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Usinas
recebem por energia da cana
07 de Janeiro de 2002 -
Utilização da biomassa rendeu R$
30 milhões em contratos com geradoras do Nordeste
Etiene Ramos*
do Recife
O setor sucroalcooleiro do Nordeste
começou a receber ontem parte dos R$ 30 milhões da energia
produzida a partir da biomassa do bagaço de cana ou de pequenas
hidroelétricas e vendida na época do racionamento ao Mercado
Atacadista de Energia (MAE) por meio da Guaraniana Comércio e
Serviços (GCS), a comercializadora de Energia do Grupo Iberdrola.
Segundo o presidente da Guaraniana, Max Xavier Lins, serão pagos
cerca de R$ 6 milhões, que equivalem a 19,3% do total que o setor
tem a receber.
A previsão inicial de que a
liquidação do MAE, realizada nos dias 30 de dezembro e 2 de
janeiro, pagaria metade do volume negociado entre setembro de 2000
e setembro de 2002, foi desfeita pela concessão de liminares aos
devedores, que questionavam a realização da liquidação antes
da auditoria nos números do MAE.
Com isso, os usineiros deixam de
receber cerca de R$ 15 milhões e vão ter que esperar a realização
da auditoria pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
para que aconteça a liquidação do restante, que será corrigido
pelo IGPM a partir da data desta primeira etapa da liquidação.
Na negociação com o MAE durante o
racionamento, as usinas conseguiram vender o megawatt hora a R$
684,00, hoje ele custa cerca de R$ 6,00 no MAE e é comprado pela
Guraniana por R$ 80,00. Para Max Xavier o início do pagamento é
um passo importante. `Esses recursos vão entrar no balanço de
2002 das usinas, tornando a negociação irreversível, tranqüilizando
e dando um novo ânimo ao setor sucroalcooleiro`.
Os 35 contratos celebrados entre a
GCS e as usinas do Nordeste, representam o maior número de
contratos do Brasil com o setor. `Estamos concretizando uma
parceria bem sucedida`, comemora, revelando que os contratos têm
uma média de quatro anos, com alguns chegando a dez.
Para o presidente do Sindicato da
Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar/PE),
Renato Cunha, ainda é preciso que o governo federal aposte mais
alto na produção da energia renovável, garantindo a compra da
produção das usinas. Segundo ele, o atraso na liquidação dos
recursos junto ao MAE vai repercutir nos investimentos das usinas
em tecnologia para ampliar a produção. Das cerca de 100 usinas
nordestinas, uma média de 30 produz energia para consumo próprio
e vende os excedentes para o sistema da Região.
Celpe e Coelba
A liquidação do MAE também não
trouxe o resultado esperado para a Companhia Energética de
Pernambuco (Celpe) e para a Companhia de Eletricidade da Bahia
(Coelba). A Companhia pernambucana esperava 50% dos R$ 91,3 milhões
que tem a receber, mas recebeu apenas R$ 17,2 milhões ou 18,83%
do total. O diretor de Economia e Finanças da Celpe, Afonso
Walker, espera que a liquidação seja finalizada até o final de
março, após a auditoria externa sobre os valores apurados pelo
MAE há dois anos. O dinheiro seria aplicado na amortização de débitos
da empréstimos da empresa e em novos investimentos para 2003.
`Ainda esperamos esses recursos para definir os investimentos
deste ano`, revela.
Na Coelba, que como a Celpe também
faz parte do Grupo Iberdrola, a situação é semelhante. A
empresa tem R$ 100 milhões em créditos das negociações junto
ao MAE entre setembro de 2000 a setembro de 2002, mas só recebeu
R$ 17,8 milhões. O diretor Financeiro da Coelba, Erik Breyer,
acredita que o dinheiro será pago à medida que o MAE conseguir
derrubar as liminares e receber os recursos dos devedores. Até lá,
a empresa vai continuar a financiar seus investimentos no mercado.
`Estamos confiantes que essa questão será resolvida, mas o
atraso do MAE, que deveria ter liquidado as faturas há pelo menos
um ano, será sentido pelo consumidor, porque as empresas vão
atrasar seus investimentos`, diz o diretor.
*Especial para a Gazeta Mercantil
Produtores regionais criam associação
Adriana Guarda
do Recife
O setor sucroalcooleiro do Nordeste
ganha força com a criação da União Nordestina de Produtores de
Cana (Unida), que reúne nove entidades da Região, totalizando 18
mil produtores. A proposta da Unida é defender os interesses da
agroindústria canavieira, pressionando o Governo para que seja
cumprida a Lei Federal 4.870/65, que regulamenta o setor. A criação
da União foi formalizada, ontem, numa reunião entre
representantes dos nove estados nordestinos.
O consultor da Unida, Gregório
Maranhão, diz que entre os projetos da entidade estão a criação
de um fundo de pensão para os canavieiros, um sistema de
e-commerce (para baratear a aquisição de insumos) e uma proposta
para renegociar dívidas e restabelecer crédito aos produtores
junto ao Banco do Brasil. `A Unida já existia como movimento
regional há 5 ou 6 anos, mas agora ela ganha personalidade jurídica`,
observa.
Na avaliação do consultor, o ano
deve ser positivo para a agroindústria cavavieira, em função da
ligação do novo Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, com
o setor. `Precisamos resgatar a importância do fornecedor de cana
no setor. Nas duas últimas décadas, a produção de cana-de-açúcar
pelos fornecedores no Nordeste caiu de 71 milhões para 18 milhões
de toneladas por safra`, compara.
O presidente da Federação dos
Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Antônio Celso de
Andrade, lembra que os fornecedores já chegaram a responder por
70% da produção de matéria-prima para a indústria, e hoje o
volume não chega a 35%. `Essa reforma agrária às avessas é
motivada pelo descumprimento da Lei 4.870/65, que determina que a
compra de 60% da cana esmagada pelas usinas seja proveniente de
fornecedores`, explica.
Em Pernambuco, os fornecedores
produzem 6,3 milhões das 15,5 milhões de toneladas colhidas no
Estado. Em Alagoas o desequilíbrio é ainda maior. Os
fornecedores produzem apenas 7 milhões das 25 milhões de
toneladas de cana colhidas nos campos alagoanos. No Nordeste, das
48 milhões de toneladas, os fornecedores são responsáveis por
18 milhões.
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