| Capim e fibra de
palmeira se transformam num dos artesanatos mais bonitos
do Brasil depois de serem "tecidos" pelas cuidadosas e
precisas mãos das artesãs da Mumbuca
Mumbuca
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Janaina Fidalgo/Folha Imagem
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Nôemia Ribeiro da Silva, a “Dodora",
segura bolsa de capim-dourado; acima, as garotas
Jeisiane, Elisângela e Taiane e abaixo, artesã faz um "sous-plat"
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JANAINA FIDALGO
da Folha Online
. Quem vê de longe e com o sol incidindo, tem impressão de
que as peças -bolsas, fruteiras, "sous-plat" (suporte
decorativo usado embaixo do prato), porta-jóias e cestos-
são feitos de ouro, tamanho é o seu brilho. Mas o tom
cintilante vem do capim-dourado, "cerzido" com a fibra do
buriti.

O sustento dos 165 moradores da Mumbuca, cujos habitantes
são descendentes de escravos que saíram da Bahia, em 1909,
em busca de melhores condições de vida, provém da venda
desse belo artesanato e da agricultura -atividade
desempenhada pelos homens da comunidade. Outra tarefa da ala
masculina é a extração, de agosto a setembro, do
capim-dourado -planta típica da região do Jalapão
(Singhnantus sp).
Bolsas com design arrojado impressionam os visitantes e
fazem a alegria de quem gosta de comprar artesanato,
principalmente quando as peças em questão são tão bonitas
como as produzidas na Mumbuca.
Comprada diretamente das artesãs, uma bolsa de 20 cm a 25
cm, em média, varia de R$ 20 a R$ 25. Nas lojas do aeroporto
de Palmas, uma peça semelhante chega a ser vendida por R$
70. Já uma fruteira toda trabalhada custa entre R$ 15 e R$
20 na Mumbuca. Como os trabalhos, expostos em uma casa
simples do vilarejo, de tijolo à vista e telhado de sapé,
desaparecem em instantes assim que um grupo de visitantes
chega, separe logo aquelas que lhe agradarem.
Mas a Mumbuca é muito mais do que o brilho e o design
moderno das peças de capim-dourado. Ao visitar a comunidade,
não deixe de "prosear" com os moradores e separar algum
tempo para ouvir histórias de pessoas como Nôemia Ribeiro da
Silva, a "Dodora".
Aos 47 anos, "Dodora" -uma das líderes da Mumbuca- "tece" os
objetos de capim-dourado e também cuida da saúde dos
moradores do local. "Me nasci aqui e tô me findando aqui",
diz ela, ao contar a história de sua comunidade.
Curiosas com a chegada de pessoas de fora, as crianças da
Mumbuca -73 no total- são outro caso à parte. Receber e
mostrar a vila aos visitantes se transformar num evento,
cuja principal diversão é posar para as fotografias, como
fizeram as garotas Jeisiane, 6, Elisângela, 7, e Taiane, 6,
na imagem acima.
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