Argentina atrai investidores para a fabricação de vinhos
 

Peso desvalorizado e clima propício estimulam investimentos em vinhedos. A família Rothschild, da França, a Freixenet S.A., da Espanha, e o Crédit Suisse Group compartilham algo mais raro do que uma garrafa barata de bom vinho: a avidez de investir na Argentina.

      Empresas como o Bank of Nova Scotia do Canadá saíram do segundo maior país sul-americano, enquanto a francesa France Télécom S.A. optou por dar baixa em seu investimento lá, à medida que a moeda desvalorizou-se e a economia entrou em recessão. No entanto, alguns produtores de vinho internacionais pretendem tirar vantagem da queda dos custos da terra e da mão-de-obra para comprar vinhedos.

      "Agora é a hora de entrar na Argentina", afirmou Jose Luis Bonet, presidente da Freixenet, maior produtora mundial de vinho frisante.

      Com o peso em queda, o solo e o clima já favoráveis do país tornaram-se ainda mais atraentes para produtores de vinho e investidores. "Nada bate a proporção qualidade-preço da Argentina hoje em dia", comentou Xavier Pages, responsável pela produção internacional da Codorniu, segunda maior produtora de vinho frisante da Espanha.

      Sua empresa pode aumentar os US$ 10 milhões já gastos na compra de 300 hectares e construir uma empresa de vinho na Argentina. A Freixenet, que possui caves na França, no México e nos Estados Unidos, quer comprar uma vinharia já estabelecida.

      Um hectare de terra em Mendoza, principal província produtora de vinhos da Argentina, na região montanhosa na base da Cordilheira dos Andes, custa cerca de US$ 10 mil, um décimo de uma terra semelhante na Espanha ou um quarenta avos do que custaria no Napa Valley, na Califórnia.

      Investidores Franceses

      Um grupo de investidores de algumas das famílias mais ricas da França, entre eles Laurent Dassault e Nadine Rothschild, aumentarão os US$ 23 milhões iniciais que gastaram na Argentina em 1999. "Depois da desvalorização, decidimos acelerar nosso investimento", disse Philippe Schell, que administra os ativos do grupo na Argentina. "Vamos construir uma segunda vinharia e em 2004, construiremos mais uma", disse.

      O clima da Argentina, a ausência de pragas e a escassez de chuvas fornecem "o ambiente perfeito para a produção de vinho", afirmou o especialista Ed McCarthy.

      "Quando as pessoas experimentarem os vinhos argentinos e depois virem seus preços, vão gostar muito", afirmou Mark Phillips, diretor executivo da Wine Tasting Association, com sede no distrito federal de Washington, EUA.

      McCarthy afirmou que um Trapiche argentino cabernet sauvignon 1999 envelhecido em barris de carvalho, que é vendido no varejo por US$ 9 a US$ 10 a garrafa nos EUA, compara-se em qualidade com um Beaulieu Rutherford cabernet sauvignon 1999 da Califórnia, vendido por US$ 20 a US$ 23.

      Por mais de uma década, as exportações da Argentina foram prejudicadas por um sistema cambial que atrelava o peso ao dólar, tornando os vinhos caros em relação a concorrentes como o Chile, África do Sul e Austrália. Além disso, os argentinos costumavam consumir a maioria da produção, deixando uma pequena quantidade às vendas externas.

      Quinta maior produtora mundial de vinhos, a Argentina não integra sequer a lista das dez maiores exportadoras. Em 2001, as exportações - a maioria para o Reino Unido, os Estados Unidos e a Alemanha - foram de 46,8 milhões de galões, ou 11% da produção do país, informou a Office International de la Vigne et du Vin, com sede em Paris. O vizinho Chile embarca por ano dois terços de sua produção.

      O peso fraco e o efeito do aprofundamento da recessão sobre o consumo interno podem elevar as exportações em até 20% em 2002, segundo a Associação de Vinharias Argentinas. "Estamos voltando nossos esforços para a exportação de vinhos que, por exemplo, vão vendidos no varejo nos EUA por US$ 5 a US$ 10 e na Argentina valem US$ 1,25 a US$ 4,20", afirmou Jorge Arpi, gerente das caves de Santa Ana, e Michel Torino, que pertencem à Peñaflor S.A., maior fabricante de vinhos da América Latina.

      A Peñaflor é controlada pela DLJ Merchant Banking, unidade do Crédit Suisse Group. Os especialistas em vinhos afirmam que a Argentina também pode concorrer em um nível mais elevado.

 

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