|
Nova fábrica faz
Monsanto aumentar exportações
São Paulo, 20 de Janeiro de 2003 -
Unidade baiana abastece com matéria-prima indústrias da Bélgica
e da Argentina para a fabricação de herbicida.
A Monsanto do Brasil
quintuplicou suas exportações em 2002 como reflexo da inauguração
de sua fábrica de matérias-primas para herbicidas em Camaçari
(BA), em dezembro de 2001. As receitas cambiais da norte-americana
somaram US$ 165 milhões, em comparação ao resultado obtido de
US$ 30 milhões no ano anterior, afirma o diretor de marketing,
Felipe Osorio.
Mais de 90% deste volume exportado
pela empresa refere-se a matérias-primas para a fabricação do
herbicida Roundup nas unidades de Antuérpia, na Bélgica, e
Zarate, na Argentina, que antes eram abastecidas pela fábrica dos
Estados Unidos.
Saldo positivo
Segundo informa Osorio, com o início
das operações da unidade industrial, que foi inaugurada em
dezembro de 2001 no pólo petroquímico baiano, a subsidiária
brasileira deixou de importar em média US$ 150 milhões em
produtos básicos para a fabricação de herbicidas - sobretudo o
Roundup - e passará a exportar aproximadamente US$ 150 milhões,
o que significa uma diferença expressiva, de US$ 300 milhões, no
saldo da balança comercial brasileira. "O resultado é
extremamente favorável para o agronegócio brasileiro", diz
Luiz Antonio Abramides do Val, diretor de regulamentação para a
América Latina.
A nova unidade industrial da Bahia
também abastece a fábrica de São José dos Campos (SP). Está aí
a economia, na medida em que não há mais necessidade de adquirir
o produto dos Estados Unidos. "A unidade baiana é a única
no continente, com exceção da indústria norte-americana, a
fabricar os componentes para o Roundup", diz.
Além de embarcar matéria-prima, a
empresa também exporta o produto final, o glifosato, que é o
herbicida Roundup, um dos principais produtos do mercado e dos
mais vendidos em todo mundo.
Mais investimentos
A Monsanto investiu nos últimos
cinco anos, encerrados em 2003, um total de US$ 800 milhões em
aumento de produção, modernização de unidades de sementes e na
fábrica de matérias-primas baiana. Na Bahia, o investimento
total será de US$ 550 milhões e até o momento já foram gastos
US$ 350 milhões.
A empresa também modernizou suas
unidades de sementes de milho, sorgo e girassol, em Uberlândia,
num total de US$ 40 milhões, além de US$ 20 milhões na
modernização de outras unidades de sementes, US$ 17,5 milhões
para aumentar a capacidade da fábrica de São José dos Campos e
cerca de US$ 200 milhões na manutenção e modernização de
outras unidades.
No mundo, os principais
investimentos da empresa norte-americana são os voltados às
pesquisas na área de biotecnologia, na reprodução molecular e
genômica. Só em biotecnologia, a Monsanto já investiu cerca de
US$ 4 bilhões nos últimos cinco anos, em plantas geneticamente
modificadas, resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas.
Queda nas vendas
O aumento das exportações da
unidade brasileira melhorou o desempenho da empresa, que sofreu
com quedas nas vendas nos Estados Unidos. Em 2002, o faturamento
no País ficou estável, em relação a 2001, que fechou em US$
500 milhões, informa Osorio.
Já o faturamento mundial da
Monsanto caiu 11% em 2002, para US$ 4,8 bilhões, em relação às
vendas de 2001, que somaram US$ 5,4 bilhões.
Segundo o diretor os motivos da
baixa foram a reestruturação feita na empresa; a forte seca no
Meio-Oeste dos Estados Unidos, o principal cinturão produtor de
grãos daquele país, que impediu o crescimento de ervas daninhas
e trouxe como conseqüencia a queda na venda de herbicidas; e também
a alteração no perfil das operações na América Latina,
sobretudo na Argentina.
A empresa fechou o terceiro
trimestre com queda de 27% nas vendas líquidas, em relação a
igual período de 2001. Com isso, a Monsanto reduziu em 30% suas
estimativas de lucro por ação, de US$ 2,25 para US$ 1,50.
A Monsanto foi fundada em 1901 na
cidade de St. Louis, estado de Missouri, nos Estados Unidos, onde
se localiza até hoje sua sede. A foco principal é o
desenvolvimento de produtos voltados ao setor agrícola, sobretudo
herbicidas e sementes modificadas por melhoramento convencional ou
pela biotecnologia.
O número de funcionários é de 14
mil e a empresa atua em todos o continentes. No Brasil, a Monsanto
está desde a década de 50, inicialmente comercializando matérias-primas.
Em 1963, ela montou um escritório de vendas em São Paulo e
inaugurou, em 1976, a sua primeira fábrica, de herbicidas, a de São
José dos Campos.
Soja e milho
No segmento de sementes, a Monsanto
comprou as empresas Terasawa, Braskalb, Cargill e Agroceres e hoje
é líder nas vendas de sementes de milho, com mais de 35% do
mercado.
Na área de sementes
de soja - segmento que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa) lidera, com mais de 50% - a Monsanto é responsável
pela venda genética para empresas multiplicadoras e tem 20% de
mercado com a marca Monsoy. Entre os concorrentes estão Coodetec
e Fundação MT. "Existem mais de 400 empresas
multiplicadoras de sementes".
|