O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está instalando um supercomputador para multiplicar por 48 a capacidade de processamento no Centro de Previsão de Tempo
 
      São Paulo, 9 de Janeiro de 2003 - O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está instalando um supercomputador para multiplicar por 48 a capacidade de processamento no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), para 768 bilhões de cálculos por segundo. 

Trata-se do mais potente equipamento da fornecedora japonesa NEC implementado no Hemisfério Sul. A um custo de US$ 20 milhões, o projeto estará totalmente concluído no segundo semestre.

      A primeira fase foi inaugurada no final do ano passado, quando quatro dos 12 computadores que serão interligados para compor o supercomputador modelo SX-6 entraram em operação. Nessa etapa foram consumidos US$ 6 milhões da verba obtida do governo federal. 

O modelo já em funcionamento apresenta uma performance de 256 bilhões de cálculos por segundo para processamento de dados, garantindo mais precisão e agilidade nas previsões de tempo e clima para meses e até anos, de acordo com a chefe de operações do CPTEC, Dra. Chou Sin Chan, também pesquisadora do Inpe.


      Em sua avaliação, quando o sistema for totalmente instalado, o instituto estará muito mais apto para estudar mudanças climáticas de décadas a até séculos a frente. "Poderemos inclusive fazer simulações de mudanças climáticas e saber como será a Amazônia daqui a 100 anos", diz Chou, contando que o antigo computador, também da NEC, será reservado para pesquisas que não exigem respostas tão imediatas.



      Segundo a pesquisadora, a crise energética de 2001 foi a principal responsável pela liberação da verba do governo para a aquisição do supercomputador. O equipamento utilizado anteriormente, explica ela, já não supria todas as necessidades do instituto por ter memória limitada e ser menos veloz. Além de muito mais rápida no processamento de informações, a nova tecnologia aumentará significativamente a precisão das previsões. 

Antes, por exemplo, a previsão de tempo regional para três dias apresentava detalhamento de 40 quilômetros para a América do Sul e levava duas horas. O Inpe está fazendo testes com detalhamento de 20 quilômetros e, conforme Chou, o processo tem consumido menos de 30 minutos.

      "Hoje pode-se prever que choverá na cidade de São Paulo, mas será possível saber o que acontecerá na Zona Sul ou na Leste", explica o gerente técnico de Sistemas de Alto Desempenho da NEC do Brasil, Marcos Souza. Ele lembra que um supercomputador num centro de meteorologia pode ajudar os setores agrícolas e também as usinas hidroelétricas. 

Baseado na previsão do tempo, um agricultor tem condições de tomar decisões de manejo da terra ou seleção de uma cultura e, em casos de decisões equivocadas, pode evitar perdas com uma previsão mais detalhada. No caso de hidroelétricas, é necessário um planejamento antecipado para manutenção de reservatórios em níveis ideais.



      Segundo a gerente de conta do SX Office da NEC do Brasil, Fernanda Mendes, os supercomputadores da NEC estão presentes em diversos centros de meteorologia no mundo, incluindo o Instituto Meteorológico da Dinamarca; a Agência Meteorológica da Coréia, em Seul; o Centro de Meteorologia e Clima da Alemanha, em Hamburgo; a Agência de Meteorologia do Reino Unido, em Londres; e a Agência Meteorológica do Japão, em Tóquio.


      A empresa ainda participou de um dos maiores projetos em supercomputação para o governo japonês, batizado de Earth Simulator. 

Em operação desde março de 2002, o equipamento simula um planeta virtual devido à capacidade de processar um grande volume de dados enviados a partir de satélites e de outros pontos mundiais de observação. O sistema contribui na análise e previsão de mudanças ambientais na Terra através da simulação de fenômenos ambientais em escala global, como o aquecimento da terra, a poluição atmosférica e oceânica e as chuvas. 

Também serve como ferramenta de pesquisa para explicar fenômenos geológicos como terremotos. "Em 1998, todos os 500 maiores supercomputadores do planeta tinham juntos a mesma performance que tem o Earth Simulator hoje (36,8 trilhões de operações)", diz Fernanda.

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