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O Primeiro
Concurso Internacional de Vinhos do Brasil
Rio, 20 de Dezembro de 2002 -
Depois de um show de bola em junho e outro de democracia em
outubro, o orgulho nacional está em alta, assim como o dólar
e o clima no país. Tudo isso somado faz com que a melhor opção
de bebida para este fim de ano e todo o verão seja o vinho
brasileiro, por excelência, o espumante.
No início de novembro
aconteceu em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, o primeiro
Concurso Internacional de Vinhos do Brasil. O esperado
destaque coube aos espumantes nacionais, agraciados com um
total de 30 medalhas, sendo 12 de ouro e 18 de prata. O fato só
vem confirmar esta amplamente divulgada vocação nacional.
Quais são as explicações para o fenômeno?
Regiões onde o clima dificulta
o total amadurecimento das uvas devido à carência de sol e
luminosidade são propícias à produção de espumantes
secos. O que é uma dificuldade para os brancos e tintos de
mesa (uvas não totalmente maduras, acidez do solo, resultando
em vinhos de pouco corpo, baixo teor alcoólico e acidez
elevada) é uma qualidade para os vinhos espumantes. A falta
de estrutura e de teor alcoólico são plenamente compensadas
pela segunda fermentação à qual são submetidos. Os
exemplares provenientes de regiões muito quentes, geralmente
são desinteressantes, pastosos e com falta de frescor. Os
originários de regiões de clima mais ameno são nervosos e
vivos. É este o motivo pelo qual os espumantes nacionais são,
em geral, superiores aos chilenos e argentinos. Estas condições
ideais, aliadas à moderna tecnologia, são encontradas na
Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, de onde provém a quase
totalidade do vinho fino brasileiro. A região inclui
Garibaldi, Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Farroupilha,
Flores da Cunha e Caxias do Sul.
A região de Champagne,
nordeste da França, é favorecida pelo clima frio, que impede
a completa maturação de suas uvas. É lá que se produzem os
maiores vinhos espumantes do mundo, que ditam o padrão
mundial desta bebida. Tanto que o nome "Champagne"
é ilegalmente imitado em vários países. No Brasil, usam-se
denominações como "Champanha",
"Champanhe" e literalmente "Champagne".
Tal prática demonstra falta de personalidade e imaturidade do
setor.
Abaixo uma avaliação dos 12
espumantes brasileiros premiados com ouro, com seus preços
aproximados no varejo em São Paulo:
Marco Luigi Moscatel, da Vinícola
Marco Luigi (R$ 15, tel. 54 453-2695). O espumantes do tipo
Moscatel seguem todos os típicos aromas florais desta uva, no
palato vão de meio-doces a doces, pedindo uma sobremesa de
companhia. Este exemplar é elaborado pelo método Asti, com
100% de uvas Moscato, com 8% de teor alcoólico. Tem uma cor
comumente chamada de "branco papel", praticamente
incolor. Tem perlage de tamanho médio e não muito abundante
e é meio-doce. "C".
Georges Aubert Espumante
Moscatel, da Champagne Georges Aubert (R$ 18, tel. 54
462-1155) Moscato 100%, método Asti, 7,2% de álcool. Cor
palha muito clara com ótima perlage, aromático e doce.
"C".
Salton Moscatel Espumante, da
Vinhos Salton (R$ 18). 100% Moscato, método Asti, 7,5% de álcool.
Amarelo palha claro, com perlage média. Flores e cítricos
nos aromas, com uma doçura pronunciada. "B"
Acquasantiera Chardonnay
Reserva Especial Brut, da Cooperativa Vinícola Garibaldi (R$
17, tel. 54 462-1100), engarrafado em 2001. Um Chardonnay
100%, com 11,5% de álcool, elaborado pelo método Charmat. O
forte é o visual, amarelo dourado, com perlage fina abundante
e persistente. No aspecto olfativo, faltou intensidade e
persistência. No gustativo, o aparente gás não se mostra
presente, dando lugar a uma ponta de doçura, que deve estar
no limite do "Brut". Curioso, analisei duas
amostras, uma trazia no rótulo a palavra "Champagne"
e a outra, "Espumante". "B".
Casa Valduga Brut 2000, Méthode
Traditionelle (R$ 26, tel.: 54 453-3122). Uma assemblage de
Chardonnay e Pinot Noir com teor alcoólico de 12%, feito pelo
método Champenoise. Amarelo dourado com excelente perlage,
pequena e abundante. Ficou a desejar na parte aromática,
melhorando bastante na boca, com ótimo equilíbrio e
intensidade. "B".
Don Giovanni Brut Champenoise
2000, da Abegê Bebidas (R$ 40, tel. 54 451-4129). Este é um
corte de Chardonnay, Pinot Noir e uma pequena quantidade de
Riesling Itálico. Amarelo dourado, ficou devendo um pouco de
perlage, pequenas mas não muito abundantes. No nariz, se
mostrou mais presente com muita casca de pão e frutas como
abacaxi. "B"
Cordelier Brut, da Vinícola
Cordelier (R$ 25, tel.: 54 453-2333). Um Chardonnay 100%,
feito pelo método Champenoise, com 12% de álcool. Amarelo
dourado com perlage de tamanho médio e não muito numerosa.
Melhora no nariz, onde é fino e intenso com o tradicional
aroma de fermento se destacando. Bom corpo e cremosidade no
palato. "B".
De Gréville Brut, da
Bacardi-Martini do Brasil (R$ 25, tel. 54 462-1566). Uma
mistura de 70% Chardonnay e 30% Pinot Noir, com 12,8% de álcool,
elaborado pelo método Charmat. Produção de 33 mil garrafas.
De cor amarelo palha claro, com perlage de tamanho médio e não
muito abundante. Muito fino nos aromas, com notas florais de cítricos.
No palato, é leve seco e fino. "B+".
Salton Volpi Reserva Ouro Brut,
da Vinhos Salton (R$ 22, tel.: 54 451-1611) 60% Chardonnay,
40% Riesling, com 11,5% alc., elaborado pelo método Charmat.
Amarelo palha claro, com uma das perlages mais finas da prova.
Bom ataque aromático, com toques florais e cítricos. No
palato, tem boa cremosidade e nota de açúcar residual.
"B+"
Excellence par Chandon Brut Réserve,
da Chandon do Brasil (R$ 40, tel. 11 3083-7733). Um corte de
Chardonnay e Pinot Noir, com 11,7%, elaborado pelo método
Charmat. Cor clara, entre amarelo palha e dourado, com uma
perlage muito fina e abundante. No olfato, é fino com aromas
de leveduras, pêssego, avelãs. A persistência, no entanto,
cai um pouco. No palato, é leve e o CO2 acaricia a língua.
Tem ótima cremosidade. "A"
Cave Geisse Espumante Brut, da
Vinícola Cave de Amadeu (R$ 20, tel. 54 452-4766). Chardonnay
70% e Pinot Noir 30%, com 12% de álcool, elaborado pelo método
Champenoise. Amarelo dourado com ótima perlage, pequena e
abundante. Intenso nos aromas. Seco e cremoso no palato. Este
foi o exemplar de caráter mais sério da prova, lembrando
muito o estilo francês, enquanto a maioria segue um estilo
mais leve. "A"
Gran Millesime Champenoise
1999, da Cooperativa Vinícola Aurora (R$ 35, tel. 54
451-4111). Chardonnay 70% e Pinot Noir 30%, com 12% de álcool,
elaborado pelo método Champenoise. Amarelo dourado, com
excelente perlage. Muito perfumado, com flores e um toque de
baunilha e torrefação, provavelmente por breve estágio em
carvalho. A persistência aromática, porém, é curta. No
palato, é seco e equilibrado com ótima sensação de CO2.
Produção de apenas 1.200 garrafas, ainda não lançadas no
mercado. "A", o melhor da prova.
Além destes podemos citar
outros rótulos muito bons como o Miolo Brut, o Dal Pizzol
Brut e o Marson Brut. Por causa dos preços razoáveis (se
comparados aos importados), os espumantes brasileiros podem em
mais vezes e mais informalmente. Levar algumas garrafas para
beira da praia ou piscina, não será nenhum sacrifício para
nosso bolso nem para nosso paladar.
(Fim de Semana/Página8)(Marcelo
Copello)
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