Brenner e Sulston, britânicos, e
Horvitz, americano, desvendaram morte programada de células no
verme C. elegans
Estudos de suicídio celular levam o Nobel
As células suicidas de um minúsculo verme cilíndrico deram a três
cientistas o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina deste ano. O
animal em questão é o impronunciável Caenorhabdtis elegans, de
1 mm de comprimento, um dos organismos favoritos dos biólogos
para estudar a relação entre genes e desenvolvimento.
O prêmio, de US$ 1 milhão, será dividido entre dois britânicos
e um americano. Eles descobriram, no animal, o mecanismo da morte
programada de células e alguns dos genes que o controlam.
Esse suicídio é conhecido como morte celular programada, ou
apoptose. Mantém o equilíbrio no número de células dos seres
pluricelulares (como o C. elegans e o homem). É crucial no
desenvolvimento embrionário, pois permite esculpir órgãos como
as mãos (eliminando células no espaço entre os futuros dedos).
Desvendar seu funcionamento ajuda a compreender doenças humanas
nas quais ele falha, como câncer e moléstias neurodegenerativas.
Os três contemplados são o britânico (nascido na África do
Sul) Sydney Brenner, presidente do Instituto de Ciência
Molecular, nos EUA, o americano H. Robert Horvitz, do Instituto de
Tecnologia de Massachusetts, também nos EUA, e o britânico John
Sulston, do Instituto Sanger do Wellcome Trust, no Reino Unido.
Brenner, 75, e Sulston, 60, talvez já estivessem esperando por um
Nobel, mas por outros motivos. O primeiro foi um dos pioneiros da
biologia molecular. Trabalhou, na década de 60, com ninguém
menos que Francis Crick -co-descobridor da estrutura do DNA.
Além disso, descobriu o RNA mensageiro, estrutura que
"traduz" as instruções contidas nos genes para a produção
de proteínas, moléculas que fazem tudo no organismo. Foi ele
quem lançou o C. elegans ao estrelato da biologia.
Sulston, um dos cientistas mais celebrados do Reino Unido,
adicionou o título de "sir" (cavaleiro) ao nome no ano
passado, depois de coordenar a parte britânica do sequenciamento
(leitura) do genoma do ser humano.
Também coordenou os esforços de transcrição do DNA do C.
elegans, primeiro animal a ter seu genoma soletrado.
O biólogo estava na sua mesa no Sanger quando recebeu a ligação
do Instituto Karolinska, entidade sueca que concede o Nobel.
"Peguei o recado [na secretária eletrônica" e então
telefonei de volta, o que tornou as coisas mais fáceis",
afirmou. "Tive tempo de ponderar e dizer: "Isso é
real?" "
O pesquisador britânico afirmou ontem, em entrevista ao jornal
"The Independent": "Este é o primeiro prêmio para
o verme. Espero que haja muitos outros".
Horvitz, 55, disse que o mais gratificante seria se a descoberta
levasse a curas para doenças humanas. "Esse é o
sonho."
Com agências internacionais
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