Embalagem
comestível é feita com farinha de vegetal
Brasília, (Agência Brasil - ABr) - As embalagens
biodegradáveis são uma das mais recentes alternativas que
vêm despertando o interesse de pesquisadores brasileiros.
As tradicionais embalagens de plásticos
sintéticos, embora garantam a proteção desejada para
diversos tipos de produtos, causam sérios problemas ao meio
ambiente por não serem biodegradáveis.
Na Unicamp, o assunto é estudado por uma equipe do
Laboratório de Engenharia de Processos da Faculdade de
Engenharia de Alimentos (Fea), composta pela professora
Florencia Cecília Menegalli e pelas pós-graduandas Delia
Rita Tapia Blácido e Eliane Colla.
A partir da farinha de amaranto (planta
encontrada na América Latina e consumida como alimento),
Delia Rita chegou a um biofilme comestível. "Estudamos a
viabilidade de desenvolvimento do produto, além de
incentivar o cultivo do amaranto no país", explica
Florência.

Amaranto é consumido desde o tempo dos Maias
A pesquisa rendeu a dissertação de mestrado "Elaboração e
caracterização de biofilmes à base de farinha de amaranto",
orientada por Florencia, co-orientada pelo professor Paulo
Sobral da USP, campus de Pirrassununga. Além desta pesquisa,
o projeto também ganhou força dentro do Programa de
Cooperação Cyted, que reúne países como Portugal e Espanha
no incremento de biofilmes de origem natural.
Peruana, Delia Rita explica que desde menina viu o amaranto
ser ingerido durante as refeições em seu país. "Lá
utilizamos como cereal no café da manhã", afirma.
Trata-se de um produto barato, com elevada
qualidade protéica e alta concentração de carboidratos. "Seu
valor nutricional chega a ser superior ao de outros
cereais".
Com isso, além de desenvolver um produto
que não fosse nocivo ao meio ambiente, a equipe também
conseguiu um filme que pode ser ingerido pelo consumidor e
fazer bem à sua saúde.
O desafio maior, segundo Florência, é conseguir um material
com propriedades mecânicas e de barreira equivalente aos
utilizados tradicionalmente. "Os plásticos sintéticos têm a
vantagem da resistência mecânica, ou seja, protegem muito
bem o produto".
No caso dos biodegradáveis, explica ela, a
resistência é menor e a solubilidade é muito maior. No
entanto, os biofilmes à base de amaranto têm excelentes
propriedades de barreira à umidade e à migração de solutos
importantes para a conservação dos alimentos.
Justamente neste item é que Delia Rita
prossegue com a pesquisa. Ela pretende adicionar outros
bio-polímeros à farinha de amaranto com a finalidade de
melhorar a resistência mecânica. Já Eliane Colla deve
adicionar outros lipídeos com a finalidade de conseguir
melhorar ainda mais as propriedades de barreira.
Uma das sugestões para o uso deste biofilme comestível é
para a cobertura, aplicada diretamente na superfície dos
alimentos.
Florencia cita como exemplo frutas
perecíveis como os morangos ou outras do gênero. "A
embalagem pode até aumentar a vida útil do produto na
prateleira, pois com a barreira há perda de umidade e a
possibilidade de incorporar agentes anti-microbianos na
própria embalagem".
Para se chegar ao biofilme, o amaranto passa por diversas
etapas de transformação. Primeiro os grãos são macerados em
solução alcalina após o qual são moídos e peneirados até se
extrair a fibra.
Depois da filtragem, faz-se a
neutralização e centrifugação da solução para obtenção da
farinha que é basicamente composta de amido, proteínas e
lipídeos. A partir daí, para a formulação dos filmes é
preparada uma suspensão do amaranto a uma dada concentração
que é submetida a um processo térmico para sua gelatinização.
Em geral, o processo é realizado em 45 minutos. Após o qual
é ajustado o pH e adicionado o plasticizante que aumentará a
flexibilidade do filme. Neste ponto as misturas são
colocadas em suportes e secadas. Só a secagem requer um
tempo aproximado de oito horas.
Nesta tese, utilizando técnicas de
planejamento estatístico, foi encontrada a temperatura ideal
de processo e secagem e a formulação na qual se obtinham
maior resistência mecânica e menor solubilidade.
Amaranto é considerado alimento sagrado
Considerado como alimento sagrado para os povos maias,
astecas e incas, o amaranto há muito é objeto de estudo de
cientistas no mundo inteiro. O produto apresenta alto valor
nutricional equivalente ao leite, carne e ovos. Seus grãos
chamam atenção pelo alto conteúdo de proteínas (15%),
gorduras e minerais. Também contém aminoácidos essenciais
como a lisina, metionina e cistina, mantendo uma altíssima
porcentagem desses elementos. A lisina, por exemplo, é o
fator primordial para o desenvolvimento orgânico mental do
homem.
É encontrado nos países andinos, no México e na Guatemala. A
planta é consumida como vegetal e as sementes são usadas
como cereal. Ainda há muito a se pesquisar sobre o amaranto,
pois hoje há um grande interesse pelo seu desenvolvimento
comercial nos Estados Unidos e em países da União Européia e
da América Latina.
No Brasil, porém, o amaranto é pouco
conhecido, embora já existam esforços por parte da Embrapa
Cerrados, em Planaltina (DF) – instituição que doou as
sementes para a pesquisa da Unicamp – no sentido de adaptar
espécies de várias regiões andinas aos solos do cerrado
brasileiro.
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