ABCedário
do Perfume
O
roubo dos cheirosFoi
na Antiguidade que o Homem aprendeu a roubar odores.
Começou a roubá-los às flores, às plantas, aos
animais. Por razões medicinais, por prazer, para
chamar a atenção, para seduzir. Cleópatra foi ao
encontro de Marco António num barco de casco de
madeira de cedro e velas impregnadas em essência de
jasmim.
O uso do perfume remonta, pelo
menos, à Antiguidade. Há documentos que falam nos
meios de produção: a maceração, a trituração, a
prensagem, a cozedura, a impregnação e a filtragem.
No século VI, os coríntios começaram
a comercialização sistemática do perfume em frascos de
terracota ornamentados. A rota dos odores começava e,
com ela, a procura de novas fórmulas para esta fonte
de prazer. A descoberta do álcool, no século VIII,
permitiu a primeira revolução do perfume. Algum tempo
depois surge no mercado a Água da Rainha da Hungria,
um alcoolato de rosmaninho e essência de terebintina.
Tinha fama de curar todos os males e
restituir a beleza perdida. O aperfeiçoamento do
alambique aumentou o número de óleos essenciais
extraídos por destilação, e durante alguns séculos o
perfume estagnou. Só depois da I Guerra Mundial a
perfumar volta a conhecer outra revolução, a mais
importante. Em 1921, a francesa Coco Chanel lança o
Chanel nº 5, que rapidamente ultrapassa o estatuto de
perfume.
Torna-se o símbolo de um estilo de
vida, de um conceito de elegância. Perfumaria e alta
costura fundiram-se depois do Chanel nº 5.
E, hoje, há quem considere que os
perfumes são os motores das casas de alta costura. Os
mais puristas dizem que a necessidade de lucro
desvirtuou um princípio básico da perfumaria: a
criação de uma obra de arte. Hoje, o perfume é
construído assim: primeiro, concebe-se uma imagem, só
depois o perfumista recebe a encomenda de fazer um
perfume com características definidas.
É por isso que o mercado está
impregnado de perfumes de curta duração, de frascos
cujas formas desaparecem muito depressa das
prateleiras das lojas, e que é raro aparecer um novo
clássico no mercado. O que não é necessariamente mau.
Assim, pelo menos, são maiores as
probabilidades de cada um encontrar o perfume
adequado. É que são tão diferentes os gostos olfativos
que poderíamos considerar quase que individual a cada
um.