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Degradação
da natureza é uma das causas da fome
Brasília, 7 de Janeiro
de 2003 - Ibama também se integrará no programa
prioritário do governo Lula. Empossado ontem, o novo
presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o médico
Marcus Luiz Barroso Barros, de 55 anos, já assumiu o
discurso da gestão Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre suas
prioridades está a participação do órgão no
programa Fome Zero, através de projetos de educação
ambiental. "Vamos mostrar que a degradação da
natureza reduz a qualidade de vida das populações,
limita as chances de sobrevivência e é também uma das
causas da fome", diz.
Este trabalho deve começar
pelo que Barros chama de zonas quentes, a Amazônia e o
Semi-Árido, as mais problemáticas. "A participação
no Fome Zero é, na prática, um exemplo do que este
governo vem chamando de transversalidade", destaca
Barros. "Isso é que vai nos diferenciar dos que
nos antecederam", acrescenta.
Desmatamento
Fundador do PT no
Amazonas, seu estado natal, Barros foi presidente do
partido e candidato a senador, em 1998, perdendo para
Gilberto Mestrinho (PMDB) por 22.684 votos.
Como
presidente do Ibama, ele terá nas mãos um orçamento
de R$ 600 milhões para repartir entre todos os biomas
brasileiros e um desafio que até então não vem sendo
bem sucedido – reduzir o desmatamento de áreas
florestais e a venda ilegal de madeira, em especial de
espécies em extinção. "Vamos criar propostas
para o desmatamento racional e usar também o controle
tecnológico atual feito por satélites", explica.
Parcerias com a
sociedade
Mas como tudo isso já
vem sendo feito, em parte, o diferencial, segundo
Barros, pode vir do controle social da população que
habita áreas florestais ameaçadas. De acordo com
Barros, o governo, por melhor estruturado que esteja, não
tem sozinho a capacidade para fiscalizar e cuidar do
Brasil inteiro.
"Precisamos
fazer parcerias com a sociedade, porque senão a missão
não se cumpre", diz. Nesta parceria ele inclui
também os madeireiros, que terão que reduzir lucros e
adotar planos mais eficientes de manejo. "Na
participação popular estamos incluindo os empresários,
que deverão mudar suas formas de exploração. Caso
contrário, vamos multar forte e até prender quem destrói
o meio ambiente", afirma.
Na cerimônia de posse, a
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, enfatizou que a
instituição é a face pública do ministério e a
conservação de sua boa marca e imagem é essencial
para a política ambiental do governo.
A ministra pediu, no
entanto, que o trabalho de toda a sua equipe seja
realizado "com menos barulho e com mais consistência".
E disse que deseja fazer do ministério "uma
toceira de Açaí ou Jarina", que prolifera meio a
tantas outras plantas, e não uma árvore como a amazônica
Tachi, "que apesar de bonita e elegante, não deixa
nada florescer debaixo de sua copa".
Doenças tropicais
O novo presidente do
Ibama é médico e pesquisador, especializado em doenças
tropicais. É o descobridor da pentamidina - droga que
cura a Leishmaniose (doença causada por ratos) com
apenas cinco injeções, contra a média de uma centena
de ampolas de outros medicamentos injetáveis.
Há nove
meses Barros dirigia o Instituto Nacional de Pesquisa da
Amazônia (Inpa), para onde foi nomeado pelo
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, escolhido em
lista tríplice apresentada pelo ex-ministro da Ciência
e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg. Foi reitor da
Universidade Federal do Amazonas, instalou e dirigiu o
escritório técnico da fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz),
do ministério da Saúde, também naquele estado.
(Gazeta Mercantil/Página
C3)(Gisele Teixeira)
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