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Grupo alemão
planeja rede de hotéis no Amazonas
Manaus, 20 de Janeiro de 2003 -
Empreendimentos levam em conta aspectos ambientais e sociais. A
Tui International, com sede na Alemanha, está construindo uma
rede de hotéis no Amazonas destinada ao turismo sustentável.
Em maio, será
inaugurada a primeira unidade, localizada à margem direita do
rio Negro, no município de Iranduba, em frente à cidade de
Manaus. Outra unidade está prevista para o município de Maués,
nas proximidades da reserva da etnia Saterê-Maué. O turismo
sustentável é orientado por uma gestão que, além da
financeiro, responde, também, pela preservação do meio e
contrapartida social.
O Tui Resorte, com 2 mil mde área
construída, tem 62 apartamentos e espaço próprio para
atividades turísticas de 100 mil m. O prédio e os equipamentos
exigiram um investimento de US$ 5 milhões.
Cultura e povo
"O Amazonas não se compara
com nenhuma região do mundo na combinação dos elementos da
natureza com a cultura da sua população", diz o diretor
da Tiwa Holding, Peter Tilanus. A Tiwa, empresa holandesa
especializada em treinamento empresarial, representa a Tui
International nos projetos de turismo sustentável para o
Amazonas.
Cerca de três mil turistas
europeus virão ao Amazonas neste ano por intermédio da Tui,
que vai realizar vôos charters entre Amsterdã, na Holanda, e
Manaus.
Os clientes da Tui
terão permanência média de 15 dias no Amazonas, enquanto o
turista típico de selva demora apenas dois dias, segundo
Tilanus. Além das caminhadas na selva, observação de animais
e atividades de entretenimento e lazer nas dependências do
hotel, os turistas terão ainda no roteiro contatos com as
comunidades de pescadores, artesãos, agricultores e coletores
de produtos da floresta.
Interação com a Amazônia
Tilanus afirma que a proposta da
rede é a de promover a interação dos turistas com a natureza
e a cultura da Amazônia, sempre vinculada a exemplos de
desenvolvimento sustentável. O hotel, por exemplo, desenvolveu
um sistema que devolve ao rio a água utilizada nas suas instalações
com 98% de pureza.
A ONG Centro de
Desenvolvimento Euro-Amazone (Euromaz), parceira da Tui, vai
desenvolver projetos de formação de recursos humanos na cidade
de Iranduba e nas comunidades rurais. Um desses projetos prevê
um curso de língua inglesa para 300 pessoas. A própria
comunidade vai oferecer, por meio de cooperativas, serviços de
lavanderia e padaria para o hotel.
"Faltam opções de turismo
no Amazonas. O segmento se restringiu às visitas ao Encontro
das Águas e à focagem de jacarés", comenta o diretor
executivo da Euromaz, Sérgio Carvalho.
Ele explica que os
clientes da Tui, na grande maioria europeus e norte-americanos,
não estão interessados apenas na contemplação da natureza exótica.
"São pessoas que querem preservar a Amazônia e, ao mesmo
tempo, melhorar a qualidade de vida da sua população. Por
isso, elas precisam desse contato direto com a população",
diz Carvalho.
Tilanus informa que o preço médio
do pacote da Tui, por pessoa, custará US$ 1,5 mil. A
expectativa dos diretores da companhia é que cada turista gaste
cerca de US$ 700 nas duas semanas que permanecerá em Manaus. O
empresário lembra que os gastos dos turistas estão vinculados
à qualidade e opções dos serviços que cada cidade oferece.
Por isso, a Tui atua em parceria com instituições
governamentais e não governamentais e qualificará os segmentos
do seu nicho de atuação.
Como Iranduba
O projeto de Maués está em fase
de captação de recursos e ainda sem data prevista de início
das obras.
Está definido, no
entanto, que ele terá as mesmas características do de Iranbuba,
mas estará acoplado a um sistema de desenvolvimento de recursos
turísticos já existentes no município, para viabilizar o
surgimento e crescimento de pequenas e médias empresas do
setor, como agências de viagem, pontos de táxi, lavanderias,
centros de reservas, pousadas, restaurantes e lojas de
artesanato.
(Gazeta Mercantil/Página
C2)(Wilson Nogueira)
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