Bahiagás busca
consumidores para mercado de gás natural
03 de Janeiro de 2003 - Mariana
Carneiro
de Salvador
Criar mecanismos para
desenvolvimento do mercado consumidor de gás natural no Estado é
o principal desafio que a Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás)
deve enfrentar em 2003. Para ultrapassar a barreira da concentração
da demanda apenas no setor industrial, a empresa investe em estratégias
como a construção de gasodutos para abastecimento dos setores
residencial e comercial e a implantação de novos postos para
comercialização de Gás Natural Veicular.
Com uma média de comercialização
diária de 3,4 milhões de metros cúbicos ao longo de 2002, a
companhia baiana programou a aplicação de cerca de R$ 105 milhões
até 2005, em um plano de expansão que inclui a construção de
dois gasodutos. A iniciativa vai possibilitar à empresa iniciar o
fornecimento de gás natural canalizado para os setores
residencial e comercial de Salvador, Região Metropolitana e
alguns municípios do interior do Estado. Já foi iniciada a
distribuição de gás natural canalizado para o setor comercial.
O primeiro deles é o Gasoduto
Salvador, que consumiu até agora recursos de cerca de R$ 20 milhões,
para implantação de uma rede com 25 quilômetros de extensão,
com origem no município de Simões Filho e término no bairro do
Stiep, em Salvador. Outros 155 quilômetros de tubulações serão
construídos nos próximos três anos, totalizando uma capacidade
de transporte de 600 mil metros cúbicos de gás natural por dia.
A previsão do presidente da Bahiagás, Petronio Lerche Vieira, é
de que o gasoduto tronco de Salvador esteja totalmente concluído
ainda no início deste ano.
Quando o projeto do Gasoduto
Salvador estiver consolidado, a Bahiagás estima atender a uma
clientela de 30 estabelecimentos comerciais e de 15 mil residências.
´Nossa meta não é apenas fornecer ao público residencial o gás
para cozinha, mas aproveitar o grande potencial representado pelo
sistema de geração de energia elétrica, já largamente
utilizado em estados como São Paulo´, aponta Vieira.
Para criar a cultura do uso do gás
natural no Estado, a empresa planeja promover campanhas de
incentivo e esclarecimento junto ao consumidor e também ao público
de projetistas que trabalham no ramo da construção civil. A
investida visando a mudança dos hábitos da população será
baseada na divulgação de diferenciais competitivos como a redução
de 40% nos gastos com o uso do gás no aquecimento de água
(chuveiros elétricos) e de até 60% em comparação ao gás de
cozinha (GLP).
A previsão inicial da companhia é
de que o segmento residencial possa responder por um percentual de
participação da ordem de 3% em relação ao total consumido no
Estado. O patamar é similar ao registrado hoje pelo setor de Gás
Natural Veicular (GNV), que tem a menor participação na planta
da Bahiagás.
Os 97% restantes estão
concentrados no setor industrial, sendo 70% aplicados como combustível
para geração de calor e na co-geração de energia elétrica e
produção de vapor, 15% usados como matéria-prima para a indústria
petroquímica e 12% para a siderúrgica. A Bahia possui 94 indústrias
abastecidas com gás natural.
Este ano serão iniciadas as obras
do Gasoduto de Feira de Santana, que ainda aguarda o cumprimento
da etapa de certificações ambientais. Com 70 quilômetros de
extensão, o equipamento representa um investimento de R$ 22 milhões
e deve ser concluído em agosto próximo, interiorizando o
fornecimento do produto.
Enquanto os novos gasodutos não
ficam prontos, a Bahiagás foca sua estratégia na busca por
expansão do uso do GNV, através da abertura de novos postos de
abastecimento no Estado, hoje em número de 19. Aproximadamente 10
mil veículos que circulam em Salvador e na Região Metropolitana
já utilizam o gás natural como combustível.
Outro fator que deve contribuir
para impulsionar o mercado de gás natural no Estado é a implantação
de térmicas. Na Bahia, há três projetos em andamento, que
juntos devem resultar em uma demanda adicional de 2,5 milhões de
metros cúbicos por dia, o que coloca o segmento como o segundo
maior consumidor do combustível entre os clientes da Bahiagás.
A empresa já assinou contrato com
a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que deve
consumir na etapa inicial cerca de 500 metros cúbicos diários,
chegando a 1 milhão quando o projeto estiver operando plenamente.
A Termobahia, que atualmente está
em fase de testes pré-operacionais, vai exigir outros 1,2 milhão
de metros cúbicos de gás. Já a usina da Fafen (Petrobras),
ainda em construção, demandará 150 mil metros cúbicos,
elevando posteriormente este número para 300 mil.
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