Perguntas e Duvidas mais freqüentes

1.      Numa consultoria solicitada por um agricultor, discorra sobre os argumentos que seriam usados para que ele deixasse de usar no processo produtivos a sucessão e passasse a usar rotação de culturas.

O processo de Rotação de culturas, é uma forma de sucessão, em que o agricultor deve se preocupar com as plantas que serão utilizadas nesta sucessão. Portanto argumentaria com o agricultor, que numa rotação de culturas: em que ele utilizaria famílias de plantas diferentes em cada ciclo de sucessão, estas famílias se bem escolhidas, contribuiriam uma com a seguinte, de forma mutualista: isto é, a segunda cultura se beneficia de nutrientes deixados pela anterior, e deixará nutrientes para a próxima cultura. De preferência de família diferente das duas anteriores. (Como exemplo ver questão 2) Além da questão nutricional, outros fatores serão de grande utilidade, como a disponibilidade para doenças e ataques por parasitas e insetos, que reduz sensivelmente por serem culturas completamente diferentes. Isto é: insetos (ou doenças por exemplo) que atacam a primeira cultura, ficam sem alimento quando a seguinte não tem nada em comum com a primeira. E o mesmo se reforça quando a terceira cultura é completamente diferente.

 

2.      Proponha um plano de rotação de culturas para 2 anos especificando o sistema de preparo do solo (PC, PM ou PD), bem como as espécies de inverno e verão, seu manejo (acamamento ou incorporação), características quanto à proteção do solo (produção de massa verde ou matéria seca), épocas de plantio, colheita,...

A minha proposta é cultivo de feijão (leguminosa), milho (gramínea) e abóbora (curcubitácea) em sistema de plantio direto em rotação. Estas culturas são tradicionalmente utilizadas durante séculos desta forma pelos povos índios pré-americanos, por se caracterizar como uma forma excelente de manejo. Utilizando-se destas culturas, podemos iniciar o ano com o plantio do feijão (que pode ser plantado o ano todo em regiões de clima ameno, ou na época das chuvas: novembro a fevereiro, em geral) por exemplo, no mês de janeiro do ano 1 (isto é variável de acordo com a região, mas consideremos o litoral catarinense como referência climática com verão quente e inverno ameno). Em seguida podemos plantar a abóbora (que pode ser plantada de agosto a abril aproximadamente), sob a palhada do feijão aproximadamente no mês de abril, podendo até ser semeado antes da colheita do feijão, ou quando iniciarem as colheitas (quando forem feitas em diversas, quando as vagens começarem a apresentar-se secas). As abóboras dependendo do cultivar será colhida de 3 a 5 meses depois, portanto nos meses de julho a outubro, quando este for colhido esta na época de plantio do milho (outubro a novembro). O milho deverá ser colhido por volta dos meses de janeiro e fevereiro para o milho verde, ou maio e junho para o milho seco. Neste segundo caso o plantio do feijão pode ser feito antes da colheita do milho, sob a sombra dos mesmos, em consórcio, ou pode-se deixar o solo coberto pela palha do milho e do capim espontâneo para a próxima safra.

Outra forma mais folgada para este plano de rotação seria:

Mês/Ano

Planta

Colhe

Novembro/01

Feijão - PD

XX

Março/02

Abóbora – PD nos restos do feijão

Feijão

Junho a setembro / 02

repouso

Abóbora

Outubro a novembro / 02

Milho – PD nos restos da abóbora

XX

Janeiro e Fevereiro / 03

XX

Milho Verde

Maio e Junho / 03

repouso

Milho

Novembro (início do novo ciclo)

Feijão - PD

XX

 

 

3.      Comente sobre os aspectos importantes que devem ser considerados para o manejo de voçorocas.

Para o manejo de voçorocas, devemos estancar a continuação da perda de solo, que pode ser feito de diversas formas simultâneas: redução da velocidade da água sobre a superfície do solo, aumentar a infiltração da água, impedir a entrada de água de outros locais na área atingida. Se não tiver ocorrido a perda da camada fértil do solo ainda, é possível fazer movimentações de terra, dando um formato mais plano e criando patamares em nível. Isto pode ser feito também com a recuperação da vegetação nativa criando-se ilhas de vegetação (retiradas de plantas e solo das matas aos redores, e introduzindo inteiramente no local atingido, o que atrai a fauna dispersora de sementes); Criando-se cordões de vegetações em curva de nível, acrescentando-se solo (adubo, mulch) externo. Deposição de matéria orgânica (palha) sobre o solo é muito importante. Criação de barreiras físicas com obstáculos, pedras, trocos pode ajudar e muito na redução da velocidade da água. a manutenção da vegetação na superfície faz com que a água nã atinja o solo ou infiltre no mesmo mais facilmente.

 

4.      Defina Licenciamento Ambiental (significado, objetivos, competência para licenciar) e cite 3 exemplos de atividades que necessitam de licenciamento.

Licenciamento ambiental é um procedimento pelo qual um órgão ambiental competente analisa a proposta do empreendimento e o legitima. Tem como objetivo realizar uma avaliação dos processos tecnológicos (construções, processos industriais, destinações de resíduos, etc.) em conjunto com os parâmetros ambientais e sócio-econômicos a fim de garantir o mínimo impacto preocupando-se com a conservação, defesa e melhoria ambiental.

Quem tem competência para licenciar são apenas os governos (federais através do IBAMA, estaduais, através do órgão ambiental do estado – FATMA, e municípios quando for o caso, ou for repassada a responsabilidade pelo estado).

Algumas atividades que necessitam licenciamento:

-         Implantação de uma criação intensiva de animais, exemplo: suínos;

-         Implantação de um abatedouro,e quem existirão resíduos em potenciais;

-         Implantação de um laboratório de pesquisas e desenvolvimento de produtos ou tecnologias.

 

5.      Cite a utilidade da realização de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e especifique a sua estrutura (passos que devem ser seguidos para a realização do estudo e a geração de documentos).

O EIA contribui para a análise da viabilidade de projetos; incorpora questões ambientais (associadas aos meios físico, biótico e sócio-econômico) na definição e planejamento de projetos; também é usado para determinar estratégias de desenvolvimento; considera diferentes alternativas e identifica aquelas de melhor custo efetivo; propõe medidas para evitar, mitigar ou compensar os impactos negativos e riscos ambientais dos projetos buscando oportunidades para criar ou incrementar impactos positivos. É uma das ferramentas usadas na avaliação ambiental para avaliar questões específicas de projetos, é uma ferramenta utilizada para avaliação de viabilidade ambiental de empreendimento com potencial poluidor ou degradador do ambiente. Permite conhecer os impactos ambientais e suas inter-relações nas fases de pré-implantação, implantação e operação do empreendimento.

Estrutura do EIA, deve-se seguir roteiro da Resolução CONAMA:

- Objeto do Licenciamento

- Responsável pelo empreendimento

- Equipe técnica

- Justificativa do empreendimento

- Caracterização do empreendimento

- Diagnóstico ambiental da área de influência

- Identificação dos impactos ambientais

- Medidas mitigadoras/potencializadoras/ compensatórias

- Planos e programas ambientais

- Avaliação ambiental do empreendimento

Passando por etapas de Planejamento, Implantação e Operação, considerando vários fatores sócio-ambientais (vide resolução do CONAMA), através de uma equipe interdisciplinar (mais do que multidisciplinar preferencialmente).


Questões:

 

Aos interesses presentes na agricultura, erosão hídrica refere-se à perda de solo que se verifica em lavouras. Como processo, a erosão é percebida na desagregação do solo e transporte de partículas do mesmo, sendo que esse processo pode resultar mais ou então menos acelerado em função do grau de expressão de fatores associados ou não às práticas agrícolas. Já como problema, a erosão se caracteriza tanto pelas implicações do que resulta do processo erosivo, quanto pelas dificuldades que encontramos em efetivamente controlá-lo nos níveis que tecnicamente já saberíamos fazê-lo.

            Diante do exposto, pergunta-se:

Qual a diferença entre causas do processo erosivo e fatores físicos que o afetam? Exemplifique.

Causas são as razões reais que provocam o processo erosivo. Sem a existência destes o processo erosivo não existe. São exemplos de causas do processo erosivo a aceleração da gravidade. Fatores físicos que afetam o processo erosivo, são quaisquer outras razões, que se inexistirem apenas reduzem os efeitos da erosão, sem impedir que a mesma ocorra. São por exemplo fatores físicos influentes a ausência ou presença de declividade no terreno exposto; a existência ou não de ventos; a ocorrência ou não de chuvas (que são tidos como os principais agravantes).

 

O que fisicamente significa, fundamentalmente, o efeito de qualquer procedimento de manejo do solo e de plantas que se revele efetivo em controlar a erosão? Exemplifique.

Fisicamente, qualquer processo efetivo no controle da erosão, significa qualquer efeito que reduza os efeitos das ações da gravidade, que reduzam os efeitos de relações entre superfícies (do solo e da água por exemplo). exemplificando: se evitarmos que a água escorra sobre o solo, estaremos evitando que este seja carregado. qualquer barreira física funciona fazendo com que a velocidade da água escorrendo sobre o solo seja reduzida, e qualquer cobertura evitando que a água atinja o solo, evitando que haja essa relação.

 

Quando tomado em relação a um solo mais argiloso, o solo arenoso é sempre mais suscetível a erosão? Por que?

Sim, solo arenoso é sempre mais suscetível por possuir uma menor relação de superfície. As partículas de argila tem uma área superficial específica infinitamente maior que as partículas de areia, o que faz com que as mesmas sofram um efeito de relações entre superfícies, entendido como atrito, o que aumenta o esforço para movimentar estas partículas, fazendo com que as mesmas sejam menos suscetíveis a erosão. além de sua estrutura física, em relação a forma com que se arranjam, as partículas de argila formam blocos de chapas horizontais que impossibilitam a existência de espaços vazios entre as partículas, o que aumenta sua resistência.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA RURAL

 

RETORNAR INDEX SUBIR DOCUMENTO