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Pólo
de processamento na Zona da Mata no
segmento de sucos in natura e polpa de frutas
19 de Dezembro de 2002
- A paisagem da Zona da Mata mineira, tradicional região
produtora de café, leite e derivados, adquire outros
contornos com a implantação de agroindústrias do
segmento de sucos in natura e polpa de frutas.
Em pelo
menos 20 municípios pode-se contabilizar 50 empresas
de pequeno, médio e grande portes, e até março mais
duas iniciam as operações - a Goody, em Ubá, e a
Kaufmann, no município de Rio Pomba.
Diante do crescimento
da atividade, a Universidade Federal de Viçosa (UFV)
implementa o projeto Fábrica de Mudas Frutíferas,
com recursos provenientes dos ministérios da
Agricultura e Ciência e Tecnologia, para produzir
mudas de qualidade e desenvolver um pólo fruticultor
para atender a crescente demanda.
Apesar de ousada, a
proposta é animadora frente aos números da produção
de frutas, que em 2001 movimentou algo em torno de R$
9 bilhões no Brasil. Desse total, Minas Gerais
participou com R$ 643,4 milhões, conforme o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em
comparação a 2000, a atividade no País cresceu R$ 3
milhões, e cerca de R$ 120 milhões no mercado
mineiro.
A Goody Indústria de
Alimentos, controlada pelos irmãos Leite Mesquita, de
Belo Horizonte, representa investimentos totais de R$
7 milhões, dos quais 20% com recursos próprios e o
restante por meio de linhas de crédito do BNDES. `Não
somos desse ramo, mas decidimos investir nessa
atividade por apresentar grande potencial de
crescimento`, diz o empresário Sérgio Leite
Mesquita. O estudo de viabilidade e a elaboração do
projeto foram desenvolvidos pelos pesquisadores do
departamento de Tecnologia de Alimentos da UFV, entre
eles Antônio Carlos Gomes de Souza, mestre em
Tecnologia de Alimentos.
Para estruturar o
empreendimento, e já de olho no crescimento do
mercado, os irmãos Leite Mesquita adquiriram um
terreno de 120 mil m2, dos quais utilizam a metade. O
planta industrial possui área construída de 6 m2. O
primeiro módulo da unidade produtiva, localizada no
município de Ubá, a 290 quilômetros de Belo
Horizonte, terá capacidade para processar cinco
toneladas de frutas por hora.
`O projeto prevê a
instalação de mais duas linhas de produção, alcançando
18 toneladas por hora`, salienta Mesquita. Conforme o
planejamento, a indústria atingirá a capacidade
plena em um ano e, com isso, vai faturar R$ 20 milhões
por ano somente com as vendas no mercado interno. A
produção de polpa destina-se a fabricantes de
sorvetes, picolés, sucos, bolos e doces.
Inicialmente, a empresa vai gerar entre 40 e 50
empregos diretos e com mix de dez frutas - goiaba,
manga, abacaxi, morango, acerola, banana, mamão, maçã,
pêssego e maracujá.
A Kaufmann Alimentos,
em fase final de construção no distrito industrial
de Rio Pomba, a 251 quilômetros da capital, significa
a realização de um projeto antigo do contador
carioca Enrique Kaufmann Filho. O empreendimento, de
pequeno porte, também tem acompanhamento dos técnicos
do departamento de Tecnologia de Alimentos da UFV e do
Instituto de Desenvolvimento Industrial (Indi-MG).
Segundo Kaufmann, o
empreendimento é executado com recursos próprios.
`As obras civis já absorveram R$180 mil e serão
aplicados outros R$ 80 mil na aquisição de máquinas
e equipamentos`, frisa o empresário, há 30 anos
proprietário de uma consultoria contábil na capital
fluminense.
Mercado definido
O projeto prevê a o
processamento de uma tonelada por dia e três câmaras
frigoríficas, com capacidade total para 15 toneladas.
Toda a produção de suco in natura, em embalagens de
cinco litros, será comercializada em bares,
restaurantes e lanchonetes do Rio de Janeiro e Região
Metropolitana. O faturamento mensal projetado é de R$
80 mil, informa Kaufmann.
Esse não é o primeiro
negócio do empreendedor na Zona da Mata. `Em 1989,
investimos na montagem de uma pequena indústria de
doces caseiros em Santa Bárbara do Tugúrio.` A fábrica
será desativada e transferida para Rio Pomba. `No
terreno de 3 mil m2 e estamos construindo uma unidade
exclusiva e independente para retomarmos a produção
de doces`, explica Kaufmann.
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