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INTRODUÇÃO AO SENSORIAMENTO REMOTO
PRODUTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO
SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS APLICAÇÕES PARA RECURSOS
NATURAIS
CARTOGRAFIA PARA PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL
O USO ESCOLAR DE DADOS DE SENSORIAMENTO
REMOTO COMO RECURSO DIDÁTICO PEDAGÓGICO
INTRODUÇÃO AO
SENSORIAMENTO REMOTO
CARLOS
ALBERTO STEFFEN
Instituto Nacional de pesquisas Espaciais
Divisão de Sensoriamento Remoto
steffen@ltid.inpe.br
RADIAÇÃO SOLAR
O Sol é a
principal fonte de energia para todo o sistema solar e,
devido à sua elevada temperatura, gera uma grande quantidade
de energia que é irradiada para todo o espaço. Propagando-se
pelo vácuo com uma velocidade próxima de 300.000 km/s a
energia radiante, também chamada radiação solar,
atinge a Terra onde é em parte refletida de volta para o
espaço e em parte absorvida pelos objetos terrestres
transformando-se em calor ou outras formas de energia. Por
exemplo, a radiação solar ao ser absorvida pela água do
oceano se transforma em calor que a faz evaporar formando as
nuvens e estas, ao se precipitarem na forma de chuva
alimentam os reservatórios das usinas hidroelétricas; a água
acumulada nos reservatórios contém energia mecânica
potencial que ao se precipitar através dos geradores da
usina é transformada em energia elétrica e então
transportada (por fios elétricos) para outros lugares onde
novas transformações podem gerar luz, calor, acionar
motores, etc. A energia radiante também pode ser gerada na
Terra por objetos aquecidos ou através de outros fenômenos
físicos. Por exemplo, o filamento de uma lâmpada se torna
incandescente ao ser percorrido por uma corrente elétrica,
gera energia radiante, sob a forma de luz, que ilumina os
objetos ao redor.
LUZ E RADIAÇÃO
Isaac Newton
(1642-1727), um dos maiores cientistas de todos os tempos,
provou que a radiação solar poderia ser separada (dispersa)
em um espectro colorido, como acontece num arco-íris.
Sua experiência, mostrou que a radiação solar visível (luz
branca) é uma mistura de luzes de cores diferentes.
Experimentos realizados posteriormente mostraram que o
espectro solar contém outros tipos de radiação invisíveis,
como a ultravioleta e a infravermelha (figura 1).
Figura 1.
Dispersão da radiação solar.
Observe na
figura 2 que ao agitar uma corda você transfere
energia para ela e esta energia se propaga formando ondas ao
longo da mesma. Se você observar com cuidado verá que as
ondas que se formam tem uma geometria que se repete em
ciclos de mesmo comprimento ao longo da corda. Esse
comprimento de onda depende da freqüência com que
você agita a corda e também da velocidade com que as
ondas podem se propagar através dela (numa corda fina as
ondas se propagam mais rapidamente que numa grossa). Desta
forma, uma propagação ondulatória de energia pode ser
caracterizada pelo comprimento ou freqüência das ondas que
se formam. Para produzir ondas curtas você precisa agitar a
corda com freqüência mais alta, isto é, transferir mais
rapidamente energia para a corda; por isso, as ondas de
comprimento de onda curto transportam mais energia por
segundo.
Diferente dos
outros tipos de energia que dependem de um meio material
(como a corda) para se propagar de um lugar para outro, a
energia radiante pode se deslocar através do vácuo; neste
caso, os físicos dizem que a radiação se propaga através de
um meio denominado campo eletromagnético e, por isso,
é também denominada radiação eletromagnética (REM).
Figura 2.
Propagação da energia.
Os
comprimentos de onda da radiação eletromagnética podem ser
tão pequenos que são medidos em sub-unidades como o
nanometro (1nm = 0.000000001m) ou o micrometro
(1mm = 0.000001m). Por outro lado as freqüências podem ser
tão altas que são medidas em Gigahertz (1Ghz =
1.000.000.000 de ciclos por segundo) ou Megahertz
(1MHz = 1.000.000 de ciclos por segundo).
Se
organizarmos todo o nosso conhecimento sobre os diferentes
tipos de radiação eletromagnética, teremos um gráfico como o
da figura 3, denominado EspectroEletromagnético,
que foi construído com base nos comprimentos de onda (ou
freqüências) das radiações conhecidas. O espectro está
dividido em regiões ou bandas cujas denominações
estão relacionadas com a forma com que as radiações podem
ser produzidas ou detectadas (com certeza você já ouviu
falar em muitos desses nomes, apenas não sabia que se
tratavam de coisas da mesma natureza).
Figura 3. O
espectro eletromagnético.
Podemos
destacar algumas bandas do espectro e suas características
mais notáveis:
- A pequena banda denominada
luz compreende o conjunto de radiações para as
quais o sistema visual humano é sensível;
- A banda do ultravioleta
é formada por radiações mais energéticas que a luz (tem
menor comprimento de onda); é por isso que penetra mais
profundamente na pele, causando queimaduras quando você
fica muito tempo exposto à radiação solar.
- A banda de raios X
é mais energética que a ultravioleta e mais penetrante;
isso explica porque é utilizada em medicina para produzir
imagens do interior do corpo humano.
- As radiações da banda
infravermelha são geradas em grande quantidade pelo
Sol, devido à sua temperatura elevada; entretanto podem
também ser produzidas por objetos aquecidos (como
filamentos de lâmpadas).
- O conjunto de radiações
geradas pelo Sol, se estendem de 300 até cerca de 3000nm e
essa banda é denominada espectro solar.
LUZ E COR
O sistema
visual do homem e dos animais terrestres é sensível a uma
pequena banda de radiações do espectro eletromagnético
situada entre 400nm e 700nm e denominada luz.
Dependendo do comprimento de onda, a luz produz as
diferentes sensações de cor que percebemos. Por exemplo, as
radiações da banda entre 400nm até 500nm, ao incidir em
nosso sistema visual, nos transmitem as várias sensações de
azul e cian, as da banda entre 500nm e 600nm, as várias
sensações de verde e as contidas na banda de 600nm a 700 nm,
as várias sensações de amarelo, laranja e vermelho.
Uma
propriedade importante das cores é que estas podem ser
misturadas para gerar novas cores. Escolhendo três cores
básicas (ou primárias) como o azul, o verde e o vermelho, a
sua mistura em proporções adequadas pode gerar a maioria das
cores encontradas no espectro visível. Como você pode ver na
figura 4, os matizes formados podem ser
agrupados em amarelo (Y), cian (C) e
magenta (M), este último não encontrado no espectro
visível. A mistura das três cores primárias forma o
branco (W).
Figura 4.
Mistura de cores.
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ASSINATURAS ESPECTRAIS
Quando a
radiação interage com um objeto, pode ser refletida,
absorvida ou mesmo transmitida (no caso de objetos
transparentes). Em geral a parte absorvida é transformada em
calor ou em algum outro tipo de energia e a parte refletida
se espalha pelo espaço. O fator que mede a capacidade de um
objeto de refletir a energia radiante indica a sua
reflectância, enquanto que a capacidade de absorver
energia radiante é indicada pela sua absortância e, da
mesma forma, a capacidade de transmitir energia radiante é
indicada pela sua transmitância. Certamente um objeto
escuro e opaco tem um valor baixo para a reflectância, alto
para a absortância e nulo para a transmitância. A
reflectância, absortância e a transmitância costumam ser
expressas em percentagem (ou por um número entre 0 e 1).
Podemos medir
a reflectãncia de um objeto para cada tipo de radiação que
compõe o espectro eletromagnético e então perceber, através
dessa experiência, que a reflectãncia de um mesmo objeto
pode ser diferente para cada tipo de radiação que o atinge.
A curva a da figura 5 mostra como uma folha
verde tem valores diferentes de reflectância para cada
comprimento de onda, desde o azul até o infravermelho
próximo. Esse tipo de curva, que mostra como varia a
reflectância de um objeto para cada comprimento de onda, é
denominada assinatura espectral e depende das
propriedades do objeto.
Figura 5.
Assinaturas espectrais.
Analisando a
assinatura espectral da folha verde na figura 5, podemos
explicar as razões para as variações encontradas: na banda
visível (B, G e R), a pequena reflectância (maior
absortância) é produzida por pigmentos da folha (clorofila,
xantofila e carotenos) enquanto que na banda infravermelha
(IR), a maior reflectância resulta da interação da radiação
com a estrutura celular superficial da folha. Duas
características notáveis resultam dessa assinatura
espectral: 1- a aparência verde da fôlha, e por extensão da
vegetação, está relacionada com a sua maior reflectância
nessa banda (G) e é produzida pela clorofila, 2- a elevada
reflectância na banda infravermelha (IR) está relacionada
com os aspectos fisiológicos da folha e varia com o seu
conteúdo de água na estrutura celular superficial; por isso
é um forte indicador de sua natureza, estágio de
desenvolvimento, sanidade, etc. Veja na curva b da
mesma figura a assinatura espectral de uma folha seca. Você
seria capaz de explicar a razão das mudanças? Veja ainda
nessa figura, a curva c que mostra a assinatura
espectral de uma amostra de solo; no caso do exemplo
trata-se de um tipo de solo contendo ferro e pouca matéria
orgânica.
CÂMARAS
DIGITAIS
Na figura
6, que mostra a estrutura do olho humano, você pode
perceber como as imagens dos objetos observados são
formadas. Cada ponto do objeto reflete luz em todas as
direções e parte dessa luz refletida atinge o olho sendo
focalizado pelo cristalino (uma lente orgânica) sobre
o fundo do olho numa região chamada retina. Desta
forma, o conjunto de todos os pontos projetados sobre a
retina formam uma imagem do objeto. Na retina, milhões de
células sensíveis à luz são estimuladas pela imagem e
transmitem sinais nervosos para o cérebro, através do
nervo óptico .No cérebro esses sinais são interpretados
como sensações de forma, brilho e cor em função de nossa
experiência visual.
No fundo do
olho, a retina é recoberta por dois tipos de células: os
cones e os bastonetes. Os cones estão divididos em grupos
sensíveis ao azul, ao verde e ao vermelho; assim, quando a
imagem de um objeto colorido é projetado sobre a retina, as
células correspondentes às cores da imagem são excitadas e
enviam para o cérebro os sinais nervosos respectivos que são
interpretados como sensações adicionais de cor. Os
bastonetes não tem sensibilidade para cores, entretanto tem
maior sensibilidade para detectar sinais luminosos fracos e
são responsáveis pela visão noturna. Você certamente já
ouviu falar que "à noite todos os gatos são pardos; tente
justificar isso!
Figura 6. O
sistema visual humano.
Com o
desenvolvimento da tecnologia das câmaras digitais, o
processo fotográfico está sofrendo transformações muito
importantes que aumentam a sua flexibilidade e aplicações.
Compare a a câmara digital, mostrada na figura 7, com
a câmara convencional da mesma figura. Veja que as partes
ópticas são iguais, entretanto no lugar do filme é utilizado
um chip CCD. Um chip CCD é um dispositivo
eletrônico composto de milhares de pequenas células
sensíveis à radiação, também chamadas de detetores,
dispostas numa matriz (linhas e colunas). Quando uma imagem
é projetada sobre o chip, cada detetor é ativado gerando uma
pequena carga elétrica proporcional ao brilho da parte da
imagem projetada sobre ele. Um componente eletrônico da
câmara, lê rapidamente o valor da carga de cada detetor e a
registra num dispositivo de memória física (cartão de
memória, disquete, fita magnética, disco óptico) na forma de
um arquivo de computador, Esses arquivos podem então ser
lidos por um programa do computador que torna as imagens
visíveis para serem analisadas, modificadas e impressas.
Figura 7.
Câmara convencional e câmara digital CCD.
Quando um
computador lê o arquivo da imagem digital, esta é exibida no
monitor como um conjunto de células organizadas em uma
matriz de linhas e colunas equivalente à do chip CCD. Cada
célula dessa matriz é denominada PIXEL (de picture
cell) e o seu brilho (tonalidade) é proporcional ao valor ou
nível digital registrado na célula correspondente do
chip CCD.
Não é difícil
perceber que uma câmara digital cujo chip CCD tem poucos
detetores sensíveis, produz imagens pouco detalhadas como a
da figura 8b; por outro lado, se o chip tem uma
grande quantidade de detetores a imagem exibirá detalhes que
antes não podiam ser percebidos, como mostra a figura 8a.
A qualidade
da imagem relacionada com a sua capacidade de registrar
detalhes de uma cena é denominada resolução geométrica
ou espacial. Essa resolução da imagem depende da
qualidade óptica da câmara e do número de detetores do chip
CCD.
Muitas vêzes
a resolução da imagem costuma ser expressa pelo tamanho do
elemento da cena representada por um píxel; por exemplo, se
cada píxel da imagem 8b representa uma parte da cena
de 1mm x 1mm então costuma se dizer que a imagem tem
resolução de 1mm.
Figura 8.
Pixel e resolução na imagem digital.
Uma câmara
como o da figura 7 gera imagens pancromáticas
(todas as cores) em tons de cinza, como as da figura 8,
entretanto a sua configuração pode ser modificada para que
produza imagens coloridas. Veja no arranjo da figura 9
que a luz proveniente da cena é separada por um dispositivo
óptico, formado por prismas e filtros, em três componentes.
Escolhendo filtros adequados para as cores primárias azul,
verde e vermelho, uma imagem da cena, em cada uma dessas
três bandas, é projetada sobre o chip CCD correspondente. A
leitura dos chips pelo sistema eletrônico gera três imagens
monocromáticas (relativas a uma cor) da cena que são
gravadas em um arquivo de computador.
Figura 9. Uma
câmara digital colorida.
Para entender
como essas três imagens podem ser compostas para sintetizar
uma única imagem colorida no computador observe a figura
10. A tela do monitor é composta de milhares de pequenas
células coloridas (azul, verde e vermelho) dispostas em
trincas como em D. Quando o computador superpõe as
imagens das três bandas no monitor, as células de cada cor,
brilham com intensidades proporcionais aos níveis digitais
de cada píxel da imagem monocromática correspondente e o
resultado percebido é uma imagem colorida. Se você olhar
para a tela do monitor com uma lente de aumento poderá
observar essas trincas, entretanto sem a lente, cada uma
delas funciona como se fosse um único pixel já que o seu
sistema visual não tem resolução suficiente para
percebê-las. Resumindo: decompõe-se a imagem para
registrá-la e compõe-se os registros para exibi-la de forma
colorida.
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No exemplo da
figura 10 você pode perceber que as imagens da
vegetação nas componentes A, B e C
guardam estreita relação com a assinatura espectral da folha
mostrada na figura 5. Note que em A, a
vegetação aparece escura, na B onde a reflectância é
maior aparece em tonalidade mais clara e na imagem C,
onde a clorofila absorve a radiação vermelha, aparece
novamente mais escura; com base na figura 4, é fácil
entender porque a vegetação aparece verde na imagem
colorida. Como exercício, tente justificar a aparência da
área de solo preparado que aparece na imagem colorida.
Figura 10.
Sintetizando uma imagem colorida.
CÂMARAS
NÃO CONVENCIONAIS
Um sensor
remoto é um sistema opto-eletrônico utilizado para gerar
imagens ou outro tipo de informações, sobre objetos
distantes. A câmara digital que analisamos pode ser
considerada como um sensor remoto quando instalada em uma
aeronave para fotografar a superfície da Terra; entretanto
esse sensor remoto seria ainda muito simples e gerando
imagens coloridas apenas na parte visível do espectro.
A figura
11 mostra como a nossa câmara digital pode ser
aperfeiçoada para obter imagens que incluam a banda
infravermelha (muito importante para o estudo da vegetação).
Para isto, o nosso sistema sensor foi modificado para
incluir um filtro e um chip CCD, sensível à radiação
infravermelha, no lugar do filtro e do chip CCD da banda
azul. Neste caso, os filtros dicróicos fazem uma separação
preliminar das bandas em verde, vermelha e infravermelha e
os filtros secundários separam com maior precisão as bandas
desejadas. As imagens geradas nos 3 chips CCD são então
armazenados em um arquivo compatível com computador da mesma
forma que na câmara convencional.
Como não
existe uma cor básica correspondente ao infravermelho, um
artifício é utilizado na hora de observar a imagem obtida no
computador. Utilizamos a cor básica azul para representar o
registro da banda verde, a cor verde para representar o
registro da banda vermelha e a cor vermelha para representar
o registro da banda infravermelha. Você pode ver que a
imagem produzida desta forma, na figura 12, tem as
formas e textura esperadas entretanto, as cores não
correspondem à nossa experiência visual e por isso esse tipo
de imagem é denominada falsa-cor.
Imagens
construídas com a banda infravermelha podem ter uma
quantidade muito maior de informações temáticas que as
convencionais (de cores naturais); entretanto, é importante
ressaltar que o significado dessas cores e suas variações,
deve ser analisado com base no conhecimento das assinaturas
espectrais dos objetos, para que possamos extrair
informações corretas sobre as suas propriedades.
Figura 11. Uma
câmara digital de infravermelho.
Veja na
figura 12 que a vegetação aparece em tonalidades de
magenta e isso é simples de explicar se você observar que na
assinatura espectral da vegetação predominam as
reflectâncias nas bandas verde (B) e infravermelha (C),
sendo esta última maior. Como estas bandas são representadas
na imagem pelas cores azul e vermelha, a mistura destas (ver
figura 4) gera as tonalidades de magenta com predominância
de vermelho. Da mesma forma, a tonalidade cian do solo
resulta das reflectâncias mais elevadas nas bandas vermelha
e infravermelha. Veja na imagem c que a água do rio
tem reflectância quase nula na banda infravermelha;
observando as imagens (A e B), qual seria a cor natural
desse rio?
Figura 12.
Sintetizando uma imagem falsa-cor
Da mesma
forma que o nossa câmara foi modificada para funcionar na
banda infravermelha, outras bandas podem ser incluídas
utilizando chips e filtros adequados. Nos sensores orbitais,
como o Landsat, Spot e o Cbers, os sensores são bem mais
sofisticados e tem muitas bandas (veja na tabela 1),
entretanto seguem os mesmos princípios discutidos para a
nossa câmara digital.
SATÉLITES
ARTIFICIAIS
Sensores
remotos podem ser colocados em aeronaves, foguetes e balões
para obter imagens da superfície da Terra, entretanto estas
plataformas são operacionalmente caras e limitadas.
Uma boa idéia neste caso é utilizar satélites artificiais
para instalar esses sistemas. Um satélite pode ficar girando
em órbita da Terra por um longo tempo e não necessita
combustível para isso; alem do mais, a sua altitude permite
que sejam obtidas imagens de grandes extensões da superfície
terrestre de forma repetitiva e a um custo relativamente
baixo.
Como os
satélites ficam em órbita e não caem? Esta é uma pergunta
freqüente cuja resposta é bastante fácil de entender. Vamos
imaginar uma experiência simples: pegue uma pedra, levante a
do chão e solte; a pedra cai verticalmente puxada pelo seu
peso, isto é, pela força da gravidade. Jogue a pedra
horizontalmente em frente, ela também cai só que desta vez
realiza uma trajetória curva antes de atingir o solo. Vamos
melhorar o nosso experimento; agora você sobe num lugar bem
alto (que tal o pico do Everest?) e lança novamente a pedra
em frente com bastante força; esta ainda descreve um arco
antes de cair ao solo, só que muito mais longe de você. Se
você puder lançá-la com tanta força que o arco que realiza
seja paralelo à curvatura da Terra, então a pedra dará a
volta na Terra, passará por você (abaixe a cabeça!) e
continuará "caindo", isto é dando voltas em torno da Terra.
Neste momento você poderá dizer que a pedra entrou em órbita
e se transformou num satélite da Terra (como a Lua). Neste
experimento você pode perceber que existe uma velocidade
crítica de lançamento para que a pedra entre em órbita (a
bem da verdade, nesse experimento, a pedra logo cairá ao
solo porque a resistência do ar diminuirá constantemente a
sua velocidade e a órbita será uma espiral descendente).
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Como levar um
satélite artificial (que pode pesar algumas toneladas) para
uma grande altitude, onde a resistência do ar seja
desprezível, e fazê-lo atingir aquela velocidade crítica
para permanecer em órbita durante um longo tempo? A solução
para este problema está na utilização dos foguetes que são
sistemas extremamente poderosos e capazes de levar grandes
cargas para grandes altitudes onde a resistência do ar é
desprezível. Como você pode ver na figura 13, o
foguete após disparado, realiza uma trajetória curva
enquanto sobe e, no momento que atinge a altitude desejada e
com a velocidade crítica necessária, libera o satélite e
este permanece em órbita, girando em torno da Terra.
Figura 13.
Pondo satélites em órbita.
Como você
pode notar na figura 13, o plano da órbita pode ser
polar, equatorial ou estar em qualquer outro
plano adequado para o tipo de aplicação do satélite. O
período de rotação do satélite é o tempo que êle
leva para da uma volta completa em torno da Terra e isto
depende de sua altitude. Muitos satélites de comunicações e
meteorológicos são geoestacionários, isto é, ficam
aparentemente "parados" no céu sobre um mesmo ponto da
superfície terrestre; neste caso, o seu período de rotação
deve ser de 24 horas e por isso, são lançados em órbita
equatorial, a cerca de 36000 km de altitude, na mesma
direção de rotação da Terra (de oeste para leste). Existe
uma grande quantidade desses satélites utilizados para a
difusão de sinais de rádio e televisão, retransmissão de
telefonia e geração de imagens meteorológicas. Certamente
você já assistiu no boletim meteorológico da TV, uma
animação que mostra o deslocamento das nuvens sobre a
superfície da Terra; essa animação é uma seqüência de
imagens produzidas (à cada meia hora) por esses satélites
meteorológicos geoestacionários.
IMAGEADORES ORBITAIS
Os satélites
artificiais são plataformas estruturadas para suportar o
funcionamento de instrumentos de diversos tipos e, por isso,
elas são equipadas com sistemas de suprimento de energia
(painéis solares que convertem a energia radiante do Sol em
energia elétrica e a armazena em baterias), de controle de
temperatura, de estabilização, de transmissão de dados, etc.
Os satélites
de observação da Terra são plataformas com a estrutura
básica citada anteriormente e que tem como instrumento
principal um sistema sensor capaz de produzir imagens da
superfície da Terra em várias bandas simultâneas; neste
caso, o imageador orbital funciona basicamente como a câmara
digital que analisamos e com as adaptações necessárias para
gerar imagens em muitas bandas.
De modo geral
os sistemas imageadores orbitais, para aplicações em
Geociências, tem órbitas de pequena inclinação com relação
aos meridianos, isto é, órbitas do tipo quase-polar.
Esse tipo de órbita associado ao seu período de rotação faz
com que o satélite passe sempre "voando" de norte para sul
na parte da Terra que está iluminada pelo Sol, cruzando o
equador no mesmo horário (por volta de 10h local), quando as
condições de iluminação são as mais adequadas para a
aquisição de imagens. Um efeito desse tipo de órbita,
combinado com a rotação da Terra, é que o satélite passa
sobre uma região diferente da Terra em cada rotação,
voltando depois de um período de vários dias, denominado
período de revisita, a passar sobre a mesma região. Esta
característica orbital é muito importante porque permite a
aquisição de imagens periódicas de uma mesma região, o que é
muito conveniente para analisar fenômenos temporais ou obter
imagens sem nuvens. Veja na tabela Ia, b e
c o período de revisita dos principais satélites
utilizados em Sensoriamento Remoto.
Quando o
satélite de Sensoriamento Remoto avança de norte para sul em
sua órbita, seu sensor multibandas pode produzir imagens de
uma faixa da superfície terrestre, como mostra a figura
14. Aproveitando o movimento do satélite, o imageador
utiliza chips CCD lineares (uma só linha de detetores) para
produzir (em várias bandas) as linhas de imagem transversais
ao seu deslocamento na órbita. Essas linhas de imagem ou
linhas de varredura, são transmitidas para as estações
receptoras na Terra, à medida que vão sendo produzidas. A
recepção e gravação dessas linhas é feita por meio de
receptores, gravadores e grandes antenas parabólicas, como
as do INPE em Cuiabá que acompanham o satélite em sua
trajetória (de norte para sul) de horizonte a horizonte.
Figura 14.
Varredura de um imageador orbital multibandas.
As fitas
magnéticas contendo a gravação das linhas de varredura
produzidas pelo imageador orbital são então processadas nos
computadores das estações terrenas, para gerar as cenas
correspondentes a cada banda. Neste caso, cada cena é um
conjunto de linhas cuja quantidade é suficiente para gerar
imagens no formato estabelecido para cada tipo de imageador
orbital.
CBERS:
CHINESE-BRAZILIAN EARTH RESOURCES SATELLITE
|
CARACTERÍSTICAS GERAIS |
|
Massa |
1.450 kg |
|
Potência do painel
solar |
1.100 watts |
|
Dimensões do painel
solar |
6,3 x 2,6m |
|
Dimensões do corpo |
2,0m x 8,3m x 3,3m (em
orbita) |
|
Tempo de vida |
2 anos (confiabilidade de
0,6) |
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|
CARACTERÍSTICAS
ORBITAIS |
|
Altitude média |
778 km |
|
Inclinação |
98,5 graus com o equador |
|
Revoluções por dia |
14 + 9/26 |
|
Período |
100,26 minutos |
|
Cruzamento do equador |
10h 30min |
|
CARACTERÍSTICAS DOS
IMAGEADORES |
|
Imageadores > |
CCD
|
IR-MSS |
WFI
|
|
Bandas Espectrais (?m) |
0,51 – 0,73 (pan)
0,45 – 0,52
0,52 – 0,59
0,63 – 0,69
0,77 – 0,89 |
0,50-1,10 pan
1,55-1,75
2,08-2,35
10,40-12,50 |
0,63-0,69
0,76-0,90 |
|
Resolução espacial (m) |
20 |
80 (pan e IV) |
260 |
|
Período de revisita
(nadir): |
26 dias |
26 dias |
3-5 dias |
|
Período de revisita (off-nadir): |
3 dias (+/- 32º) |
- |
- |
|
Largura da faixa
imageada |
113 km |
120 km |
890 km |
|
Ângulo de visada
lateral |
+/- 32º |
- |
- |
Tabela I-a.
Satélites de Sensoriamento Remoto
LANDSAT 7:
EARTH RESOURCES TECHNOLOGY SATELLITE – USA
|
CARACTERÍSTICAS GERAIS |
|
Massa |
~2100 kg |
|
Potência do painel
solar |
Nd |
|
Dimensões do painel
solar |
Nd |
|
Dimensões do corpo |
Nd |
|
Tempo de vida |
> 5 anos |
|
CARACTERÍSTICAS
ORBITAIS |
|
Altitude média |
705 km |
|
Inclinação |
98.2 |
|
Revoluções por dia |
~14 |
|
Período |
98 minutos |
|
Cruzamento do equador |
~10h15min |
|
CARACTERÍSTICAS DOS
IMAGEADORES |
|
Imageadores > |
TM (LANDSAT 5) |
ETM+ (LANDSAT 7) |
|
Bandas espectrais (?m) |
0,45 - 0,52
0,52 - 0,60
0,63 - 0,69
0,76 - 0,90
1,55 - 1,75
10,4 - 12,5
2,08 - 2,35 |
0,45 - 0,52
0,53 - 0,61
0,63 - 0,69
0,78 - 0,90
1,55 - 1,75
10,4 - 12,5
2,08 - 2,35
0,52 - 0,90 (pan) |
|
Resolução espacial (m) |
30m
120 m (termal) |
30 m
60 m (termal)
15 m (pan) |
|
Período de revisita |
16 dias |
16 dias |
|
Largura da faixa
imageada |
185 km |
185 km |
Tabela I-b.
Satélites de Sensoriamento Remoto
SPOT 4:
SISTÉME PROBATOIRE DE L’OBSERVATION DE LA TERRE - FRANCE
|
CARACTERÍSTICAS GERAIS |
|
Massa |
2700 kg |
|
Potência do painel
solar |
2.100 watts |
|
Dimensões do painel
solar |
8m (comprimento) |
|
Dimensões do corpo |
2,0m x 2,0m x 5,6m |
|
Tempo de vida |
>5 anos |
|
CARACTERÍSTICAS
ORBITAIS |
|
Altitude média |
822 km |
|
Inclinação |
98.7 |
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Revoluções por dia |
~14 |
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Período |
101.4 minutos |
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Cruzamento do equador |
~10h30min |
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CARACTERÍSTICAS DOS
IMAGEADORES HRVIR |
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Imageadores > |
MULTIESPECTRAL |
PANCRO |
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Bandas espectrais (?m) |
0,50 - 0,59 (verde)
0,61 - 0,68 (vermelha)
0,79 - 0,89 (infravermelho) |
0,61 - 0,68 |
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Resolução espacial (m) |
20 m |
10 m |
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Período de revisita
(nadir): |
26 dias |
26 dias |
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Período de revisita (off-nadir): |
3 dias |
3 dias |
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Largura da faixa
imageada |
117 km (2X60km) |
117 km (2X60km) |
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Ângulo de visada
lateral |
+/- 27º |
+/- 27º |
Tabela I-c.
Satélites de Sensoriamento Remoto
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