Preço agrícola sobe 2,35% em dezembro
 
      7 de Janeiro de 2003 - Dos 19 produtos que compõem a pesquisa, apenas seis apresentaram redução nos preços. Os preços agrícolas subiram 2,35% no Estado de São Paulo em dezembro, com redução de 6 pontos percentuais em relação ao mês de novembro. 
 
O índice de preços recebidos pelos agricultores paulistas (IPR), ainda que em fase de crescimento, mudou de patamar, passando da faixa de 8% a 9% ao mês para a de 2% a 2,5% ao mês. 
 
No mês de dezembro, dos 19 produtos que compõem a pesquisa, apenas seis apresentaram redução nos preços (café, feijão, laranja, milho, soja e trigo).
 

      Entre os itens de origem vegetal, o aumento nos preços de cinco produtos, apesar da redução em outros seis e da estabilização em três produtos, gerou alta de 2,23% no índice de preços do grupo. 
 
No segmento de produtos animais, a subida nas cotações de aves, boi gordo, ovos e suínos, aliada à manutenção da estabilidade do leite, levou ao aumento de 2,57% no preço do grupo. O resultado final do mês foi o crescimento de 2,35% no índice geral (IPR).

      Em 2002, a variação acumulada do IPR fechou o ano em 30,53%. No mesmo período, o IGP-M teve variação de 25,31% e a estimativa para o IPC-Fipe é de 10,52%. Isto significa que houve ganho no poder de troca dos agricultores de 5,22 pontos percentuais sobre o IGP-M e de 20,01 pontos percentuais frente ao IPC-Fipe.
 
 Durante o ano, 17 produtos apresentaram crescimento nos preços, dos quais algodão, amendoim, arroz, banana, café, feijão, laranja, milho, soja, trigo, aves, boi gordo, leite e ovos registraram aumentos superiores a 20%.

      Acréscimos em menor intensidade foram verificados nos preços de batata, tomate e suínos. Por outro lado, apenas dois dos produtos avaliados apresentaram redução - cana-de-açúcar e cebola. 
 
A variação mensal anualizada do IPR indica queda até abril, quando o índice começou a se recuperar, até fechar dezembro com 30,53%. Este é o segundo ano em que o IPR dos agricultores paulistas tem crescimento acumulado superior ao dos índices de inflação, apresentando assim ganhos no poder de troca.

      A estimativa preliminar de 17% do índice de preços pagos pelos agricultores, cotejada com o aumento de 30,53% do IPR, confirma o ganho para os produtores rurais. Vale lembrar que estimativas do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) indicam crescimento de 6,50% do PIB da agropecuária brasileira em 2002.
 
 Dessa forma, a agropecuária constitui-se no setor da economia brasileira com crescimento médio de 3,50% ao ano nos últimos oito anos, mantendo assim seu padrão histórico de desempenho.

      Em 2002, o milho foi o destaque de alta nos preços agrícolas, com 124,91%, em função da quebra da safra brasileira, das dificuldades de importação devido à indefinição quanto aos transgênicos e do aumento da demanda. 
 
Ainda em 2002, o preço do café iniciou expressiva recuperação, mesmo com a maior colheita brasileira dos últimos quinze anos.

      Por outro lado, o preço do boi gordo, segundo produto em importância na agropecuária paulista, apresentou crescimento acumulado de 26,52%, em função da aceleração das exportações de carne bovina, que compensou a fraca demanda interna no ano. 
 
O preço do feijão terminou 2002 com alta de 77,83%, que se manifestou a partir de junho, com a quebra da terceira safra do ano em função da estiagem e do atraso no plantio da safra de 2002/03.
 


      (Gazeta Estado de São Paulo/Página 2)(de São Paulo)
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