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Índia rejeita metas no Protocolo
de Kyoto
Em abertura de encontro sobre
o acordo em Nova Déli, premiê diz que combate a gases-estufa é
atribuição dos ricos
John
MacDougall/France Presse
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Protesto
anti-EUA na Índia |
FREE-LANCE PARA A FOLHA, EM NOVA DÉLI
A reunião ministerial da COP-8 (oitava Conferência das Partes da
Convenção do Clima) foi iniciada ontem em Nova Déli, Índia,
com protesto dos países pobres. A nação que sedia o encontro
rejeitou pressões para que os países subdesenvolvidos adotem
metas de redução de emissões dos gases que causam o efeito
estufa.
A obrigatoriedade de que países do Terceiro Mundo representativos
na economia mundial -como Índia, China e Brasil- assumissem
compromissos para combater a mudança climática está na pauta da
reunião.
Segundo afirmou à Folha a secretária-executiva da convenção (UNFCCC,
na sigla em inglês), a holandesa Joke Waller-Hunter, esses
compromissos passariam a valer a partir de 2013, na segunda rodada
do Protocolo de Kyoto, acordo internacional para o combate aos
gases de efeito estufa.
Mas o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, afirmou
durante a abertura da COP-8 que os países em desenvolvimento, que
lutam para alimentar suas populações, produzem apenas uma
pequena fração dos gases-estufa e não poderão bancar os custos
de cortes extras de emissões.
"Os países em desenvolvimento não têm recursos adequados
para satisfazer suas necessidades humanas", disse Vajpayee a
delegados de 185 países que participam do encontro -o último do
gênero antes da entrada em vigor do acordo de Kyoto, em 2003.
"A mitigação da mudança climática vai afetar nossos esforços
para atingir maiores taxas de crescimento econômico e erradicar a
pobreza rapidamente", afirmou.
Para Waller-Hunter, os dados científicos mostram que o que está
sendo feito nesta primeira rodada de ações para combater a mudança
climática, com o Protocolo de Kyoto, já não é suficiente.
"Os compromissos terão de ser ampliados na segunda rodada, e
todos deverão contribuir", disse.
"Já há discussões entre os delegados e os cientistas
envolvidos nas negociações sobre de que forma os países em
desenvolvimento teriam compromissos. Se teriam metas de redução
de emissões de gases poluentes, a exemplo do que ocorre hoje, ou
se seria algo diferente", afirmou.
No Protocolo de Kyoto, apenas os países desenvolvidos receberam
metas para reduzir suas emissões de gases-estufa, em especial o
dióxido de carbono.
Eles têm até 2012 para cortá-las em 5,2% em relação aos níveis
de 1990. Foi a aplicação do princípio "responsabilidade
comum, mas diferenciada". Ou seja, quem poluiu mais, paga
mais.
A inclusão dos países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e
China (os dois últimos são grandes poluidores, devido ao
crescimento e ao tipo de energia que usam, baseada em combustíveis
fósseis), foi defendida pelos EUA na elaboração do protocolo e
usada como argumento pelo presidente George W. Bush para rejeitá-lo,
no ano passado.
A Índia e a China, os países mais populosos do mundo, são
respectivamente o quinto e o terceiro maiores emissores de
gases-estufa do planeta. No entanto, disse Vajpayee, "nossas
emissões per capita são apenas una fração da média mundial e
uma ordem de magnitude menores que as dos países
desenvolvidos". Segundo ele, a situação não vai mudar nas
próximas décadas.
Sobre os EUA, Waller-Hunter se mostrou resignada. "Está na
hora de aceitarmos o fato de que os EUA estão fora. Não tenho
qualquer indicação de que eles mudem, pelo menos por enquanto,
sua atual opinião contrária ao tratado." (MARCELO
TEIXEIRA)
Com agências internacionais
Leia Mais:
País foi indicado para troféu
"Fóssil do Dia" na Índia
Brasil recebe crítica de ONG em reunião sobre Protocolo de
Kyoto
MARCELO TEIXEIRA
FREE-LANCE PARA A FOLHA, EM NOVA DÉLI
O Brasil recebeu uma indicação, durante a COP-8 (oitava Conferência
das Partes da Convenção do Clima), em Nova Déli, Índia, para o
troféu "Fóssil do Dia", concedido pela ONG
internacional Climate Action Network.
O "prêmio", que ao final da Conferência será entregue
ao país que tiver mais indicações, é destinado aos governos
que, na opinião da entidade, põem entraves às negociações de
políticas para o combate à mudança climática.
O motivo da indicação foi a maneira como o Brasil está
presidindo um dos grupos de negociação da conferência, o que
trata dos inventários nacionais que os países terão de fazer
para conseguir financiamento dos países desenvolvidos para obras
de prevenção aos efeitos da mudança climática.
"O Brasil está abusando de sua posição na presidência do
grupo. Ele tem imposto suas visões sobre inventários ao G-77
(bloco dos países pobres) e não tem considerado as opiniões de
vários países vulneráveis aos problemas climáticos",
afirmou Danny Kennedy, coordenador da ONG.
"Historicamente o país tem tomado ações positivas em relação
às negociações climáticas. Mas isso funciona como um sinal
para que essa rota não mude", disse Kennedy à Folha.
Membros da delegação brasileira disseram acreditar em um
mal-entendido por parte dos países que reclamaram da condução
do grupo. "Sempre tivemos uma postura aberta na condução
dessa questão", disse um delegado.
Como parte da cerimônia de indicação ao prêmio, a bandeira do
Brasil foi disposta ao lado da de outros países que sempre
concorrem à honraria, como Estados Unidos, Arábia Saudita e
China, em um dos salões do centro de convenções Vigyan Bhavan.
Amanhã chegam à Índia os chefes das delegações dos 185 países
participantes da COP-8 para o início da reunião de alto nível,
na qual as decisões são tomadas.
A reunião em Nova Déli é a última antes de o Protocolo de
Kyoto, acordo internacional que prevê metas para a redução das
emissões de gases causadores do efeito estufa, ser implementado,
em 2003. Nela serão regulamentados vários processos que auxiliem
os países no cumprimento das metas, como o Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo.
Saiba mais:
Nova York pode afundar, diz
Greenpeace
No ano 2080, Manhattan e Xangai poderão estar debaixo d'água,
secas e enchentes serão mais extremas e centenas de milhões de
pessoas estarão em risco de fome, falta d'água e doenças.
O quadro é pintado pelo diretor
da campanha de clima do Greenpeace, Steve Sawyer, caso os países
falhem em reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
"Estamos falando da submersão
de ilhas, de Bombaim, de Xangai, de Nova York", disse Sawyer
em Nova Déli, durante a Oitava Conferência das Partes da Convenção
do Clima.
O encontro, que reúne
representantes de 184 países, tem como objetivo regulamentar a
entrada em vigor, no ano que vem, do Protocolo de Kyoto, acordo
internacional rejeitado pelos EUA, que prevê a redução de 5,2%
dos gases-estufa pelos países industrializados em 2012, em relação
aos níveis de 1990. "A maioria das cidades costeiras se
tornará inóspita", afirmou Sawyer. (DA REUTERS)
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