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Região
Centro-Oeste impulsiona superávit do agronegócio
8 de Janeiro de 2003 - Os
estados do Centro-Oeste são grandes responsáveis pelo
superávit recorde da balança do agronegócio em 2002.
Levantamento divulgado ontem pelo Ministério da
Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, mostra que a
diferença entre as exportações e as importações
agropecuária foi positiva em US$ 20,3 bilhões.
O
resultado é 7% superior ao alcançado no ano anterior.
A região responde atualmente por 46,7% da produção
brasileira de soja. E foi o grão um dos principais
responsáveis pelo resultado positivo das exportações
agropecuárias brasileiras.
Dos US$ 24,8 bilhões
comercializados com o exterior em 2002, US$ 6 bilhões
foram provenientes da venda do complexo soja. Enquanto
as exportações totais brasileiras cresceram apenas
4,1%, as do complexo foram 13,4% superiores.
As vendas
externas de soja em grãos somaram US$ 3,03 bilhões,
registrando um aumento de 11,2% sobre 2001. Já as
exportações de farelo de soja cresceram 6,5%,
totalizando US$ 2,1 bilhões.
Mas, em termos
percentuais, o maior incremento foi o das vendas
externas de óleo de soja, com variação de 62,7%,
passando de US$ 415 milhões para US$ 675 milhões.
Amílcar
Gramacho, diretor de Comercialização do ministério,
diz que o crescimento na receita com a comercialização
de óleo de soja se deve ao volume maior enviado ao
exterior (22,3%) e nos preços do produtos (33%). O
diretor diz que houve redução na oferta de óleo de
palma, provocando maior procura pelo de soja.
O diretor de comercialização
diz que o câmbio favorável à exportação em 2002,
quando o dólar passou dos R$ 3,90, estará se
refletindo nas vendas deste ano, pois muitos
agricultores aumentaram a produção e, conseqüentemente,
o potencial exportável.
Com esta
expectativa, espera-se, apenas na soja, um incremento de
US$ 1,6 bilhão nas vendas externas. As exportações do
complexo carnes também tiveram um bom desempenho em
2002.
E, mais uma vez o
Centro-Oeste é destaque, uma vez que quase metade do
rebanho bovino nacional encontra-se nos estados da região.
As receitas do setor alcançaram US$ 2,751 bilhões, um
acréscimo de 7,8% em comparação com 2001. No caso dos
suínos, por exemplo, o volume foi 81,6% e, no frango in
natura, 28,1%.
Para
Gramacho, o bom desempenho é resultado da conquista de
novos mercados e das restrições sanitárias da Rússia
para os Estados Unidos.
Outros grupos de produtos
que contribuíram positivamente para o crescimento das
exportações do agronegócio foram: madeira (US$ 2.213
milhões), sucos (US$ 1.133 milhões), fumo e tabaco
(1.008 milhões) e pescados (US$ 334 milhões), com
crescimento de 17,8%, 22,4%, 6,8% e 23,4%,
respectivamente.
Foi a
primeira vez que o saldo da balança comercial do
agronegócio superou a marca de US$ 20 bilhões. O
crescimento, no entanto, em termos percentuais, não foi
o maior dos últimos anos. O recorde havia acontecido em
2001, com acréscimo de 28,3%.
Redução de importações
O bom desempenho
registrado no ano passado deve-se mais à redução nas
importações do que ao crescimento das vendas externas.
O setor comprou US$ 4,49 bilhões no ano passado, ou
seja, uma queda de 7,3% sobre 2001. No mesmo período,
foram comercializados com o exterior US$ 24,8 bilhões,
o que representa um aumento de 4,1%.
Para
Gramacho, a receita recorde alcançada pelas exportações
agropecuárias foi resultado de um esforço exportador
do Brasil. Isto porque, segundo ele, o País precisou
vender uma maior quantidade de produtos em detrimento
aos baixos preços internacionais das commodities.
Por isso, ele acredita
que em 2003, o saldo da balança comercial do agronegócio
também deverá ter crescimento, já que se espera para
este ano uma recuperação nos preços internacionais
dos produtos exportáveis e um volume maior também.
Gramacho, no entanto, não acredita em uma redução
significativa nas importações, exceto se o Brasil
mudar sua política junto aos parceiros do Mercosul.
(Gazeta Estado de São
Paulo/Página 2)(de Campo Grande)
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