Consumidor supera preconceito e cachaça vira presente fino
 
      7 de Janeiro de 2003 - O empresário Leonardo Sarmento Corrêa, proprietário da Cachaçaria Salineira, irá expandir seus negócios em Belo Horizonte com a abertura de uma filial na região da Savassi, zona nobre da capital mineira e ponto de concentração de bares e restaurantes, ainda sem ponto definido. 
 
Com apenas seis meses de funcionamento, a loja anterior, instalada no bairro de Lourdes, obteve um faturamento em dezembro 70% maior do que os meses anteriores.


      O bom desempenho da cachaçaria, segundo Corrêa, é resultado do novo conceito adotado pela empresa na revenda do produto na capital mineira.
 
 "Transformamos as mais nobres cachaças em presentes finos ou sofisticados brindes personalizados", reforça Corrêa, que negocia 42 das principais marcas de aguardente da região de Salinas, no norte de Minas Gerais - um dos mais tradicionais pólos produtores de cachaça artesanal do País.


      A proposta de comercializar aguardentes em embalagens especiais visa estimular o consumo da bebida nas classes de médio e alto poder aquisitivo. "Vendendo a idéia de que a cachaça é um produto nobre e acabando com o resto de preconceito que ainda existe quanto ao consumo da bebida, conseguimos impulsionar as vendas", afirma Corrêa.


      Além do comércio de aguardente, a loja dispõe de uma área de degustação para clientes, detalhada com um painel instalado ao fundo que conta a história da cachaça. 
 
O mesmo espaço é utilizado duas vezes por semana para a realização de happy hours e cursos específicos sobre a bebida. "Reunimos todas as terças e quintas-feiras grupos de empresários ou executivos de uma mesma companhia para degustar a bebida", comenta.


      De julho a novembro passados, a loja registrou um faturamento mensal de R$ 12 mil, resultado 71% maior que o estimado pelo empresário. Somente em dezembro, as vendas atingiram R$ 20n mil. O montante inclui a venda exclusiva no atacado da marca Sabor de Minas no Estado -exceto na região Norte, responsável atualmente por 30% da receita mensal.


      "As vendas no varejo praticamente dobraram desde a inauguração da loja em julho passado", informa o empresário, que investe 5% do faturamento mensal em marketing. 
 
A empresa também se filiou a duas entidades, a Belo Horizonte Convention & Visitors e a Skal International - que buscam fomentar o turismo de negócios no Estado - com o objetivo de investir gratuitamente na montagem de estandes para a degustação de cachaça em eventos realizados pelas entidades produtoras.


      Outro nicho de mercado que Corrêa busca é o de brindes personalizados para empresas. "Em dezembro passado, apenas uma empresa nos encomendou 180 estojos de madeira, negociados a R$ 40 cada", diz o empresário, que elaborou no período natalino brindes para um total de 20 empresas mineiras.


      Cestas de vime ou palha em tamanhos diferenciados também marcam presença entre as embalagens utilizadas pela cachaçaria. Os consumidores têm a opção de montar os kits de presentes com uma tradicional aguardente Anisio Santiago (antiga Havana), que custa R$ 130 a garrafa com 12 anos de 600 ml, ou uma Seleta, também bastante conhecida no mercado nacional, no valor de R$ 6,5 a garrafa de 600 ml.


      "Os preços da cestas artesanais na loja variam entre R$ 20 e R$ 210, o que amplia a opção de compra do cliente", argumenta Corrêa, que atua há 19 anos no ramo de produtos agro-veterinários como sócio-proprietário da Fertiliza Produtos Químicos.

      O aumento da demanda no ramo varejista estimulou o empresário a investir na montagem de uma filial na região da Savassi. "Estamos procurando um pequeno ponto com cerca de 35 metros quadrados, mas que tenha estacionamento próprio", finaliza.


      (Gazeta Estado de São Paulo/Página 2)(de Belo Horizonte)

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