Balanço e Temperatura de Cor

 

balanço do branco (white balance) a câmera de vídeo, ao contrário ser humano, não é capaz de efetuar compensações e correções nos desvios da temperatura de cor com que os objetos são iluminados. Para se corrigir esta distorção, uma das possibilidades é o uso de filtros coloridos sobre a objetiva da câmera (CC - color correction filters). Assim, um filtro azulado corrigirá excessos de tons avermelhados por exemplo. Existem dezenas de graduações de intensidade de filtros para corrigir cada tonalidade de cor; para determinação mais precisa do melhor filtro a ser aplicado sobre a objetiva, utiliza-se um medidor de temperatura de cor.

Um processo mais preciso e mais prático no entanto é operado através de um circuito eletrônico denominado balanço do branco (white balance), presente em praticamente todos os modelos de câmeras. Este circuito (que pode funcionar automaticamente ou no modo manual) corrige a receptividade da câmera às diferentes cores balanceando (daí seu nome) as quantidades das cores componentes do espectro que forma a luz branca, deslocando sua composição em direção à tonalidades avermelhadas (para corrigir excesso de tons azulados) ou azuladas (para corrigir excesso de tons avermelhados). Na realidade a câmera não analisa todas as cores do espectro para obter este ajuste: como as cores são obtidas através de micro-janelas coloridas sobre o CCD (câmeras de 1 CCD) ou prismas desviando luz para os CCDs (câmeras com 3 CCDs), sempre nas 3 cores básicas do sistema RGB, basta analisar a intensidade de cada um desses 3 componentes, vermelho, verde e azul. Em outras palavras, o circuito eletrônico compensa as variações de tonalidade ajustando o "controle de volume" de cada uma das 3 cores, que é no que consiste o processo de balanceamento do branco.

No modo automático de ajuste (presente na maioria das câmeras e denominado "auto white balance"), o circuito automático de ajuste analisa a iluminação da cena para a qual a câmera foi direcionada e tenta encaixar a situação em uma das seguintes situações padrão: "interiores" ('indoor' / 'tungsten' ou 'incandescent', onde a mesma assume iluminação feita através de lâmpadas incandescentes), "exteriores" ('outdoor' ou 'sun', onde assume luz normal do dia) e "luz fluorescente" ('fluorescent'). O circuito constantemente lê a tonalidade recebida pela câmera e tenta fazer o balanceamento da seguinte forma: procura pela parte mais clara da imagem e assume que o trecho encontrado deveria ser branco. Ajusta a seguir a intensidade de cada cor RGB até que o trecho referido fique branco (RGB com mesma intensidade de Red, Green e Blue).

Porém, se não houver nenhuma parte de cor branca na imagem, o circuito do white balance automático será enganado: o resultado será uma tonalidade falsa na imagem. Um exemplo disto é quando a câmera enquadra totalmente um papel branco iluminado por uma lâmpada incandescente e o balanço do branco está no modo "auto white balance": o papel ficará com tonalidade alaranjada. Ou então repetindo-se a situação sob uma lâmpada fluorescente do tipo "branca fria": o papel ficará com tonalidade beje claro.

Além destes problemas, raramente o circuito é rápido o suficiente para efetuar as correções no tempo adequado quando as condições de iluminação mudam repentinamente. Por isso, em muitas câmeras não existe esta opção totalmente automática: o auto white balance na realidade tem que ser sempre ajustado para uma das 3 posições fixas: "exteriores" / "interiores" / "luz fluorescente". Este é o modo semi-automático.

Ainda assim, mesmo que a câmera possua a opção de ajuste totalmente automático, além de ter também as opções pré-fixadas mencionadas acima, quanto se conhece previamente o ambiente no qual será efetuada a gravação, é possível, ao invés de se utilizar o modo totalmente automático, utilizar o modo semi-automático, selecionando-se por exemplo "exteriores". No entanto, também este modo apresenta problemas: um mesmo tipo de ajuste ("exteriores", no caso) apresenta variações de tonalidade no decorrer do dia (amanhecer, meio-dia, entardecer).

Assim, a melhor e mais precisa alternativa (não disponível em todos os modelos de câmeras) é efetuar o ajuste totalmente manual do balanço do branco, processo é conhecido como 'bater o branco'.

bater o branco o mesmo que efetuar o ajuste manual do balanço do branco. Para tanto, aponta-se a câmera para uma superfície branca (a rigor para uma superfície perfeitamente branca ou em situações de emergência para algum objeto desta cor, como uma camiseta branca por exemplo) ou então cobre-se a objetiva da câmera com uma tampa protetora das lentes feita de material translúcido (quando disponível no modelo). A seguir pressiona-se o botão correspondente ao balanço manual do branco, mantendo-o assim até ocorrer a indicação de que o processo está finalizado. Durante este tempo, que leva alguns segundos, o circuito eletrônico da câmera analisa as porcentagens das cores que compoem a luz branca: se houver desvio na proporção correta, o mesmo efetua a correção, deslocando a tonalidade para o vermelho ou azul, conforme a temperatura de cor da luz branca existente no ambiente. A seguir este ajuste é 'travado' (fixado e mantido inalterado até que o processo seja repetido).

Enquanto as condições de iluminação do ambiente, em relação à temperatura de cor não se alterarem, não será necessário rebater o branco. Várias câmeras que possuem esta função possibilitam manter o ajuste inalterado mesmo após a câmera ser desligada e religada: neste caso os dados são armazenados no equipamento e preservados através de uma pequena bateria instalada em um compartimento próprio da câmera e destinada a armazenar ajustes de vários tipos efetuados pelo usuário.

Existem 3 formas de bater o branco: na primeira delas, a superfície branca é iluminada somente pela luz a ser utilizada no local da gravação (ou a lente com a capa protetora translúcida é apontada para essa luz). Porém, se houverem por exemplo paredes vermelhas no local, a luz refletida pelas mesmas tenderá a ficar com tonalidade 'quente' , causando distorção no equilíbrio das cores. Neste caso, poderá ser utilizada a segunda forma, onde a superfície branca é iluminada pela luz refletida por essas paredes (ou a lente apontada com a capa protetora para a parede). A terceira forma utiliza uma superfície não-branca para bater o branco: uma superfície por exemplo ligeiramente azul 'engana' o circuito da câmera, que efetuará o ajuste tornando as imagens mais quentes (avermelhadas), atmosfera propícia para trasmitir a sensação de romantismo ou nostalgia por exemplo.

No segmento profissional outras providências adicionais são tomadas, como a calibração individual do output de cada câmera conectando-a ao vetorscópio. Embora seja um processo relativamente simples com câmeras de 3 CCDs deste segmento (que permitem o ajuste individual dos sinais e geram sinais do tipo vídeo componentes), é praticamente impossível de ser efetuado com câmeras de 1 só CCD.

Quando o ambiente em que a gravação é efetuada é iluminado por fontes de luz de temperatura de cor diferentes, é necessário efetuar um equilíbrio nestas temperaturas, recorrendo-se à gelatinas que são sobrepostas a refletores e/ou janelas, de modo que a temperatura de todas as luzes torne-se uniforme.

Em cinema e fotografia, que utilizam películas fotográficas para registrar as imagens, não existe o conceito de bater o branco: aqui o ajuste é conseguido através da utilização de filtros coloridos sobre a objetiva e/ou através de diferentes tipos de películas, fabricadas com sensibilidade própria a cada tipo de iluminação (ex. filme balanceado para exteriores - tipo 'daylight' - ou interiores - tipo 'indoors').

CTB (Color Temperature Blue) tipo de gelatina utlizada para correção de temperatura de cor. Um exemplo de utilização é a gravação em uma sala iluminada pela claridade do dia através de grandes janelas de vidro. No interior desta sala, existem lâmpadas incandescentes, que devem permanecer acesas para complementar a iluminação eliminando sombras. Ou então será feito o uso de refletores, em que a temperatura de cor de suas lâmpadas situa-se abaixo da temperatura da luz do dia.

Neste caso, recobrindo-se as luzes internas e/ou os refletores com uma gelatina de tonalidade azul (CTB) aumenta-se a temperatura de cor dos mesmos (geralmente 3200K), cuja luz fica agora equilibrada com a temperatura de cor da luz que provém das janelas (em torno de 5600K).

Outra opção seria ao invés de recobrir as luzes internas / refletores, recobrir as janelas, neste caso utilizando uma gelatina do tipo CTO, para abaixar a temperatura da luz proveniente do Sol aproximando-a da temperatura das luzes internas. O resultado final seria o mesmo, porém, a opção levando-se em conta o fator custo benefício seria a primeira (CTB), por exigir gasto menor em quantidade de folhas de gelatina.

Um mesmo tipo de gelatina (CTB) possui dezenas de graduações de intensidade de cor, estabelecidas através de números ou códigos. Assim, por exemplo, para aproximar a luz de interiores para a luz solar é comum o uso de folhas de gelatina CTB de número 80 ou 81. A figura abaixo mostra algumas das dezenas de tonalidades de gelatinas do tipo CTB:

CTO (Color Temperature Orange) tipo de gelatina utlizada para correção de temperatura de cor. Um exemplo de utilização é a gravação em uma sala iluminada predominantemente pela luz de lâmpadas incandescentes e/ou refletores com lâmpadas deste tipo, na qual existe uma janela de vidro por onde penetra a luz do dia.

Neste caso, recobrindo-se a janela com folhas de gelatina de tonalidade laranja (CTO) abaixa-se a temperatura de cor da luz proveniente da mesma (em torno de 5600K), cuja luz fica agora equilibrada com a temperatura de cor da luz interna (geralmente 3200K).

Outra opção seria ao invés de recobrir a janela, recobrir as luzes internas, neste caso utilizando uma gelatina do tipo CTB, para subir a temperatura da luz proveniente destas luzes aproximando-a da temperatura da luz externa. O resultado final seria o mesmo, e a opção deve levar em conta o fator custo benefício (quantidade de folhas de gelatina necessária x facilidade de instalação).

Um mesmo tipo de gelatina (CTO) possui dezenas de graduações de intensidade de cor, estabelecidas através de códigos ou números. Assim, por exemplo, para aproximar a luz de luz solar da luz incandescente, é comum o uso de folhas de gelatina CTO de número 85. A figura abaixo mostra algumas das dezenas de tonalidades de gelatinas do tipo CTO:

disco de cores (Color wheel) Criado por Johannes Itten, líder do movimento Bauhaus, em 1974, dispõe as cores de um determinado modelo (RGB, RYB, CMY) em forma de círculo, de acordo com seu comprimento de onda, em ordem decrescente. Nesse ano, Itten, amigo de pintores famosos como Paul Klee e Vassily Kandinsk, publicou um livro em que expunha sua teoria das cores, The Art of Color, The Subjective Experience and Objective Rationale of Color. O objetivo do disco de cores é mostrar as combinações bem sucedidas de cores.

Assim por exemplo, para o modelo RGB o disco de cores apresenta as mesmas dispostas da seguinte maneira:

As cores primárias (indicadas por um 'P') são o vermelho, o verde e o azul. As secundárias (indicadas por um 'S') localizam-se entre cada duas primárias - na verdade são a soma das duas - e são o amarelo, o ciano e o magenta. Entre cada primária e secundária encontra-se a soma das mesmas: são as cores terciárias (indicadas por um 'T'), o laranja, o verde-amarelo, o verde-ciano, o ciano-azul, o violeta e o púrpura.

Cada cor está oposta diametralmente à sua cor subtrativa: assim, a cor subtrativa do vermelho é o ciano, porque ele absorve todo o vermelho e reflete azul e verde, as cores da base do triângulo equidistantes do ciano.

Para o modelo RYB o disco apresenta as cores dispostas da seguinte forma:

As cores primárias (indicadas por um 'P') são o vermelho, o amarelo e o azul. As secundárias (indicadas por um 'S') localizam-se entre cada duas primárias - na verdade são a soma das duas - e são o laranja, o verde e o magenta. Entre cada primária e secundária encontra-se a soma das mesmas: são as cores terciárias (indicadas por um 'T'), o vermelho-laranja, o laranja-amarelo, o amarelo-verde, o ciano, o violeta e o púrpura. Em relação ao disco do modelo RGB, as cores situadas entre o vermelho e o verde aparecem aqui "esticadas" de modo que do lado direito predominam cores de vermelho a verde e do lado esquerdo de azul a vermelho.

A utilidade dos discos de cores (existem discos com muito mais cores do que as dos exemplos acima) é a obtenção de harmonia no uso das mesmas. Para o vídeo, precioso auxiliar na montagem de painéis, cenários e na escolha de cores para títulos e gráficos na apresentação da tela da TV.

A teoria da harmonia das cores permite a escolha de cores, a partir do disco, que se combinam harmoniosamente. Para tanto deve inicialmente ser escolhida uma cor principal, a cor chave a partir da qual serão procuradas as demais que melhor se combinam com ela. Escolhida a cor, percorrendo-se o disco, as cores harmônicas estarão situadas a cada 3 cores saltadas. No desenho acima, escolhendo-se a cor terciária ciano, suas harmônicas serão o púrpura e o laranja-amarelo. Em outras palavras, estarão nos vértices de um triângulo regular. O mesmo vale para um quadrado, ou seja, saltam-se 2 ao invés de 3 cores: são também harmônicas do ciano o magenta, o vermelho-laranja e o amarelo.

Por outro lado, cores opostas diametralmente no disco são chamadas complementares: combinam-se muito bem. Cores adjacentes umas das outras são chamadas cores similares. O maior contraste é obtido com cores complementares, o menor com cores similares.

O exemplo acima utiliza o disco do modelo RYB exatamente porque este modelo produz resultados mais harmônicos na procura de combinação de cores do que o modelo RGB. Por exemplo, o vermelho combina melhor com seu complemento no modelo RYB (verde) do que no RGB (ciano).

Um dos conceitos mais importantes descobertos por Itten é a busca natural do olho humano pelo complemento de determinada cor. O complemento de uma cor qualquer no disco é a que se situa diametralmente oposta à mesma. A busca pelo complemento pode ser verificada fixando-se o olhar em determinada cor por alguns minutos e fechando-se os olhos a seguir: surgirá a cor complementar da visualizada.

gelatina (color correction gel) folha plástica colorida utilizada para alterar a temperatura de determinada fonte de luz. Afixada sobre refletores ou sobre janelas, seu nome derivou-se de um material confeccionado com gelatina, utilizado em teatros nos tempos antigos, quando não havia ainda o material plástico. As atuais 'gelatinas', confeccionadas em uma variedade grande de cores e tonalidades são fabricadas com material resistente ao calor gerado pelos refletores e comercializadas sob a forma de folhas individuais ou rolos.

Os tipos mais utilizados de gelatinas são CTB, CTO e ND, que, respectivamente, aproximam a luz incandescente da luz do dia, aproximam a luz do dia da luz incandescente e reduzem a intensidade da luz sem alterar a temperatura da mesma. Existem também gelatinas que combinam a correção de cor (CTB / CTO) com a redução de luminosidade (ND) e para todos estes tipos existem diversas graduações de intensidade, estabelecidas através de números. Geralmente os fabricantes possuem catálogos com amostras para facilitar a escolha do tipo mais adequado a determinada situação.

Entre outros tipos, existem os destinados a lâmpadas fluorescentes. Embora possam, no formato de folhas planas, serem colocados estendidos abaixo das lâmpadas, existem gelatinas fabricadas no formato de tubos em "U", próprios para serem encaixados nas mesmas:

Um destes tipos de gelatina permite remover o excesso de tonalidade verde criada pelas luzes fluorescentes. Um exemplo de utilização é uma gravação efetuada em um local iluminado predominantemente por lâmpadas incandescentes. Neste caso, os filtros utilizados nas lâmpadas fluorescentes do tipo "luz do dia", de tonalidade marrom-avermelhado, além de retirar o excesso de verde aproximarão a temperatura de cor das mesmas para 3200K:

Se, em outra situação, a iluminação predominante for a de luzes fluorescentes, e lâmpadas incandescentes e/ou refletores deste tipo forem utilizados para complementar a iluminação, podem ser utilizados sobre os mesmos gelatinas de tonalidade verde, para aproximar a temperatura da luz incandescente para a temperatura das luzes fluorescentes:

Gelatinas de cor magenta aproximam a temperatura de luzes fluorescentes para a luz do dia, podendo ser empregadas sobre estas por exemplo em uma sala iluminada por lâmpadas fluorescentes e luz proveniente do Sol:

Outra opção é, nesta mesma sala, recobrir as janelas ao invés das lâmpadas, neste caso utilizando folhas de gelatina de cor ligeiramente verde: o resultado final é o mesmo, e a opção entre uma forma e outra leva em consideração o custo/benefício - quantidade de folhas necessárias, facilidade de instalação, etc...

Gelatinas podem também ser utilizadas para criar efeitos propositais na tonalidade da imagem, seja 'esquentando' ou 'esfriando' a tonalidade da mesma. Um exemplo seria utilizar uma gelatina do tipo 1/2 CTB sobre uma janela para 'esfriar' ligeiramente a luz do dia que penetra por ela.

Existem ainda gelatinas difusoras: sua propiedade é difundir a luz que atravessa a mesma, tornando-a mais suave, menos 'dura', com sombras menos definidas e menos pronunciadas. Gelatinas deste tipo são também fabricadas combinadas com correção de cor (CTB / CTO) ou combinadas com redução de luminosidade (ND).

luz a luz é uma onda eletromagnética. Medindo-se o comprimento de ondas deste tipo, pode-se verificar que o mesmo varia em larga escala, ou seja, existem vários tipos de ondas eletromagnéticas, cada qual com um comprimento específico. O maior comprimento de onda eletromagnética é encontrado nas ondas de eletricidade (utilizadas em energia e telefonia) e o menor nas ondas encontradas nos raios cósmicos existentes no espaço.

Dentro desse espectro de comprimentos de onda, apenas uma pequena faixa é visível ao olho humano, a faixa que vai de 400 nm (nanômetros) a 700 nm. Estas dimensões correspondem a mais de uma centena de vezes menos do que o diâmetro de um fio de cabelo. Dentro dessa faixa, diferentes comprimentos de onda correspondem às diferentes cores do arco-íris: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta, onde o comprimento de 400 nm corresponde ao violeta e o de 700 nm ao vermelho:

Logo abaixo do comprimento 400 nm (350 nm) encontram-se as ondas do tipo ultravioleta e logo acima de 700 nm (750 nm) as ondas do tipo infravermelho, ambas já invisíveis ao olho humano (cobras podem enxergar a cor infravermelha, assim como insetos a ultravioleta). O quadro abaixo mostra alguns tipos de ondas eletromagnéticas e seus respectivos comprimentos de onda:

De todas as cores do arco-íris no entanto, o olho humano só é na realidade sensível a três delas: vermelho, verde e azul, componentes básicas do modelo de cor RGB . Isto porque no interior do olho existem estruturas minúsculas, dispostas como pastilhas aleatoriamente espalhadas em um mosaico, à semelhança dos pixels que formam a imagem vista pela câmera. Estas estruturas, na verdade células fotosensíveis espalhadas no fundo do olho (na retina), dividem-se em dois tipos: as sensíveis à luminosidade (denominadas bastonetes, cerca de 125 milhões delas existem em cada olho) e as sensíveis às cores (denominadas cones, com cerca de 7 milhões em cada olho). E existem somente 3 tipos de cones quanto à sensibilidade a cores: os que são sensibilizados pela cor vermelha, os que o são pela verde e os que o são pela azul. Todas as demais cores e tonalidades são enxergadas pelo olho como combinação em diferentes proporções destas 3 cores ou , em outras palavras, como combinação de sensibilização destes 3 tipos de estruturas do olho humano. Por este motivo estas 3 cores são denominadas cores primárias.

Assim por exemplo, quando a luz emitida por uma lâmpada amarela pendurada na árvore de Natal atinge o olho humano, esta luz irá sensibilizar igualmente os cones sensíveis ao vermelho e os sensíveis ao verde, porque a luz amarela é obtida como combinação em iguais proporções destas outras duas. Por outro lado, se nesta árvore colocarmos duas lâmpadas, uma vermelha e outra verde, uma colada à outra, e as observarmos de uma distância de onde as duas pareçam uma só, o olho perceberá a luz emitida pelas lâmpadas como amarela. Isto significa que um sistema de vídeo não precisa emitir luz amarela: o mesmo efeito é conseguido através de duas das cores básicas do modelo RGB e este é o princípio de funcionamento das câmeras e monitores de TV.

A cor prata (ou a cor dos metais) na realidade não é propriamente uma cor, no sentido de comprimento de onda: tanto uma superfície branca como uma polida (prateada) reflete todas as cores que incidem sobre ela; no entanto, o modo de reflexão é que é diferente. Enquanto que a superfície branca reflete de maneira irregular todos os raios de luz que incidem sobre ela, na superfície polida essa reflexão é regular (quanto mais lisa e polida mais regular é) e por isso forma a imagem refletida, como um espelho.

modelo de cor CMY no sistema subtrativo de cores, a tinta espalhada sobre uma superfície iluminada por uma luz branca possui determinada cor porque é a cor que seus pigmentos refletem: as demais cores são absorvidas. Da mesma forma que na tela da TV, que utiliza o modelo de cor RGB, apenas luzes emitidas em 3 cores combinadas produzem como resultado todas as demais, também utilizando-se combinação de determinadas tintas básicas pode-se obter todas as demais cores. Em relação às cores primárias, o pigmento que absorve somente o vermelho, reflete o verde e o azul. E a combinação destas duas cores, verde e azul, é a cor ciano. Da mesma forma o pigmento que absorve somente o verde, reflete vermelho e azul, cuja combinação é a cor magenta. E o pigmento que absorve o azul, reflete o vermelho e o verde, que combinados resultam na cor amarela. Estas, são as cores básicas do modelo C (Cyan), M (Magenta), Y (Yelow), denominadas cores secundárias:

Somando-se em iguais proporções duas das cores secundárias obtém-se as cores primárias. Assim, para imprimir o céu azul em uma imagem são combinados os pigmentos ciano e magenta: o ciano absorve a cor vermelha, o magenta absorve a verde: é refletida somente a azul. Da mesma forma, combinando-se os pigmentos ciano e amarelo obtém-se a cor vermelha e combinando-se os pigmentos magenta e amarelo obtém-se a cor verde.

Para obter-se a cor preta bastaria combinar os pigmentos ciano, magenta e amarelo, como mostra o centro do desenho. Porém, como a absorção / reflexão por parte dos pigmentos nunca é perfeita, o resultado obtido na prática não é preto e sim cinza escuro. Assim, para contornar este problema, os equipamentos de impressão utilizam tinta preta nas regiões onde a cor preta deve ser utilizada, ao invés utilizar as 3 cores juntas, resultando no sistema CMYK, com a letra 'K' acrescentada referindo-se ao preto (Black). Estas 4 cores costumam ser impressas em pequenos retângulos em cantos escondidos de embalagens coloridas, servindo para efetuar ajustes no momento da impressão: são as tintas utilizadas no equipamento gráfico.

As cores primárias, secundárias e terciárias deste modelo podem ser dispostas em um disco, conhecido como color wheel.

modelo de cor RGB a tela do monitor de TV emite 3 tipos de cores, vermelho, verde e azul, denominadas cores primárias do modelo de cores R (Red), G (Green), B (Blue). Através da combinação das luzes emitidas pelo monitor nestas 3 cores, todas as demais cores e tonalidades podem ser percebidas pelo olho humano, somando-se diferentes proporções de cada uma destas cores primárias. Por este motivo, o modelo de cor RGB é um sistema aditivo de cor: uma determinada cor é obtida somando-se diferentes proporções das cores primárias, emitidas por fontes de luz. Estas cores são chamadas de primárias porque são as que são percebidas diretamente pelo olho humano:

Somando-se em iguais proporções duas das cores primárias obtém-se as chamadas cores secundárias. Assim, a fonte de luz vermelha somada com a fonte de luz verde em igual proporção produz luz amarela; a fonte de luz verde com a fonte de luz azul produz luz ciano e a fonte de luz vermelha com a fonte de luz azul produz luz magenta. No centro da figura, a soma em iguais proporções das 3 cores primárias produz luz branca. Este modelo surgiu com a utilização da TV e computadores; suas cores básicas diferem, no entanto, do modelo clássico utilizado na teoria das cores, o modelo RYB.

As cores primárias, secundárias e terciárias deste modelo podem ser dispostas em um disco, conhecido como color wheel.

modelo de cor RYB modelo clássico utilizado na teoria das cores, utilizado a centenas de anos por pintores e artistas, através do uso do senso intuitivo das cores, desde a época do Renascimento. Neste modelo, as cores básicas são o vermelho, o amarelo e o azul, consideradas entre todas as cores as que tem maior contraste visual e por isso são mais facilmente destacáveis umas das outras:

Ao invés de motivos técnicos para a formação das cores, artistas preocupam-se com percepção humana da cor. A cor das folhas de uma árvore não muda ao longo do dia, os pigmentos são sempre os mesmos. Porém, em função da variação da temperatura da luz ao longo do dia, a luz refletida pelas folhas da árvore muda de tonalidade: é uma pela manhã, outra ao meio dia, outra à tarde, outra em um dia nublado, etc... e os artistas tentam transmitir estas sensações ao utilizarem-se do recurso das cores.

As cores primárias, secundárias e terciárias deste modelo podem ser dispostas em um disco, conhecido como color wheel.

ND gel (Neutral Density gel) tipo de gelatina utlizada para diminiur a intensidade de determinada fonte de luz. Podendo ser combinada com outros tipos de gelatinas, a gelatina do tipo ND não altera a temperatura de cor da luz, somente diminui sua intensidade. Um exemplo é a gravação em uma sala onde existe uma janela de vidro, através da qual há a vista para uma paisagem fortemente iluminada pelo Sol. Desejando-se incluir esta paisagem na gravação, juntamente com os objetos/pessoas do interior da sala, haverá um problema, criado pelo contraste de luminosidade: ao ajustar-se a exposição para o interior da sala, a paisagem ficará com tonalidade 'lavada', com pouca definição de detalhes, característica da super-exposição.

Para corrigir o problema, podem ser estendidas folhas de gelatinas do tipo ND sobre o vidro da janela. Fabricada em diversas graduações (que reduzem em maior ou menor grau a intensidade da luz), o uso da gelatina ND permitirá no exemplo a correta exposição do interior da sala com a paisagem da janela ao fundo.

Existem dezenas de variações de gelatinas do tipo ND em diversas intensidades. A figura abaixo mostra alguns tipos de folhas de gelatina ND:

sistema aditivo de cores sistema onde a cor final percebida pelo olho humano é o resultado da soma de fontes de luz emitindo cores básicas, como no modelo de cor RGB. É o sistema empregado em vídeo. Porém, cores também são utilizadas em pinturas e impressões gráficas. Neste caso, como um papel não emite luz própria como a tela da TV e sim reflete luz, outro sistema de cores tem que ser empregado: o sistema subtrativo de cores.

sistema subtrativo de cores enquanto que no sistema aditivo de cores são utilizadas fontes emissoras de luz, no sistema subtrativo são utilizadas tintas, cujos pigmentos absorvem determinadas cores e refletem outras. É o sistema empregado na imprensa e pelos pintores.

No sistema aditivo, somando-se fontes de luzes vermelha e verde, obtém-se luz amarela. No sistema subtrativo, a tinta é vermelha porque absorve a cor verde e a azul, refletindo somente a vermelha. E uma tinta é verde porque absorve a cor vermelha e azul, refletido somente o verde. Ao misturar-se estas duas tintas, tem-se que todas as cores primárias serão absorvidas, ou seja, o resultado será uma tinta na cor preta (e não amarela como no sistema aditivo de cores). Na prática, como a absorção / reflexão das cores por parte dos pigmentos nunca é perfeita, o resultado obtido pela mistura destas duas tintas nunca é exatamente preto, e sim cinza escuro. Massas de modelar são um outro exemplo.

O modelo de cores que emprega o sistema subtrativo de cores é o modelo de cor CMY.

temperatura, escala Kelvin a luz considerada como de cor branca na verdade é uma mistura de todas as cores básicas presentes no arco-íris: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta. No entanto, nem sempre a proporção destas cores componentes é a mesma, o que faz com que o resultado final, embora aparente ser branco para o cérebro humano, na realidade tenda para tonalidades avermelhadas, azuis ou intermediárias. Isto porque, como será visto adiante, o cérebro humano possui mecanismos de correção para esses desvios.

Em uma sala iluminada unicamente por uma lâmpada incandescente, uma pessoa escreve em um papel sulfite, para ela, branco. Se esta pessoa leva o mesmo papel para outra sala, esta iluminada unicamente por uma lâmpada fluorescente, o papel parecerá ainda branco. No entanto, na primeira sala, tudo, não só o papel, é iluminado por uma fonte de luz onde as cores básicas não estão equilibradas: a luz 'branca' emitida pela lâmpada incandescente na verdade não é branca e sim ligeiramente alaranjada. Assim, a cor 'branca' da folha de papel (ou seja, a luz refletida pelo papel) tende para o laranja, e os demais objetos não brancos adquirem tonalidades ligeiramente diferentes das que adquiririam se fossem iluminados com uma luz verdadeiramente branca.

Na segunda sala ocorre processo semelhante, porém tendendo para o verde, pois a luz 'branca' emitida pela lâmpada fluorescente é ligeiramente esverdeada. No entanto, o cérebro humano 'sabe' que a folha é branca e corrige estas distorções: nas duas salas, a percepção obtida será a mesma, a de estar-se diante de uma folha branca. Porém uma câmera fotográfica ou de vídeo não possui 'inteligência' embutida, ou seja, não vai efetuar esta correção: na foto / vídeo, a folha de papel na primeira sala aparecerá com tonalidade ligeiramente laranja e na segunda, ligeiramente verde.

Embora no exemplo da folha de papel o cérebro humano 'saiba' que a cor daquele papel é branco (por tê-lo observado em diversas situações e ter armazenado essas informações) e portanto o 'veja' como branco, o mesmo não ocorre necessariamente com outros objetos e outras cores, onde o cérebro não tem como 'advinhar' a cor real. Nesta situação, tanto o olho humano como a câmera 'vêem' a cor de um objeto de acordo com o tipo de luz que o ilumina. Assim, conforme o sistema subtrativo de cores, as listras vermelhas de uma blusa, parecerão quase pretas em um lugar onde a iluminação utilizada seja fluorescente, porque este tipo de lâmpada emite muito pouca luz vermelha - e portanto haverá muito pouco vermelho a refletir nas listras. No entanto, a mesma blusa sob iluminação solar apresentará as listras em vermelho vivo.

Isso mostra que o cérebro humano só consegue 'corrigir' a cor quando conhece um padrão de referência para a situação em questão. Para ele o papel será sempre branco e a face de uma pessoa não será nunca ligeiramente esverdeada. Porém ele não tem como advinhar a cor real das listras da blusa no exemplo acima. O termo 'cor real' assume por convenção a cor apresentada quando a pessoa/objeto são iluminados por uma luz branca onde seus componentes estejam todos equilibrados, como por exemplo a luz do Sol na maior parte do dia com céu aberto.

A câmera, sem correção alguma, apresentará a imagem tal qual a vemos, ou seja, no exemplo anterior, a tela do monitor (se corretamente calibrado) também mostrará a face ligeiramente esverdeada da pessoa em questão, assim como ela se apresenta na realidade. Porém o cérebro humano corrigirá o problema, tanto na realidade como ao observar a tela do monitor: só perceberemos o tom esverdeado ao tirarmos os olhos do monitor, olharmos para a pessoa sendo gravada e efetuarmos a comparação.

Ainda assim justifica-se a correção (write balance) por dois motivos: primeiro porque o cérebro não corrige cores de objetos para os quais não possui padrão de referência e segundo porque nas situações onde existe padrão de referência, a cor é sempre percebida como mais agradável quando não necessita da correção efetuada pelo cérebro, como pode-se perceber comparando-se duas imagens do rosto de uma pessoa, uma balanceada, outra não. Neste caso, com as imagens lado a lado, ele deixa de corrigir a imagem desbalanceada, pois tem o padrão da imagem balanceada como referência - vide exemplo acima citado do monitor.

Portanto, a cor com que determinado objeto se apresenta está intimamente ligada ao tipo de luz com que o mesmo é iluminado.

No século 19, um físico escocês chamado Lord Kelvin criou uma forma de medir os desvios de proporção na composição da luz branca, ou seja, quando predominava o vermelho, o amarelo, o azul, etc... Por este processo, imaginava-se um hipotético objeto totalmente negro (chamado por ele de 'corpo negro' , porque absorveria 100% de qualquer luz que incidisse sobre ele) que, ao ser aquecido, passaria a emitir luz. E, além disso, a luz emitida iria mudando gradualmente de cor. A analogia era feita era com um pedaço de ferro, aquecido cada vez mais: o chamado 'ferro em brasa', inicialmente de cor vermelha, passava por várias tonalidades (amarelo, verde, azul) conforme a temperatura subia mais e mais.

Lord Kelvin criou então uma escala de temperaturas, à qual deu seu nome e estabeleceu que à temperatura de 1.200 K (graus Kelvin) o corpo negro tornaria-se vermelho. E que quanto mais aquecido, mais sua tonalidade se alterava, correspondendo a temperaturas intermediárias. Assim, a escala Kelvin de temperatura de cor associa cor e temperatura, como indicado no desenho abaixo:

A escala Kelvin, além de utilizada na representação de cores, é uma das escalas utilizadas para medir quaisquer temperaturas. Nesta escala, o valor zero é associado à temperatura correspondente ao chamado "zero absoluto". Esta temperatura corresponde a -273,3 graus na escala Celsius de temperatura; a temperatura de 0 graus na escala Celsius corresponde à 273,3 graus na escala Kelvin de temperatura. À temperatura de mais ou menos 700 graus Celsius (ou 973,3 K) o corpo negro hipotético começaria a emitir luz, com a tonalidade vermelho escuro. Em seguida, quanto mais aquecido, mais as tonalidades iriam variando, até atingir o azul. Esta associação de cor e temperatura foi validada mais tarde em experiências efetuadas pelos cientistas.

Há aqui uma definição, utilizada tradicionalmente por fotógrafos, que costuma causar confusão à primeira vista: cores consideradas 'quentes' são cores avermelhadas e cores consideradas 'frias' são cores tendendo para o azul. Esta concepção, como se pode ver pelo desenho acima, é exatamente o inverso do que mostram as indicações de temperatura associadas às cores. Assim, quando se fala em uma tonalidade 'fria', deve-se imaginar altas temperaturas na escala acima, e o inverso para tonalidades 'quentes' . A tabela a seguir mostra várias fontes de luz e temperaturas associadas:

 

RETORNAR INDEX SUBIR DOCUMENTO