Clima adverso leva ao replantio de lavouras
 
 

A safra brasileira de grãos não deverá ser a estimada pelo governo, em 106,1 milhões de toneladas, segundo analistas do setor. O atraso no plantio da safra de verão, devido ao excesso de chuva no Sul e à escassez no Centro-Oeste, pode provocar quebra na produção e prejudicar o plantio da safrinha de milho.



      Além destes problemas, no Centro-Oeste muitos produtores optaram por replantar os grãos. Estimativas oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) só serão divulgadas em fevereiro.

 



      Milho comprometido

      Na opinião do analista Carlos Cogo, da Cogo Consultoria Agroeconômica, a safra de soja deverá ficar nos níveis semelhantes aos estimados pelo governo, em 48 milhões de toneladas, mas a de milho, está comprometida.



      Cogo não acredita que o País vai colher na segunda safra de milho o mesmo que no ano passado: 6,1 milhões de toneladas. Adriano Vendeth de Carvalho, da SoloBrazil, disse que o replantio não foi em volume considerável, mas que o atraso é que influenciará na produtividade do milho para esta safra.



      Carvalho acredita em uma produção da safrinha semelhante à de 2002. Já Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado, informou que o atraso é regional e que muitos produtores de soja terão que antecipar a colheita. "Não podemos dizer ainda que a safrinha de milho quebrou", afirmou.


      O certo é que no Centro-Oeste haverá queda na produtividade. Em Mato Grosso, entre 25% e 30% da produção de soja precisou ser plantada novamente. Pelas estimativas do economista Amado Oliveira, da Federação da Agricultura do Estado de Mato Grosso (Famato), isto irá comprometer 5% da produção, estimada em 12 milhões de toneladas.



      No Mato Grosso do Sul, a secretaria de produção estima que houve replantio da safra de soja de 5% na média, chegando a 15% em algumas regiões, como as dos municípios de Sidrolândia e Maracaju. O governo ainda não calculou as perdas.



      Replantio de grãos

      Em Goiás, 1% da safra de soja e 5% da de milho precisaram ser replantadas, sobretudo no Sul e Sudoeste do estado. "Certamente haverá quebra na produtividade e prejuízo na safrinha", disse Angelo Salvador, diretor do departamento de estatísticas e mercado da Secretaria de Agricultura de Goiás. Calcula-se quebra de 5% na produção de milho, estimada em 2,4 milhões.



      Diante desse quadro, Carlos Cogo salientou que não adianta mais o governo anunciar medidas para a safrinha de milho, pois com certeza o País precisará importar o grão. Para ele, se houver alguma necessidade, será a de ajuda às indústrias de aves e suínos, no segundo semestre, quando poderá faltar milho.



      Para o analista da Safras & Mercado, Paulo Molinari, o governo não tem que mexer na política atual, só dar sustentação na colheita.

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