Uso de Plantas Medicinais na cultura popular ou por tradição da imigração de diversos países vinda ao Brasil.

Flores Comestíveis

 

O verde multicolor de nossas matas, relvas e campinas; o azul do céu; o brilho do Sol; a inebriante chuva; e especialmente o colorido das flores, com seus diversos aromas e sabores.

Sabores?

Sim, sabores, pois há muitas flores que são comestíveis.

E, neste mês em que a primavera se faz presente, vamos tecer alguns comentários sobre flores comestíveis.

Existem algumas que são mais conhecidas, pois as temos em nossa mesa quase que diariamente, como a couve-flor, o brócolis, a alcachofra e a flor de abóbora, conhecida popularmente em algumas regiões como “cambuquira”. Mas, figuram ainda como comestíveis os capuchinhos, as rosas, as begônias, as calêndulas, os amores-perfeitos, os crisântemos, as tulipas, as de alfazema e as menos comuns como cravinas e verbenas-limão.

Já na Antiguidade, o uso das flores como alimento era do conhecimento de alguns povos como, por exemplo, a Althaea officinalis, da família das malváceas, conhecida pelos ingleses como marshmallow. Suas flores cor-de-rosa eram utilizadas em saladas, e, da mucilagem das raízes, faziam doces. Além de servir como alimento, eram também utilizadas pelo seu valor laxativo.

Mais “modernamente”, as senhoras inglesas do tempo da rainha Vitória serviam a seus comensais um prato sofisticado, ou seja, pétalas de rosa cristalizadas – as pétalas eram cobertas com clara de ovo e um pouco de água e, na hora de servir, polvilhavam-nas com açúcar. Nos dias de hoje, a rosa é oferecida em saladas, geléias e tortas, que apresentam um sabor todo especial.
Salientamos que as flores para fins comestíveis devem ser adquiridas de produtores especializados, que não usam produtos agrotóxicos, pois, caso contrário, poderão trazer sérios prejuízos à saúde. Lembramos ainda que flores como azaléia e bico-de-papagaio são altamente venenosas, daí não podermos usar qualquer tipo de flor como alimento.

Como curiosidade, vamos falar sobre algumas flores comestíveis. São elas:

Agave americana: planta das américas Central e do Sul: sua florescência demora entre 10 e 20 anos (antigamente acreditavam que esse tempo seria de 100 anos). Cultivada no México desde 1561, suas flores são ingeridas com tortilhas. Sua seiva é fermentada e obtém-se o pulque, bebida da qual, destilada, origina-se a tequila ou o mescal.

Allium schoenoprasum: é a popular cebolinha, ou, como chamam os ingleses, chives, usada em salada.

Aloysia citriodora Palau ou verbena-limão: suas flores são muito usadas para aromatizar vinhos, recheios, aves, conservas e sobremesas, além do seu uso nos licores franceses. Originária do Chile e da Argentina.

Althaea rósea: de origem chinesa, é também chamada de rosa-de-Jericó. Suas flores são grandes, e suas cores podem ser branca, amarela, vermelha ou cor de vinho. Usadas em saladas, e a cor de vinho para escurecer o vinho.

Anthemis tinctoria, ou camomila amarela: vinda do sul e centro da Europa, sua floração ocorre entre julho e outubro, na Europa.
Anethum graveolens: conhecido também como endro ou aneto, e os ingleses chamam de drill. Suas flores são usadas em picles de pepino ou de couve-flor.

Averrhoa carambola, ou carambola: suas flores são usadas em saladas; seu fruto é também conhecido como “fruto-estrela”, pois, quando cortado transversalmente, tem formato de uma estrela. Podemos fazer suco para beber. Seu suco é bom para tirar manchas das mãos e de roupas. No Brasil, foi introduzida no estado de Pernambuco, em 1817, pois os portugueses a trouxeram da Índia, e sua origem provável é africana. De seu fruto verde fazem-se picles.

Bauhinia purpúrea: suas flores são grandes, a coloração é vermelha ou rósea, e são usadas em saladas, especialmente as de peixe como o atum.

Borago officinalis, ou borragem: as flores, quando frescas, têm um tom azul e, quando mais velhas, passam para rosadas; sua origem é da Ásia ou do Mediterrâneo. Usadas em saladas, formam um prato multicor e, segundo dizem, o sabor é de pepino. Os antigos acreditavam que tinham um efeito mágico sobre o corpo e a mente, tornando o homem alegre e feliz.

Calendula officinalis: é a popular calêndula. Suas pétalas podem ser misturadas ao arroz, ao peixe, à sopa, aos queijos, iogurtes e omeletes, dando uma coloração como a do açafrão; usada também como corante de manteiga e queijo.

Crocus sativus: é o açafrão verdadeiro, uma planta caríssima, pois, para termos 1 quilo, precisamos de 100 mil flores. Usado há séculos em molhos, arroz e aves.

Curcubita pepo Duchesne: é a nossa conhecida abóbora. Podemos comer suas flores fritas, empanadas em ovo e farinha, ou ainda recheada de queijo forte, ou ainda em sopa, especialmente a de milho.

Dianthus cayophyllus: é a nossa conhecida cravina. Suas flores podem ser digeridas em saladas, torta de frutas, sanduíches, e ainda para aromatizar vinagres, geléias, açúcar e vinho. Quando açucaradas, podemos enfeitar bolos. Seu corante é muito usado em confeitaria.

Helianthus annuus, ou o famoso girassol: os botões florais são cozidos, servidos como aspargos, e suas flores em saladas. Era cultivado pelos indígenas no norte do México, há mais de 3.000 anos.

Myrtus communis: é a murta, e suas pétalas podem ser usadas em salada de fruta.

Pelargonium capitatum, ou gerânio: muito usado em saladas.

Tabebuia heptapyla: é o ipê-rosa ou piúva. A flor cor-de-rosa é comestível. Planta da Mata Atlântica e floresce de junho a setembro.

Tabebuia impetiginosa, ou ipê-roxo: como o ipê-rosa, também suas flores são comestíveis. Floresce de maio a setembro e é originário da Mata Atlântica.

Tropaealum majus: também conhecida como chaguinha ou capuchinho. De flores vistosas, nas cores amarela e vermelha. Começaram a ser usadas no Oriente; flores, folhas e semente têm gosto apimentado.

Viola odorata: violeta verdadeira (não é a violeta-africana, encontrada nas floriculturas). Quando fresca, é usada em saladas; cristalizada, usada para decoração de bolos, pudins e sorvetes.

Como podemos ver, são muitas as variedades de flores comestíveis, e é bem provável que haja muitas outras que não são de nosso conhecimento.

Flores comestíveis, além de bonitas e dar uma apresentação primorosa a diversos pratos, realçam o sabor. Seu uso é antigo na Europa, sendo mais freqüente em épocas especiais como Natal e Ano-Novo.

O cultivo de flores comestíveis como atividade econômica é um bom negócio, tanto na Europa quanto no Brasil. Esses produtos são vendidos especialmente em restaurantes, bufês e redes de supermercados. Geralmente, os produtores firmam contrato com seus clientes, garantindo assim o escoamento de suas produções, cujo cultivo é bastante específico, pois não podem conter produtos agrotóxicos, mas apenas adubação orgânica, sem o uso de defensivos químicos, tendo como garantia de seus produtos o Selo da Associação de Agricultura Orgânica (AAO).

Para esse cultivo, são indicadas instalações em estufas com telas ou plásticos e um sistema de irrigação adequado. Após colhidas, as flores devem ser transportadas em caminhão refrigerado e, quando a distância for muito longa, recomenda-se que o transporte seja feito por avião, em caixas de isopor, para manter a temperatura por mais tempo

 

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