| Adesão
do Canadá ao Protocolo de Quioto deixa Estados Unidos mais isolados
São Paulo, 18 de Dezembro de
2002 - Especialistas brasileiros consideram que acordo entrará
em vigor. A adesão do Canadá ao Protocolo de Quioto, que prevê
a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa,
reduz os riscos de investimentos em projetos prematuros,
desenvolvidos sem que o acordo esteja em vigor, voltados para o
lançamento de créditos de carbono.
A opinião é
do presidente-executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para
o Desenvolvimento Sustentável (Cebeds), Fernando Almeida.
Especialistas também acreditam que a decisão tomada pelo Canadá,
anteontem, enfraquece a posição dos Estados Unidos, contrários
ao documento, assinado em 1997, no Japão.
Segundo Almeida, a cada novo
apoio é reforçada a confiança no protocolo. "As adesões
deixam claro que o acordo vai entrar em vigor". No Brasil,
os projetos prematuros para lançar créditos de carbono ganham
força, em especial, no setor sucroalcooleiro.
A maior parte
deles trata da geração de energia a partir do bagaço da
cana-de-açúcar.
Para Almeida, com a ratificação
do Canadá, as atenções agora se voltam para a Rússia. O país
responde por 17,4% das emissões globais e anunciou durante a cúpula
mundial do meio ambiente, realizada entre o final de agosto e início
de setembro deste ano, em Johannesburgo, na África do Sul, que
irá ratificar o documento.
A previsão é
de que a adesão ocorra em agosto de 2003. Com a adesão da Rússia,
o protocolo entra em vigor. Para se tornar oficial, o acordo
deve ser ratificado por pelo menos 55 países, inclusive os
responsáveis por 55% das emissões de gases poluentes.
Os países desenvolvidos, pelo
protocolo, comprometem-se a cortar 5,2% a emissão de gases que
causam o efeito estufa, no período entre 2008 e 2012, em
relação aos níveis apresentados em 1990. O Canadá respondia,
em 1990, por 3,3% das emissões mundiais de gases
poluentes.
Com sua entrada
na lista de adesões, os países assinantes passam a representar
40,7% das emissões.
"Todos os continentes
enfrentam problemas climáticos. Não é possível ignorar
isso", diz o ministro do Meio Ambiente, José Carlos
Carvalho. Ele afirma que os Estados Unidos precisam tomar consciência
de que o problema "é grave e não pode ser
postergado".
O diretor da PriceWaterhouse,
empresa de auditoria, Marco Antônio Fujihara, lembra que a posição
da administração George W. Bush é pragmática. "Doze
estados americanos já contam com legislações mais restritivas
do que o protocolo". Entre eles, Michigan, Califórnia e
Oregon.
Fujihara diz que diversas
empresas dos Estados Unidos já trabalham sobre projetos que
visam a redução das emissões. "A posição do governo não
é unanime", diz. Os norte-americanos respondem por 25%
das emissões humanas de dióxido de carbono. Bush alega que
o protocolo causará prejuízos de US$ 400 bilhões à economia
dos EUA e custará 4,9 milhões de empregos.
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