OMS defende genoma para atacar a malária



Os países em desenvolvimento precisam estabelecer programas próprios e autônomos na área da genômica, defende o pernambucano Carlos Morel, diretor do TDR -Programa Especial de Treinamento e Pesquisa em Doenças Tropicais da OMS (Organização Mundial da Saúde).


Morel está no Brasil participando do Simpósio Pan-Americano sobre Abordagens Moleculares em Doenças Humanas, que ocorre no Rio até amanhã. A reunião é organizada pela Fundação Oswaldo Cruz, pelo Fogarty International Center e pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH).


"Há problemas que são exclusivamente brasileiros. São Paulo deu um belo exemplo para o país com o sequenciamento da Xylella fastidiosa, um organismo de interesse para a agricultura e toda a economia brasileira", disse. Mas não basta sequenciar: "É preciso decifrar o que há nessas sequências e, para isso, precisamos capacitar recursos humanos".


O TDR teve um papel importante no consórcio da malária que, há menos de um mês, anunciou o sequenciamento (soletração) dos genomas do Anopheles gambiae (mosquito transmissor) e do Plasmodium falciparum (micróbio causador da doença).


"Financiamos apenas US$ 250 mil dos US$ 15 milhões gastos no projeto do mosquito, porém foi com esses recursos que o projeto foi alavancado em 1999", afirmou.


Morel se diz preocupado com a resistência dos mosquitos a inseticidas. "Praticamente os únicos inseticidas eficientes são os piretróides. 

Quando os insetos vetores desenvolverem resistência a eles, estaremos perdidos. Com o mapeamento do genoma de insetos, é possível identificar sistemas bioquímicos que podem ser alvos para novos inseticidas."


LUISA MASSARANI
FREE-LANCE PARA A FOLHA

 

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