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Produtor
terá crédito para estocagem -um
novo sistema de registro, negociação e de liquidação de títulos
e contratos do agronegócio
BM&F
lançará sistema de registro de títulos que integrará negócios
dos mercados físico e futuro. Os agricultores ganham em 2003 um
novo sistema de registro, negociação e de liquidação de títulos
e contratos do agronegócio. A parceria entre a Bolsa de
Mercadorias & Futuros (BM&F) e a Bolsa Brasileira de
Mercadorias (BBM) propiciou o desenvolvimento do Sistema BM&F
composto de: Sistema de Registro e Custódia de Títulos do
Agronegócio (SRCA); Sistema Eletrônico de Negociação; e
Sistema de Liquidação.
O SRCA está preparado para
registrar e custodiar as Cédulas de Produtos Rurais-CPRs (física
ou financeira); os novos documentos de depósito em fase de
regulamentação pelos Ministérios da Fazenda e da Agricultura,
Pecuária e do Abastecimento; bem como outros títulos e contratos
utilizados pelos agentes do agronegócio brasileiro em suas transações
comerciais.
Os novos documentos de depósito,
os CD/Warrant, serão uma alternativa para que o agricultor possa
manter sua produção armazenada enquanto aguarda a melhor
oportunidade para comercializá-la.
"O financiamento será bancado
pelo mercado", afirma Edilson Martins de Alcantara,
diretor-executivo da BBM e consultor da BM&F.
Atualmente, o governo federal dispõe
de poucos recursos para o atendimento das necessidades de
financiamento para a estocagem dos produtos agrícolas durante o
período da entressafra, com exceção do programa para o café e
álcool - este último, aprovado no final de 2002, porém, ainda não
foi colocado em prática.
Antes da implantação dos novos
instrumentos de financiamento e comercialização, a BM&F e a
BBM, em parceria com o Banco do Brasil (BB), começam a colocar em
prática durante este mês de janeiro o Sistema de Registro de Títulos
do Agronegócio, que vai permitir a integração de todas transações
de mercado - físico, futuro e de títulos, para operar
efetivamente a partir de fevereiro. "O sistema de registro dá
maior agilidade às operações", afirma Alcantara. Segundo
ele, o sistema é o principal passo para a criação do mercado
secundário de títulos, com sistema informatizado e interligado
ao Banco do Brasil. "Se hoje o volume de CPR ultrapassa a
marca de R$ 1 bilhão, com o mercado secundário, as operações
de troca de títulos, esse número pode alcançar R$ 5 bilhões",
diz.
Atualmente, os títulos são
registrados na Central de Registros de Títulos Públicos (Cetip),
no Rio de Janeiro. Agora, ganha uma nova opção com registro
dentro da clearing de derivativos da BM&F, interligado ao novo
sistema. "A Cetip não possui essa interligação."
Licitação pública
A exemplo do que já ocorre no Mato
Grosso do Sul, a BBM também vai permitir que sejam feitas licitações
públicas de compra e venda de produtos, não restrito somente a
itens agrícolas. "O governador Zeca do PT foi o
pioneiro", informa Alcantara. A BBM fechou o mesmo convênio
com o Mato Grosso e está em conversação com São Paulo,
Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Goiás e Maringá. "O programa
dá maior transparência aos gastos públicos", diz. Em dois
anos, os leilões do Mato Grosso do Sul movimentaram R$ 80 milhões,
com economia estimada em 15% nas operações. No ano de 2003 essa
economia deverá ser bem maior, com o depósito prévio do valor
das compras na clearing da BBM, que garantirá as aquisições.
Além da economia de recursos
financeiros, os pregões públicos realizados na bolsa propiciou
ao Estado realocar em áreas sociais, funcionários que até então
trabalhavam na burocracia. Com o sistema na bolsa, que representa
cerca de 40% das compras, o Estado usa só quatro funcionários,
enquanto no restante pelo sistema convencional são utilizados 150
pessoas.
Criada no final de outubro, a BBM
agiliza a comercialização dos produtos agrícolas no mercado físico,
além de desenvolver mercados primários e, principalmente, os
secundários (títulos). BM&F tem 55% de participação na BBM.
Os 45% restantes pertencem às bolsas regionais e corretoras. A
sede fica em Brasília e a central administrativa e operacional,
em São Paulo.
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