O governo do Amazonas vai solicitar financiamento de US$ 500 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para recuperar 100 quilômetros de igarapés 
 
      Manaus, 9 de Janeiro de 2003 - Governador do Amazonas e prefeito pedirão financiamento ao BID. O governo do Amazonas vai solicitar financiamento de US$ 500 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para recuperar 100 quilômetros de igarapés da zona urbana de Manaus ocupados por cerca de 80 mil famílias. 

O governador Eduardo Braga (PPS) e o prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento (PL), anunciam que o projeto será apresentado ainda nesta quinzena aos técnicos do BID. Governo e Prefeitura apresentariam, juntos, uma contrapartida de 25% sobre o valor do financiamento.

      Um projeto com a mesma finalidade, no valor de US$ 100 milhões, foi apresentado ao BID há dez anos, mas não chegou a ser concretizado. À época, a contrapartida exigida era de 50%. 

No começo desta semana, o governador e o prefeito reavaliaram o projeto e decidiram reapresentá-lo com modificações. "Hoje existem condições mais favoráveis à realização de projetos desse porte", diz Braga. É provável ainda, segundo o governador, que haja uma participação do GEF (Global Enviroment Found) no projeto.

      A recuperação dos igarapés está incluída no plano emergencial dos primeiros 100 dias do governo de Braga. Nesse período, o estado prometeu transferir pelo menos 400 famílias que residem em palafitas sobre os igarapés para regiões mais seguras e saneadas, além de limpar os principais mananciais. 

Nessa fase serão utilizados recursos do próprio estado, em torno de R$ 9 milhões. Para a fase seguinte, Braga disse que serão recuperados cerca de 40 quilômetros de igarapés, com parte do dinheiro obtido no BID.



      Os US$ 500 milhões seriam aplicados num período de 10 anos. Além da recuperação ambiental dos mananciais, haveria investimentos na rede de esgoto da cidade. Apenas 13% da população de Manaus, hoje em torno de 1,5 milhão de habitantes, contam com esse serviço, concessão da Águas do Amazonas, empresa do grupo Ondeo. A companhia não poderá cobrar tarifa de esgoto nas áreas atendidas pelo estado. 

Para o prefeito Alfredo Nascimento, a parceria resultará na melhoria da qualidade de vida da população. No início desta semana, os dois políticos apararam as arestas de campanha. Nascimento apoiou o candidato do PSB ao governo, ex-vereador Serafim Corrêa.


      A ocupação das margens e leitos dos igarapés que cortam Manaus se intensificou a partir da década de 70 do século passado, com a implantação da Zona Franca de Manaus, que atraiu a população do interior do estado e de outras regiões do País. 

Hoje, todos os igarapés estão tomados por palafitas, barracos precariamente montados sobre estacas de madeira. Lixo e dejetos domésticos são jogados na água, que se tornou imprópria para a fauna aquática. Por isso, são comuns as enchentes e transbordamentos nos períodos de chuva, fenômenos que aumentam o risco de aci-dentes e doenças.


      O professor de Geografia Humana da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) José Aldemir de Oliveira sugere que o projeto seja discutido com os moradores da cidade. "Temo que esse projeto faça parte dos pacotes que são empurrados para o poder público sem que a população tenha oportunidade de opinar sobre eles", afirma Oliveira. 

Pesquisadores da Ufam e do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) asseguram que os principais mananciais que cortam a zona urbana de Manaus podem ser ambientalmente recuperados, pois suas nascentes se localizam em áreas ainda preservadas da ocupação humana.

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