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Por
definição os vinhos espumantes naturais são
fermentados de uva nos quais a presença do gás carbônico
é superior a três atmosferas
20 de Dezembro de 2002
- Por definição os vinhos espumantes naturais são
fermentados de uva nos quais a presença do gás carbônico
é superior a três atmosferas e resultam
exclusivamente da fermentação alcoólica.
Os métodos
mais comuns de elaboração são conhecidos como
Champenoise, Charmat e Asti. As bebidas ganham vários
nomes pelo mundo: Champagne, Mousseaux, Pétillant e
Crémant (França), Cava (Espanha), Spumanti (Itália),
Champañe (Argentina), Sparkling Wine (EUA), por
exemplo.
Existem ainda
espumantes gaseificados, que são produtos nos quais a
presença de gás carbônico é resultante da
incorporação de forma artificial. O exemplo mais
conhecido no Brasil é a Sidra, obtida da fermentação
de maçãs.
O método tradicional
para obtenção de espumantes naturais é o
Champenoise, também chamado de "Método Clássico"
ou "Méthode Traditionelle", obrigatório na
região de Champagne, na França. Este processo teria
sido inventado por Don Perignon e aperfeiçoado pela
viúva Clicquot. Consiste em obter o gás carbônico
numa segunda fermentação, ocorrida dentro da própria
garrafa.
É uma produção
artesanal em várias etapas. Primeiro, é feita uma
mistura de diversos vinhos, base do espumante. A
segunda fase é a tomada de espuma, quando o vinho
base é colocado na garrafa e acrescido do licor de
tiragem - leveduras e açúcar que provocarão a
segunda fermentação, que dura cerca de três meses.
Depois se dá o envelhecimento. Neste período, o líquido
permanece sob as borras das leveduras, o que lhe dá
cremosidade. O envelhecimento pode durar de meses a
alguns anos. Em seguida, a garrafa é submetida a
remuage - operação lenta de girar as garrafas para
que as borras da segunda fermentação se concentrem
no gargalo, sem turvar o líquido.
Em seguida, faz-se o dégorgement
ou degola, fase em que o gargalo é congelado e a
garrafa é aberta sob pressão para que as borras
sejam retiradas. Então, é acrescentado o licor de
expedição ou liqueur d’éxpedition - mistura de
vinho envelhecido, destilado de uva (cognac) e açúcar
- e a rolha definitiva. É o método mais caro, mas
que, normalmente, resulta nos melhores espumantes, com
bolhas mais finas e exuberantes.
O método Charmat, nome
que homenageia o engenheiro francês criador do
processo, é uma simplificação do método clássico.
A
segunda fermentação, que dá espuma ao vinho, ocorre
em grandes recipientes de até 10 mil litros, chamados
de autoclaves. Assim evita-se a remuage e o dégorgement.
O vinho é filtrado ao sair dos tanques para as
garrafas.
Nos espumantes doces, o
método mais usado é o Asti. O nome vem de uma região
demarcada (DOC) na Itália, onde é produzido com uva
Moscato. Consiste de uma única fermentação em
grandes recipientes, que é interrompida quando se
atinge de 7% a 10% de álcool, deixando açúcares
residuais da ordem de 80 gramas por litro (10 vezes
mais que um espumante Brut).
O
resultado é aromático e pouco alcoólico, que pode
funcionar em eventos como recepções e casamentos.
Numa refeição, porém, é ideal para acompanhar
sobremesas e não os pratos principais.
Quando se avalia um
espumante a palavra que mais se repete é "perlage",
derivada de "perle", peróla em francês.
Perlage, que designa o conjunto de pérolas ou bolhas
do espumante, é a alma desta bebida, o que lhe dá
vida.
É
avaliada pelo tamanho das bolhas, abundância e
persistência (quanto tempo continuam brotando do
fundo do copo). Quanto menores e mais numerosas mais
agradável será a sensação de "agulha"
que espeta e acaricia a língua.
Mas atenção: a
perlage é muito sensível à taça onde o espumante
está sendo servido. Um recipiente mal lavado, com resíduos
de gordura ou molhado pode prejudicar a perlage. Por
isso, evite gelar as taças.
É
interessante observar que ao servir o mesmo espumante
em várias taças a perlage nunca estará igual em
todas, sempre haverá as taças boas e as ruins.
Um
truque é arranhar o fundo da flute com uma faca. O
relevo causará uma tensão superficial que faz com
que as bolhas se desprendam em maior quantidade.
Algumas das melhores taças já saem das fábricas com
um imperceptível relevo interno.
(Fim de Semana/Página8)(M.C.)
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