HOLOGRAFIA
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Os hologramas são imagens em três dimensões, como os
coloridos emblemas de segurança nos cartões de crédito e
nas embalagens de CD.
Tal como a fotografia, a holografia é uma técnica para
registrar em filme a informação relativa a um objeto ou
cena. Entretanto, os mecanismos básicos utilizados, bem
como a natureza das imagens produzidas, diferem bastante
de uma para outra. A fotografia comum produz uma
representação bidimensional do objeto, na qual a
profundidade da cena termina no plano de impressão. A
holografia, ao contrário, capta a informação em três
dimensões: inclui a profundidade.

Para compreender a diferença entre a fotografia comum
e este processo, é importante considerar primeiramente a
natureza da luz. A luz visível é um tipo de radiação e,
como tal, atravessa o espaço na forma de ondas
eletromagnéticas. A distância entre as sucessivas
cristas dessas ondas é denominada comprimento de onda, e
o número de cristas por segundo que passam por um ponto
chama-se freqüência. Como a velocidade de propagação da
luz é constante, freqüências mais altas eqüivalem a
comprimentos de onda mais curtos.
As fontes de luz usadas nas fotografias convencionais (a
luz do sol e a iluminação artificial, por exemplo)
emitem radiação com uma ampla gama de freqüências, visto
que a luz branca abrange as freqüências do ultravioleta
até o infravermelho. Para se registrar a informação
acerca da profundidade da cena é necessário que a fonte
de luz seja monocromática (tenha freqüência única) e
coerente, isto é, que as cristas de todas as ondas
caminhem juntas (em fase). Por isso, embora a holografia
tenha sido idealizada em 1947, a demonstração prática de
seus efeitos só se tornou possível a partir da década de
60, com o desenvolvimento da tecnologia do laser, que
emite raios luminosos coerentes e monocromáticos.

Quando duas ondas chegam a um determinado ponto em
fase, isto é, quando as cristas de ambas coincidem, suas
energias atuam em conjunto, reforçando a intensidade ou
amplitude da luz. Este processo é chamado interferência
construtiva. Por outro lado, se a crista de uma onda
coincide com a posição mínima - ou ventre do ciclo - de
outra, ou seja, se as cristas de ambas chegam fora de
fase, obtém-se uma redução de intensidade: ocorre uma
interferência destrutiva.
Como o raio laser é monocromático e coerente, os
detalhes relativos à profundidade de uma cena iluminada
por um feixe deste tipo estão contidos nos
relacionamentos das fases das ondas que chegam à chapa
de registro holográfico. Uma onda vinda de uma parte
mais distante da cena chega "retardada" com relação às
ondas provenientes dos pontos mais próximos. É o
registro desta informação que permite a reconstrução
óptica do objeto em três dimensões. Para registrar esta
informação é necessário um feixe de referência, com o
qual se possam comparar os relacionamentos fásicos do
feixe luminoso refletido pelo objeto. Para tanto
separa-se o feixe de laser em dois: um dirigido para a
cena, a partir do qual se forma o feixe refletido (feixe
objeto); o outro (feixe de referência) é apontado
diretamente para a placa de registro. No ponto em que os
dois se encontram, a chapa, ocorre o fenômeno da
interferência.

O holograma é usualmente revelado numa chapa
transparente. Para reconstruir a imagem da cena
original, esta transparência precisa ser iluminada com
um feixe de luz coerente, semelhante ao utilizado como
feixe de referência no registro. À medida que passa
através da chapa transparente do holograma, o feixe de
laser de reconstrução é modulado (modificado), de acordo
com a amplitude e fase, assemelhando-se desta forma ao
feixe objeto original. Forma-se então uma imagem virtual
do objeto que, para o observador, parece estar situada
atrás do holograma. Existe também uma imagem real,
formada do mesmo lado em que se coloca o observador, e
que não pode ser vista por tratar-se de uma imagem
focalizada. Contudo, ela poderá ser observada se uma
tela for colocada na área focal.

Como a cor depende da freqüência da luz, qualquer
holograma produzido com um único laser dará na
reconstrução imagens de uma única cor. Entretanto, com a
utilização de três raios laser de freqüências diferentes
(correspondentes às três cores primárias - vermelho,
verde e azul), é possível registrar e reconstruir uma
cena com todas as cores.

Aplicações da holografia
A holografia é muito usada na pesquisa científica e
nos testes. Os selos holográficos são uma medida de
segurança, porque é muito difícil falsificá-los. Outras
aplicações testes de aviação, que projetam instrumentos
no campo de visão do piloto, e leitores de barra, em
lojas.
A holografia também foi desenvolvida como forma de arte.
Os hologramas são encontrados em galerias e museus de
todo o mundo. Sua produção em grande quantidade é de
baixo custo, o que os viabiliza como itens promocionais
ou de presentes. |
Mais:
O emprego do Raio Laser permite a
reconstrução tridimensional da imagem de qualquer objeto ou
cena real
Inventado pelo físico húngaro Dennis Gabor em
1948, tal como a fotografia, a holografia é uma técnica para
registrar em filme a informação relativa a um objeto ou
cena. Entretanto, os mecanismos básicos utilizados, bem como
a natureza das imagens produzidas, diferem bastante de uma
para outra. A fotografia comum produz uma representação
bidimensional do objeto, na qual a profundidade da cena
termina no plano da impressão. A holografia, ao contrário,
capta a informação em três dimensões: inclui a profundidade.
Pode-se obter um pseudo-efeito tridimensional
com fotografias convencionais, observando-se simultaneamente
num estereoscópio duas fotografias do objeto. Com esta
técnica, porém, apresenta-se apenas um ângulo particular
dele, ao passo que, na holografia, a cena reconstruída pode
ser observada de vários ângulos. Movendo a cabeça de um lado
para outro, o observador poderá presenciar os efeitos de
paralaxe – movimento relativo de dois objetos na cena
registrada – causados pela mudança de seu ângulo de visão.
Para compreender a diferença entre a fotografia
comum e este processo, é importante considerar primeiramente
a natureza da luz. A luz visível é um tipo de radiação
magnética e, como tal, atravessa o espaço na forma de ondas
eletromagnéticas, a uma velocidade de 300.000 km/s. A
distância entre as sucessivas cristas dessas ondas é
denominada comprimento de onda, e o número de cristas por
segundo que passam por um ponto chama-se freqüência. Como a
velocidade de propagação da luz é constante, freqüências
mais altas equivalem a comprimentos de ondas mais curtos.
As fontes de luz usadas nas fotografias
convencionais (a luz do Sole a iluminação artificial, por
exemplo) emitem radiação com uma ampla gama de freqüências,
visto que a luz branca abrange as freqüências do
ultravioleta até o infravermelho. Assim, como a natureza da
luz branca é desordenada, torna-se praticamente impossível
registrar a informação acerca da profundidade da cena. Para
obter esse registro é necessário que a fonte de luz seja
monocromática (tenha frequência única) e coerente, isto é,
que as cristas de todas as ondas caminhem juntas (em fase).
Por isso, embora a holografia tenha sido idealizada em 1947,
a demonstração prática de seus efeitos só se tornou possível
a partir da década de 60, com a invenção de um tipo muito
particular de fonte de luz – o laser, que emite raios
luminosos coerentes e monocromáticos.
Quando duas ondas chegam a um determinado ponto em fase,
isto é, quando as cristas de ambas coincidem, suas energias
atuam em conjunto, reforçando a intensidade ou amplitude da
luz. Este processo é chamado interferência construtiva. Por
outro lado, se a crista de uma onda coincide com a posição
mínima – ou ventre do ciclo – de outra, ou seja, se as
cristas de ambas chegam fora de fase, obtém-se uma redução
de intensidade: ocorre uma interferência destrutiva.
Como o raio laser é monocromático e coerente
(altamente ordenado, portanto), os detalhes relativos à
profundidade de uma cena iluminada por um feixe deste tipo
estão contidos nos relacionamentos das fases das ondas que
chegam à chapa de registro holográfico. Uma onda vinda de
uma parte mais distante da cena chega “retardada” com
relação às ondas provenientes dos pontos mais próximos. É o
registro desta informação que permite a reconstrução óptica
do objeto em três dimensões. Para registrar esta informação
é necessário um feixe de referência, com o qual se possam
comparar os relacionamentos fásicos do feixe luminoso
refletido pelo objeto. Para tanto separa-se o feixe de laser
em dois: um é dirigido para a cena, a partir de qual se
forma o feixe refletido (feixe objeto); o outro (feixe de
referência) é apontado diretamente para a placa de registro.
No ponto em que os dois encontram a chapa, ocorre o fenômeno
da interferência.
Embora as ondas em colisão variem com o tempo, as
amplitudes registradas na chapa holográfica não se modificam
com ele. Ou seja: estabelecem-se padrões de ondas
estacionárias e apenas estas são registradas no filme
sensível à luz. Além disso, estes padrões registrados
contêm informações sobre a amplitude e a fase do feixe
objeto, enquanto a fotografia convencional registra apenas
as amplitudes da luz que chega até o filme.
O filme holográfico revelado, ou holograma, em
nada se assemelha à cena registrada. Se o objeto holografado
for uma superfície plana, o padrão de interferência
resultante mostra várias faixas luminosas e escuras; quando
se trata de um único ponto, ou objeto, o padrão consiste
numa série de anéis concêntricos. Na prática, o holograma de
um objeto ou cena apresenta uma configuração complexa de
círculos superpostos, relativos aos diversos ponto do
objeto.
O holograma é usualmente revelado numa chapa
transparente. Para reconstruir a imagem da cena original,
esta transparência precisa ser iluminada com um feixe de luz
coerente, semelhante ao utilizado como feixe de referência
no registro. À medida que passa através da chapa
transparente do holograma, o feixe de laser de reconstrução
é modulado (modificado), de acordo com a amplitude e fase,
assemelhando-se desta forma ao feixe do objeto que, para o
observador, e que não pode ser vista, por tratar-se de uma
imagem focalizada. Contudo, ela poderá ser observada se uma
tela for colocada na área focal. Movimentando-se a tela
para frente e para trás podem-se obter diferentes partes da
imagem real em foco.
Como a cor depende da freqüência da luz,
qualquer holograma produzido com um único laser dará uma
reconstrução monocromática do objeto. Entretanto, com a
utilização de três raios laser de freqüências diferentes
(correspondentes às três cores primárias – vermelho, verde e
azul-violeta), é possível registrar e reconstruir uma cena
com todas as cores.
Por suas características, os hologramas podem ter
importantes aplicações tecnológicas. Com a utilização de
holografia é possível, por exemplo, armazenar grande
quantidade de dados numa única chapa. Para tanto, é
necessário que a direção do raio relativo à chapa seja
modificada entre as exposições, de forma que os padrões de
interferência superpostos não se confundam. As reconstruções
são feitas iluminando-se a chapa revelada com um raio
reconstrutor na direção apropriada. Assim, quando um
holograma contendo diversos padrões for girado na trajetória
de um raio fixo, o observador poderá ver as diversas
reconstruções em seqüência.
A holografia pode também mostrar as pequenas
diferenças existentes entre as dimensões de um objeto matriz
e sua cópia. O raio objeto refletido da cópia é dirigido
para o holograma da matriz. Então, a imagem virtual do
objeto apresentará franjas luminosas (padrões de
interferência) sempre que houver diferenças entre a matriz e
a cópia. Cada franja proveniente de um determinado ponto de
referência indica uma diferença da ordem do meio do
comprimento de onda entre o objeto de teste e a matriz. O
uso de uma fonte de luz típica de laser permite detectar
diferenças da ordem de 0,0003 mm. Em vista disso, a
holografia tem grandes perspectivas de aplicação no
controle do desgaste de materiais, pois permite medir com
alto grau de segurança as diferenças entre uma peça quando
nova e depois de submetida a teste de desgaste.
Tratando-se de uma descoberta recente, novas
aplicações da holografia continuam se desenvolvendo. Há
perspectivas, por exemplo, de seu uso na obtenção de imagens
verdadeiramente tridimensionais no campo da televisão e do
cinema.
A holografia é usada na pesquisa científica
(localiza deformações em objetos sólidos), na indústria
(identifica objetos para evitar falsificações) e nas artes
plásticas. Ainda novidade como forma de expressão artística,
já destacou alguns artistas plásticos, como a inglesa
Margaret Benyon, os norte-americanos Harriet Casdin e Rudie
Berkhout, os brasileiros Haroldo e Augusto de Campos e a
japonesa Setsuko Ishii.
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