PIB agropecuário
cresceu 5,95% entre janeiro e outubro; estimativa para o ano é
de que alcance R$ 365,5 bilhões.
O Produto
Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro cresceu 5,95%
entre janeiro e outubro, projetando que o setor encerrará o ano
com PIB total de R$ 365,53 bilhões. Em 2001, o PIB do agronegócio
cresceu apenas 0,81%, atingindo R$ 344,95 bilhões, ou seja, R$
20,6 bilhões a menos que a estimativa firmada para o resultado
global para este ano.
As projeções
são da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
(CNA), que considera, ao elaborar o PIB do agronegócio, os
setores da agricultura e pecuária, mas também outros
segmentos, como os de insumos, da agroindústria e da distribuição.
O crescimento do PIB do agronegócio representa aumento de renda
para o produtor
.
"São os melhores índices
de crescimento desde 1995, quando começamos a preparar a série
histórica", disse o chefe do departamento econômico da
CNA, Getúlio Pernambuco. O economista disse que foi a
agricultura a apresentar o melhor desempenho, devendo fechar
2002 em PIB de R$ 61,84 bilhões, crescimento de 13,37% na
comparação com os R$ 54,54 bilhões de 2001.
Os resultados
da pecuária também apresentam alta, mas em ritmo mais lento,
de 2,59%, devendo encerrar o ano com 46,02 bilhões, contra R$
44,86 bilhões em 2001. Em 2001, o PIB da agricultura só
cresceu 0,62%; e o da pecuária, 0,81%.
Para Pernambuco, em 2003 deverá
haver continuidade no processo de crescimento de renda do setor
agropecuário. Há expectativa de colheita de safra de grãos de
106 milhões de toneladas, que chega ao mercado em momento de
redução de estoques globais. Os EUA, diz, calcularam queda de
15% nos estoques mundiais de trigo em 2003.
A queda, diz Pernambuco, é de
20% para o arroz; 23%, ao milho; e 9%, na soja. Com isso, há
previsão de que as exportações do complexo soja saltem de US$
5,7 bilhões, conforme estimado para este ano; para US$ 7,5 bilhões,
em 2003.
Valor da produção
A CNA divulgou o Valor Bruto da
Produção agropecuária brasileira (VBP), que representa
acompanhamento do faturamento bruto de 25 produtos, como soja,
arroz e carnes. O estudo indica que o VBP geral agropecuário
cresceu 10,8%, o que permite projetar faturamento de R$ 119,232
bilhões, contra R$ 107,588 bilhões no ano passado.
O VBP agrícola cresce em 16,1%,
e deve atingir R$ 73,315 bilhões este ano; frente a R$ 63,162
bilhões de 2002. O VBP da pecuária cresce 3,4%, devendo fechar
o ano em R$ 45,917 bilhões, contra R$ 44,426 bilhões em 2001.
Pernambuco destaca que vários
produtos apresentaram recomposição de preços este ano,
permitindo garantir melhor renda ao produtor. A desvalorização
do real frente ao dólar representou melhor remuneração, em
moeda nacional, para boa parte dos produtos pesquisados, como o
cacau e a soja. O VBP da laranja cresceu 52,2%, para R$ 3,8 bilhões,
em 2002. No caso da laranja, a melhor remuneração tem ligação
direta com problemas com estiagem nos pomares da Flórida,
tradicional região de cítricos nos EUA.
No segmento da soja, o VBP cresce
32,2%, de R$ 15,911 bilhões, em 2001; para R$ 21,029 bilhões,
em 2002. O valor médio de exportação por tonelada, do
complexo soja, subiu de US$ 182,5, em 2001; para US$ 194,5, em
2002, considerando preços vigentes entre janeiro e novembro de
cada ano. Na prática, o sojicultor foi beneficiado com a elevação
de preços internacionais, em dólares; e recebeu ainda melhor
preço devido à desvalorização do real.
Houve queda de 12,7% no VBP do
setor de algodão, que deverá fechar o ano com faturamento de
R$ 1,612 bilhão, contra R$ 1,847 bilhão, no ano passado.
"Foi registrada queda da produção de algodão, efeito da
concorrência desleal internacional", disse Pernambuco,
referindo-se à política dos EUA.
O VBP de carne suína também cai
5,9%, em movimento gerado não só pela queda dos preços
internacionais, mas também pela fraca demanda interna e aumento
dos custos de produção (ou seja, a elevação de preços de
milho e soja).
Pernambuco afirmou que o novo
governo deve sinalizar forte apoio à produção de milho
safrinha, com instrumentos como contratos de opção e oferta de
seguro, de forma a evitar problemas de abastecimento na
entressafra entre 2003 e 2004.
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