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A imagem 3D
Prof.
Enio Leite
Focus – Escola de Fotografia &
Tecnologia Digital
O principio da visão tridimensional é obtido dentro do cérebro humano através
da pupila e os concentra sobre a superfície da retina, formando assim as
imagens.
O olho humano foi a grande fonte de inspiração, para que a humanidade, após
milênios de pesquisas pudesse usufruir desse princípio magnificamente criado
pela natureza, criando um instrumento que imitasse a vida.
Mas, vejamos como tudo começou: Os princípios técnicos que viabilizam a
imagem fotográfica, já são conhecidos há muito tempo. A produção de
imagens pela transmissão da luz refletida por meio de um pequeno orifício, é
um fenômeno relatado desde Aristóteles ( 384ac-322ac), na Antiga Grécia, que
ao se encontrar em uma caverna, viu as mesmas imagens externas projetadas
internamente em suas paredes.

Esquerda: cena vista com olho esquerdo; direita: cena vista com olho direito;
centro: imagem vista com os óculos 3D
Um princípio simples, desenvolvido por Leornador da Vinci e difundido por todos
os pintores renascentistas: pega-se uma caixa completamente escura, e em um de
seus lados, faz-se um pequeno furinho. O objeto fortemente iluminado, fora da
caixa, reflete luz em todas as direções, e entre elas, um pequeno feixe é
direcionado diretamente ao furinho. Os raios captados pelo furinho vão formar
na tela de pintura dentro da caixa, a mesma imagem, porém invertida do objeto
iluminado. O trabalho do artista dessa época era apenas contorná-la com tinta,
Mas, se ao invés de deixarmos esses raios refletindo na tela de pintura,
colocarmos um filme sensível á luz, teremos a imagem fotográfica.
Mas essa imagem, bidimensional, utilizando recursos geométricos e variação
tonal para criar a sensação de “tridimensionalidade” não chegou a
contentar a todos... Antes mesmo do advento da fotografia, já se utilizavam dos
“estereoscópios” a partir de desenhos, para obter a “terceira dimensão
virtual”.
A visão binocular resultante, da posição alinhada dos olhos nos permite
observar um mesmo objeto a partir de dois pontos de vista ligeiramente
diferentes, e o processamento destas informações visuais pelo nosso sistema
nervoso central propicia a percepção de profundidade. A visão tridimensional
ou estereoscópica resultante por sua vez, possibilita nos orientar e interagir
adequadamente dentro do espaço que nos cerca.
Entretanto, apesar de vivermos em um mundo fisicamente tridimensional, em
diversas atividades que exigem orientação espacial, nos conduzimos e mesmo
raciocinamos utilizando coordenadas bidimensionais.
A nossa compreensão tridimensional de um novo elemento ou ambiente mais
complexo, constituído a partir de conjunções mentais dos seus diferentes
planos e, a noção do todo, é finalmente alcançada apenas ao conseguirmos
integrar as percepções do seu acima, do seu abaixo, do seu à frente, de seu
atrás e dos seus lados. Por outro lado a familiaridade com quaisquer elementos
ou ambientes têm como uma das suas características mais marcantes a noção
clara e segura da sua tridimensionalidade, o que permite que a sua abstração
seja feita de maneira imediata e variada.
Devido a limitações físicas e técnicas os nossos métodos de documentação
e mesmo de ensino têm se fundamentado basicamente na utilização da linguagem
oral e escrita e no emprego de ilustrações bidimensionais. No entretanto a
reprodução de imagens realmente tridimensionais ou estereoscópicas,
atualmente disponível, inclusive a baixo custo, vem possibilitar a divulgação
gráfica mais apropriada de espaços e de elementos, demonstrando as suas
disposições o formas de maneira mais realista e com marcante impacto visual.
Os
métodos de reprodução estereoscópica foram já descritos nos meados do século
XIX embora fossem deficientes, pois a falta das cores não definia adequadamente
todos os planos. Os recentes avanços com óculos tridimensionais, holografia,
uso de papéis especiais, com várias impressões intercaladas, e da informática
vieram a viabilizar seu desenvolvimento.
As imagens estereoscópicas sempre se baseiam na fusão de pelo menos duas
imagens, uma obtida a partir de um ponto de vista mais à esquerda e outra de um
ponto de vista mais à direita do elemento a ser reproduzido, e devem ser vistas
com a utilização de artifícios que possibilitem que cada olho visualize
apenas a sua respectiva imagem primária de forma a imitar a observação direta
do elemento com os nossos dois olhos.
Estes artifícios são constituídos por diferentes técnicas de polarização,
e as imagens resultantes podem ser impressas, projetadas ou visualizadas em
monitores.
Entre os métodos conhecidos para imprimir imagens estereoscópicas, o mais
simples é o método , que consiste em sobrepor as duas ou mais imagens, com minúsculo
deslocamento em uma única superfície, cada a uma delas coloridas com as cores
básicas: Azul, Verde e Vermelho – ( Princípio RGB – o mesmo empregado na
fotografia colorida, cinema televisão, monitores de vídeo, concebidos pelo físico
Inglês Newton, cuja síntese produz todas as outras cores) e visualizá-las com
o emprego de óculos constituídos por filtros das mesmas cores, o que faz com
que cada olho seja capaz de visualizar apenas a imagem tingida com a cor do
respectivo filtro.
Os filtros mais utilizados são os de cores vermelho e azul. Devem ser usados
sobre os nossos próprios óculos de correção visual, quando os usamos tanto
para imagens fotográficas impressas em papel, livros impressos graficamente em
grande escala, ou mesmo nos cinemas em 3 D.
Após esses resultados, no início da década de 80 surgiram as primeiras experiências
com hologramas. Adequando á óptica á tecnologia lazer, a imagem
tridimensional podia ser projetada no espaço interior de ambientes escuros, ou
em suportes especiais. Devido ao alto custo e a impossibilidade de industrialização
dessa nova tecnologia em alta escala, passou-se a pesquisar outras alternativas
economicamente viáveis...
A partir de 95, começa-se a fotografar a mesmo objetivo, a partir de
deslocamentos previamente calculados por meio de um trilho sobre o tripé da câmera.
São tomadas entre 3 até 18 fotos, cada uma com um minúsculo deslocamento. Com
os negativos revelados, cada imagem é ampliada individualmente na mesmo papel
ou transparência fotográfica. Tanto o papel, quanto á transparência são
exatamente iguais aos materiais sensíveis tradicionais. Sua única diferença
é a aplicação de “fresnel”, um difusor com múltiplos círculos concêntricos,
que possibilita a sensação tridimensional, a medida que observamos a imagem de
diversos ângulos, sem uso de óculos especiais ou outros apetrechos... Jorge Príncipe
é o grande especialista nessa nova técnica no Brasil.
Mas, a realidade virtual não para por ai... Não é só a fotografia ou o
cinema os grandes interessados economicamente nessas novas tecnologias. Com os
recursos da Internet será possível a médio prazo utilizarmos todos os nossos
sentidos, visão, audição e olfato para termos a real sensação de estarmos
presentes em qualquer situação, sem sair da frente do monitor.
Um pesquisador de São Paulo, Fábio Starace Fonseca está patenteando sistemas
virtuais de projeção cinematográfica, onde todas as informações sensoriais,
visão tridimensional, som quadriofônico, odores, estarão devidamente
programadas e sincronizadas para obter esse efeito...
Parece que vamos chegar lá na frente de todos...
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