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País inicia novo programa para
Antártida
Redes estudarão influência
do continente no clima sul-americano e o impacto das atividades
humanas na região
Toni Pires -
7.dez.2001/Folha Imagem
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Navio
Ary Rongel fundeia na baía do Almirantado, na ilha Rei
George, onde o Brasil faz pesquisas |
CLAUDIO ANGELO
EDITOR-ASSISTENTE DE CIÊNCIA
Depois de 20 anos, o Brasil começa a dar um rumo para seu
programa de pesquisas na Antártida. O Navio de Apoio Oceanográfico
Ary Rongel parte amanhã para o continente com a primeira leva de
cientistas a trabalhar de forma integrada para responder a duas
questões: qual é a influência do clima antártico sobre o
Brasil e qual é o impacto das atividades humanas sobre o
ecossistema local, um dos mais frágeis da Terra.
A nova fase do Proantar (Programa Antártico Brasileiro) deve
contar com 124 pesquisadores e cumprir um duplo objetivo: manter o
programa, ameaçado pela crise financeira do CNPq (Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e nortear
a ciência antártica brasileira, cada vez mais difícil de
justificar para o contribuinte.
"Por que investir na Antártida recursos que poderiam ser
usados em outras áreas do país? Nós precisamos ficar
justificando constantemente", disse a oceanógrafa Tânia
Brito, do MMA (Ministério do Meio Ambiente). "Temos séries
longas e contínuas de dados muito valiosos para a região que
estudamos. Mas já era hora de dar um norte ao programa",
afirmou.
Os estudos serão feitos nos próximos dois anos por duas redes de
pesquisa, montadas por iniciativa do MMA, que financiou R$ 2,8
milhões do total de R$ 5 milhões que destinados a essa fase do
programa (o restante da verba virá da Marinha e do CNPq).
A primeira rede, coordenada por Jefferson Simões (Universidade
Federal do Rio Grande do Sul), vai analisar o impacto das mudanças
globais na Antártida, as interações entre o oceano, a criosfera
(gelo) e a atmosfera e as conexões do continente austral com o
clima na América do Sul.
Esses dados, importantes para um país agrícola como o Brasil, até
agora não existem. Isso deriva, em parte, do fato de a maioria
dos estudos na região ser feita por países do hemisfério Norte,
e em parte da falta de direcionamento do Proantar até agora.
Criado em 1982 para justificar a adesão do Brasil ao Tratado Antártico,
o Proantar tem funcionado com projetos de balcão. Qualquer
pesquisador que tivesse uma boa idéia podia se candidatar a
financiamento. O resultado foi, por um lado, um programa com
liberdade total à pesquisa básica. Por outro, uma ciência muito
mais descritiva que explicativa, dados que não integravam áreas
diferentes, mas complementares -como estudos de poluição por
petróleo e microrganismos marinhos, por exemplo- e, às vezes,
duplicação de esforços.
"Hoje temos dados sobre poluição marinha na minha
linguagem, sobre aves em outra e sobre botânica em outra",
disse à Folha o oceanógrafo químico Rolf Roland Weber,
do Instituto Oceanográfico da USP.
Ele coordena a segunda rede de pesquisa, que vai avaliar impactos
locais das atividades humanas -ou seja, como cientistas e turistas
afetam a Antártida.
A rede conta com cerca de 60 pessoas e deverá produzir um plano
de gerenciamento para a baía do Almirantado, na ilha Rei George.
O local, com temperaturas geralmente positivas no verão, é uma
das áreas com maior número de estações de pesquisa na Antártida.
A baía abriga, além da brasileira Comandante Ferraz, estações
de Polônia e Peru.
Segundo Weber, os 15 grupos de pesquisa da rede deverão produzir
um mapa detalhado das condições ambientais da baía, que leve em
conta dados como a quantidade de poluição por petróleo e
derivados, esgotos e a resposta plantas e animais marinhos.
"Queria comparar a minha pesquisa [com petróleo] com os
dados de organismos de fundo, por exemplo", diz o cientista.
Depois de pronto, o mapa deverá servir para orientar, entre
outras coisas, a construção de novas instalações, e planejar a
atividade turística no local.
CLAUDIO ANGELO
EDITOR-ASSISTENTE DE CIÊNCIA
Leia Mais:
Satélite flagra nascimento de
"mega-iceberg"
DA REDAÇÃO
Imagens capturadas pelo satélite europeu Envisat a partir de maio
mostram o nascimento de mais um iceberg gigante na Antártida.
Conhecido como C-19, o "mega-iceberg" tem 200 km de
comprimento por 32 km de largura e 200 m de espessura, e se
desprendeu da barreira de Ross, oeste do continente. O fenômeno
ainda não pode ser ligado ao aquecimento global, afirmam
pesquisadores britânicos.
Redes estudarão influência do
continente no clima sul-americano e o impacto das atividades
humanas na região
País inicia novo programa para Antártida
Toni Pires -
7.dez.2001/Folha Imagem
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Navio
Ary Rongel fundeia na baía do Almirantado, na ilha Rei
George, onde o Brasil faz pesquisas |
CLAUDIO ANGELO
EDITOR-ASSISTENTE DE CIÊNCIA
Depois de 20 anos, o Brasil começa a dar um rumo para seu
programa de pesquisas na Antártida. O Navio de Apoio Oceanográfico
Ary Rongel parte amanhã para o continente com a primeira leva de
cientistas a trabalhar de forma integrada para responder a duas
questões: qual é a influência do clima antártico sobre o
Brasil e qual é o impacto das atividades humanas sobre o
ecossistema local, um dos mais frágeis da Terra.
A nova fase do Proantar (Programa Antártico Brasileiro) deve
contar com 124 pesquisadores e cumprir um duplo objetivo: manter o
programa, ameaçado pela crise financeira do CNPq (Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e nortear
a ciência antártica brasileira, cada vez mais difícil de
justificar para o contribuinte.
"Por que investir na Antártida recursos que poderiam ser
usados em outras áreas do país? Nós precisamos ficar
justificando constantemente", disse a oceanógrafa Tânia
Brito, do MMA (Ministério do Meio Ambiente). "Temos séries
longas e contínuas de dados muito valiosos para a região que
estudamos. Mas já era hora de dar um norte ao programa",
afirmou.
Os estudos serão feitos nos próximos dois anos por duas redes de
pesquisa, montadas por iniciativa do MMA, que financiou R$ 2,8
milhões do total de R$ 5 milhões que destinados a essa fase do
programa (o restante da verba virá da Marinha e do CNPq).
A primeira rede, coordenada por Jefferson Simões (Universidade
Federal do Rio Grande do Sul), vai analisar o impacto das mudanças
globais na Antártida, as interações entre o oceano, a criosfera
(gelo) e a atmosfera e as conexões do continente austral com o
clima na América do Sul.
Esses dados, importantes para um país agrícola como o Brasil, até
agora não existem. Isso deriva, em parte, do fato de a maioria
dos estudos na região ser feita por países do hemisfério Norte,
e em parte da falta de direcionamento do Proantar até agora.
Criado em 1982 para justificar a adesão do Brasil ao Tratado Antártico,
o Proantar tem funcionado com projetos de balcão. Qualquer
pesquisador que tivesse uma boa idéia podia se candidatar a
financiamento. O resultado foi, por um lado, um programa com
liberdade total à pesquisa básica. Por outro, uma ciência muito
mais descritiva que explicativa, dados que não integravam áreas
diferentes, mas complementares -como estudos de poluição por
petróleo e microrganismos marinhos, por exemplo- e, às vezes,
duplicação de esforços.
"Hoje temos dados sobre poluição marinha na minha
linguagem, sobre aves em outra e sobre botânica em outra",
disse à Folha o oceanógrafo químico Rolf Roland Weber,
do Instituto Oceanográfico da USP.
Ele coordena a segunda rede de pesquisa, que vai avaliar impactos
locais das atividades humanas -ou seja, como cientistas e turistas
afetam a Antártida.
A rede conta com cerca de 60 pessoas e deverá produzir um plano
de gerenciamento para a baía do Almirantado, na ilha Rei George.
O local, com temperaturas geralmente positivas no verão, é uma
das áreas com maior número de estações de pesquisa na Antártida.
A baía abriga, além da brasileira Comandante Ferraz, estações
de Polônia e Peru.
Segundo Weber, os 15 grupos de pesquisa da rede deverão produzir
um mapa detalhado das condições ambientais da baía, que leve em
conta dados como a quantidade de poluição por petróleo e
derivados, esgotos e a resposta plantas e animais marinhos.
"Queria comparar a minha pesquisa [com petróleo] com os
dados de organismos de fundo, por exemplo", diz o cientista.
Depois de pronto, o mapa deverá servir para orientar, entre
outras coisas, a construção de novas instalações, e planejar a
atividade turística no local.
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